ELEKTRA (SCORE)
Música composta por Christophe Beck


Selo:
Varèse Sarabande
Catálogo:
302 066 633 2
Ano: 2005

Faixas:
1. Main Title
2. DeMarco's End
3. Ferry Crossing
4. Insomnia
5. Ninjas
6. The Hand
7. Gnarly Gongs
8. Stick
9. Just Sit Quietly
10. The Kiss
11. Escape from McCabe's*
12. Tattoo
13. The Forest
14. Wolf Run
15. Typhoid
16. Just a Girl
17. Homecoming
18. Candle Trick
19. Kirigi
20. Hedge Maze Brawl
21. Elektra's Second Life
* Co-composed by Kevin Kliesch

Duração: 45:21
Cotação:


Comentário de
J
orge Saldanha

 

Eu não sei se é por uma decisão consciente, mas o compositor canadense Christophe Beck geralmente está ligado a personagens femininos fortes. Para a Caça-Vampiros favorita da TV, Buffy (Sarah Michelle Gellar), e para a Frances Mayes (Diane Lane) de Sob o Sol de Toscana ele compôs música de ação, terror, suspense, amor e romance. Agora chega a vez de Elektra (Jennifer Garner), a criação de Frank Miller que era a melhor razão para assistirmos à adaptação cinematográfica de Demolidor - O Homem sem Medo (2003). Este é o primeiro score de Beck para um filme de ação-aventura, repleto de lutas de artes marciais, locações exóticas, elementos de fantasia e, é claro, uma forte heroína. Entretanto, se você está esperando um tipo de música à la Buffy você certamente ficará desapontado.

A abordagem de Christophe Beck para Elektra foi a de experimentar com métodos de composição e orquestração incomuns. Como o compositor afirma, "Uma das coisas que queria tentar era criar texturas e fundos musicais, editá-los e manipulá-los para criar elementos musicais tanto estranhos como familiares". Beck inicialmente pré-gravou com um grupo orquestral e manipulou partes da gravação para produzir um sound design abstrato. Depois ele gravou os segmentos mais tradicionais da partitura com uma orquestra de 83 instrumentos. Como resultado, temos uma mistura percussiva de sound design e orquestração tradicional. Isto significa que às vezes você não irá ouvir música propriamente dita, mas "sons" produzidos pela percussão, sopros e eletrônicos. Uma vez mais, na análise de uma trilha sonora surge a minha maior queixa - a falta de temas
, ou pelo menos de temas marcantes. Claro que há um tema para a personagem-título, mas nele não há espaço para grandes melodias ou fanfarras de metais: o objetivo de Beck, acima de tudo, é estabelecer atmosfera e ambientação.

As interpretações do por vezes imponente tema de Elektra, especialmente na faixa "Main Title" e na sua versão mais longa em "Elektra's Second Life", são mais nostálgicas e melancólicas do que heróicas. Para as várias seqüências de artes marciais e ação Beck faz um criativo uso de baixo elétrico e percussão, às vezes adicionando cordas e metais à mixagem ("De Marco's End", "Ninjas", "Hedge Maze Brawl"). Porém, mesmo nestes momentos o sound design do score faz-se presente graças a sinos distantes, gongos e vozes distorcidas. A enérgica "Stick" é um dos pontos altos do score, com a sua bem equilibrada mistura de ação e ambientação. Alguns momentos melódicos chegam em "The Kiss", uma versão do tema de Elektra com piano e cordas que lembra muito o tema de amor de Buffy e Angel.

"Homecoming" é uma faixa bela e espiritual, também interpretada quase que inteiramente em piano e cordas. E "Typhoid" fornece uma ambientação ameaçadora para a infame vilã Typhoid Mary. Porém, na minha opinião, Elektra seria uma melhor trilha sonora se contivesse mais temas e menos sound design. Ainda assim, Christophe Beck merece elogios por aventurar-se em novas direções, ao invés de simplesmente acomodar-se e reciclar seu próprio (e às vezes até alheio) material, como alguns de seus colegas mais renomados fazem.

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