Com o sucesso fenomenal de
O Fabuloso Destino
de Amélie Poulain, Jean Pierre Jeunet teve a
responsabilidade de trazer uma história que chegasse ao
coração das pessoas, mas de uma maneira diferente da qual
Amélie chegara. Ele então criou uma triste e linda história
de amor, chamada A
Very Long Engagement (no Brasil,
Eterno Amor) que
conta a história de Mathillde, uma jovem de 19 anos (vivida
pela Amélie Audrey Tautou) que simplesmente nega- se a
acreditar que seu noivo Menech (Gaspard Ulliel), morreu na
guerra. O por que? Porque simplesmente seu coração sabe que
ele está vivo.
E para uma história que mistura suspense com romance,
nada melhor que
Angelo
Badalamenti, o magistral compositor italiano que
ficou famoso por suas trilhas de suspense em parceria
nos filmes de David Lynch, e que já trabalhara antes com
Jeunet em
Ladrão de Sonhos. E o resultado, é excelente. Angelo
conduz com a alma canções que são emotivas ao extremo, e
que é impossível de não conquistarem aqueles que as
ouvem. O tema do filme é a síntese do amor que Mathilde
sente por Menech, a agonia e o medo que regem dentro de
si, tudo isso feito por violinos que choram e clamam por
uma resposta aos medos de Mathilde.
Encontramos o tema em “First Love Touch”, em “Mathilde's
Theme” , “Kissing Through Glass”, “Massage Fantasy”,
“Our Soldiers Letters” e “End Titles”. É inegável
o talento de Badalamenti ao introduzir partes do tema
por caminhos que fazem com que as canções não tornem-se
repetitivas, pelo contrário, surgem como se as
ouvíssemos pela primeira vez, de um modo muito especial.
Claro que em outros temas do filme, como “Main Title (The
Trenches)”, “Secret Code” e “Elodie's Theme” também
sentimos o drama que envolve todo o filme, mas por outro
ângulo. Seja dos soldados, de pessoas que Mathilde
encontra pelo caminho, ou de mulheres que, como ela,
também sofrem com a dor de uma dúvida. E é maravilhoso
ver a desenvoltura de Badalamenti ao adaptar a alma dos
personagens às suas canções.
Em
um filme que criou ambigüidades entre a crítica (ou amam
ou odeiam), Angelo imperou soberano, eclodindo como o
grande ápice e ponto alto do filme, e mostrando a todos
o que ele realmente é - um gênio, que não precisa de
Oscars ou Grammys para ser amado e respeitado pelo
grande público.
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