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Seria
de esperar que para um filme que trata de temas
como homossexualismo, amor inter-racial e decepção, a música deveria
conter um elevado teor melodramático. Mesmo assim, a música original de
Longe do Paraíso nos fornece exatamente o contrário. Se
tivéssemos que definir este score em uma única palavra, a mesma
seria: simplicidade. E quando dizemos simplicidade não nos referimos a
simplista, mas sim a que não busca sobressair-se ou ser exagerado.
Em
nosso mundo cotidiano, tão cheio de extravagâncias e modernismos que
respondem à crença de que quanto mais rara seja uma expressão artística,
mais efetiva ela é, torna-se realmente incrível que uma trilha sonora
como a de Far From Heaven possua tal expressividade.
Mas na verdade não seria de estranhar-se tanto, já que seu compositor -
o inigualável Elmer Bernstein - vem criando, há mais de 50 anos, algumas
das melodias mais belas e reconhecíveis da história do cinema
norte-americano. Desde as primeiras notas de piano em “Autumn
in Connecticut”
,
até as ternas passagens de flauta em “Beginnings”, nos damos conta que
Far From Heaven não é a típica e comum partitura dos filmes de
hoje. Uma extraordinária delicadeza é percebida em faixas como “Evening
Rest” ou “Crying”, onde os solos de flauta, piano e violino se fazem
sentir, mais do que escutar. O ouvinte pergunta-se, como é possível que
uma melodia como “Hit” possa evocar uma integridade emocional tão
completa, que remete aos efeitos mais ricos e estilizados da linguagem
cinematográfica. Em temas como “Turning Point” e “Disapproval”, Elmer
Bernstein emprega suas conhecidas bases rítmicas ligeiras, que nos
recordam seus clássicos trabalhos, como por exemplo To Kill A
Mockingbird.
“Revelation and Decision” nos revela um tema muito profundo e sutil,
conduzido pelo conjunto de cordas e adornado de vez em quando por um
sombrio solo de cello, de piano ou de flauta. “More Pain” começa
com uma variação dramática deste último motivo, para continuar com outro
novo arranjo do tema principal, com as cordas expressando uma profunda
tristeza.
Em sua última entrevista para a revista
Film Score Monthly, Elmer Bernstein declara que: "Há algo
incrivelmente puro na música de Far From Heaven. Nunca tenta ser
demasiada, tampouco irônica... é realmente honesta com os sentimentos
dos personagens e essa simplicidade se reflete no estilo da música e do
próprio filme".
Apenas
um grande compositor como Elmer Bernstein
poderia ter escrito as maravilhosas notas que formam a partitura de
Far From Heaven. Este score poderia ser catalogado
como uma verdadeira obra-prima dos anos 50, já que constantemente lembra
os trabalhos dramáticos dessa época. Um grande candidato ao Prêmio Oscar®. |