FINAL FANTASY - THE SPIRITS WITHIN
Música composta por Elliot Goldenthal. The London Symphony Orchestra and London Voices, regida por Dirk Brossé

Selo:
Sony Classical
Catálogo:
SK 89697
Ano: 2001

18 Faixas

Duração: 56:24
Cotação:


Comentário de
J
orge Saldanha

 

Elliot Goldenthal, entre os compositores que entraram no mercado cinematográfico nos anos 90, é sem sombra de dúvida o que apresenta maior domínio tanto sobre as técnicas clássicas de composição, como das modernas. Sabendo como poucos utilizar orquestra e instrumentação eletrônica e perfeitamente à vontade em trabalhos de larga escala como Alien 3 e Entrevista com o Vampiro, ou mesmo mais experimentais como Titus, Goldenthal vem nos brindando com scores que fogem ao convencional. Ainda, pode-se dizer que, dentre os compositores em atividade, Goldenthal destaca-se por possuir um verdadeiro estilo, sem que para isso recorra ao chamado “autoplágio” (alguém aí murmurou Horner?).

Mesmo assim, ou até por essas razões, Goldenthal não cai fácil no gosto geral e não tem sido muito acionado por Hollywood, tanto que passou-se um ano desde seu último score, até o compositor apresentar-nos a magnífica Final Fantasy, que dentre todas as trilhas de filmes da temporada de verão americana, considero a mais criativa e cativante. Muito se comentou sobre esta animação feita em CGI, principalmente sobre o dito realismo de seus atores virtuais. Porém, em que pese o apuro técnico apresentado, Aki Ross e seus colegas ainda estão longe de ameaçar os empregos de gente de carne e osso. E repetidas bobagens da mídia, tipo “a partir de agora atores reais não mais serão necessários”, apenas ofuscaram muitos dos méritos do filme, que apesar de basear-se em uma série famosa de games, não é nada infantil, constituindo-se em uma das melhores ficções científicas dos últimos anos.

De qualquer modo, existe um elemento que adiciona uma dose extra de realismo e humanidade ao filme, que é, exatamente, o seu score original. Como é de seu feitio, Goldenthal não compôs um grande tema, optando pela utilização de motivos que, ao final, dão uma consistência admirável à partitura. Destes, o mais relevante é a delicada melodia de "The Kiss" , que em um grande contraste ao filme em si, que utilizou tecnologia de ponta, é conduzida por um dos instrumentos acústicos mais tradicionais, o piano. A exuberante performance da London Symphony Orchestra domina o CD, que se inicia com o tema de abertura, "The Spirits Within", onde também temos a primeira participação das London Voices. Uma inspirada composição para cordas pode ser encontrada em "Race To Old New York". Goldenthal injeta boa dose de suspense ao score em "Code Red", mediante o emprego de percussão, violinos tensos e metais. "Toccata and Dreamscapes" mistura o suspense com terror, em seus mais de 8 minutos de duração. Faixas como "Winged Serpent" e "Zeus Cannon" apresentam a orquestra em toda a sua potência, onde a percussão e os metais conduzem o show.

Em contraponto à ação e ao suspense, o lado sereno do score realça o lado sentimental e místico do argumento, como a já citada "The Kiss" e "A Child Recalled", sendo que "Music For Dialogues", "Flight To The Wasteland" e "The Eight Spirit" são algumas das composições mais românticas que Goldenthal já compôs. Neste sentido, após ouvirmos , em vários momentos, medo e agitação, "Adagio And Transfiguration" conclui o score privilegiando seu lado emotivo e humano. O CD encerra-se com duas canções, "The Dream Within", com música de Goldenthal, interpretada por Lara Fabian, e  "Spirits Dream Inside", interpretada pelo grupo pop japonês L-arc-en-ciel. A primeira possui seus méritos e condiz com o conjunto do filme, porém a última é simplesmente terrível... apenas esqueça que ela existe.

Em suma, Final Fantasy- The Spirits Within é daquelas trilhas que fazem uma real diferença ao filme a que serve, e com uma vantagem adicional importantíssima – em algum tempo, a tecnologia de animação estará superada, mas a música de Goldenthal permanecerá tão atual como hoje. As emoções são atemporais, e é isso que o compositor nos oferece com este trabalho: pura emoção.

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