THE FOG (2005)
Música composta por Graeme Revell


Selo: Varèse Sarabande
Catálogo: 302 066 697 2
Ano: 2005
Faixas:

1. Prologue
2. God's Country
3. Anchor Lockup
4. It Wants Us
5. The Hallmark
6. Shower Love
7. Elizabeth
8. Boathouse
9. Statues
10. Lights Out
11. Island History
12. The Search
13. Burned Image
14. It's Here
15. Crime Aboard
16. Tragedy On The Elizabeth Dane
17. The Reckoning
18. The Fog Recedes
19. Epilogue

Duração: 39:20

Cotação:


Comentário de
J
orge Saldanha

 

Pergunta: quando você se dá conta de que está ficando velho?
Resposta: quando seus filmes favoritos da adolescência (no meu caso, anos 70) começam a ser refilmados!

Sim, como grande fã que sou tanto de George A. Romero como de John Carpenter, agora posso dizer que estou velho. A refilmagem de 2004 de Dawn of The Dead, do Romero,  foi uma surpresa positiva, a nova versão de 2005 de Assault on Precinct 13, do Carpenter, foi "ok" mas desnecessária... e agora chega a vez deste novo The Fog, baseado no pequeno clássico de Carpenter (batizado no Brasil de Fog - A Bruma Assassina) lançado em 1980.

Quando as notícias sobre esta refilmagem, produzida pelo próprio John Carpenter e  baseada no seu roteiro original, começaram a pipocar na web, os fãs do horror ficaram enormemente animados. O filme é dirigido por Robert Wainwright e estrelado por Tom Welling (Smallville), Maggie Grace (Lost) e Selma Blair (Hellboy), alguns dos mais belos rostos jovens da tela. A trama básica permaneceu a mesma: há cem anos, durante um cerrado nevoeiro na costa rochosa do norte da Califórnia, um horrível naufrágio ocorreu sob circunstâncias misteriosas. Agora, envoltos pelo nevoeiro sombrio, os fantasmas dos marujos retornaram dos seus sepulcros marinhos para buscar sua sangrenta vingança. A animação em torno do projeto era perfeitamente compreensível: com tecnologia de ponta para a cinematografia e efeitos visuais, o filme certamente iria arrebentar a boca do balão, certo? Infelizmente, parece que não foi o caso.

O filme naufragou nas bilheterias norte-americanas e foi universalmente detonado pela crítica. "Desnecessário" foi a palavra mais leve usada para descrevê-lo. Para ser sincero devo dizer que, no momento em que escrevo este comentário, ainda não assisti The Fog, mas sei que parte da típica efetividade dos filmes de Carpenter vêm do clima e da música por ele mesmo manufaturados. A produção original tinha um score "assombrado" e eletrônico composto por Carpenter, algo que eu gostaria que tivesse, de algum modo, permanecido vinculado ao novo projeto. Contudo isto não conteceu, e agora temos uma nova trilha original, classificada como "mística e apavorante", de autoria de Graeme Revell. Revell é uma estrela em ascenção entre os compositores de cinema, e seus créditos incluem The Crow, Collateral Damage, Daredevil e os filmes de David Twohy Pitch Black e Chronicles of Riddick (para mim este último é um dos seus melhores scores até agora). Mais recentemente Revell colaborou com Robert Rodriguez em Sin CityShark Boy and Lava Girl in 3D. Outros projetos recentes de Revell imcluem Harsh Times, Goal!, Aeon Flux e o video game da Activision Call of Duty 2.

Para mim o problema principal é a falta de originalidade do novo score - a praga atual no gênero. Reconheço que hoje é muito difícil para um compositor criar uma obra realmente original, afinal estamos falando da música de cinema, que tem suas regras bem estabelecidas e consagradas. Mesmo assim Revell compôs apenas outra trilha de horror padrão, e o clichê da música de horror é desenvolver e sustentar a tensão através de não tão inesperados choques e sustos. Esta não é o tipo de trilha sonora que você ouvirá repetidamente, mas é válida pelo menos para que seja apreciado o tipo de ambientação sinistra que Revell colocou na música, a fim de transmitir apreensão e pânico no ouvinte.

Sob qualquer aspecto, The Fog de Revell não chega a ser um mau trabalho. Seu desafio era dar ao verdadeiro astro do filme - a força maléfica representada pelo próprio nevoeiro - uma voz ameaçadora, uma personalidade sombria. Pelo que ouvi no disco parece que ele teve sucesso nessa empreitada, já que o score transmite uma presença ameaçadora. Diferentemente da música de Carpenter, Revell utiliza samplers de orquestra; ainda é primariamente música eletrônica, mas sua escala é bem aumentada. A trilha alterna passagens altas e assustadoras com momentos de mistério. De tempo em tempo tonalidades eletrônicas e intervenções do piano parecem evocar ao ouvinte a trilha do filme original. O piano e os sinos durante "Statues" dá à faixa um genuíno senso do sobrenatural - é um dos pontos altos do score. É uma pena que o trabalho não inclua mais momentos como este.

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