THE LORD OF THE RINGS: THE FELLOWSHIP OF THE RING - THE COMPLETE RECORDINGS
Música composta e regida por  Howard Shore

Selo: Reprise
Catálogo: 
49454
Ano: 2005
Faixas:


Disco 1

1. Prologue: One Ring to Rule Them All (07:16)
2. The Shire (02:29)
3. Bag End (04:35)
4. Very Old Friends (03:12)
5. Flaming Red Hair (02:39)
6. Farewell Dear Bilbo (01:45)
7. Keep It Secret, Keep It Safe (08:53)
8. A Conspiracy Unmasked (06:09)
9. Three is Company (01:58)
10. The Passing of The Elves (02:39)
11. Saruman the White (04:09)
12. A Shortcut to Mushrooms (04:07)
13. Strider (02:34)
14. The Nazgûl (06:04)

Disco 2
1. Weathertop (02:14)
2. The Caverns of Isengard (04:54)
3. Give Up the Halfling (04:49)
4. Orthanc (01:06)
5. Rivendell (03:26)
6. The Sword That Was Broken (03:34)
7. The Council of Elrond Assembles (04:01) - Featuring “Aníron (Theme for Aragorn and Arwen)” Composed & performed by Enya
8. The Great Eye (05:30)
9. Gilraen's Memorial (05:01)
10. The Pass of Caradhras (05:04)
11. The Doors of Durin (06:03)
12. Moria (02:27)
13. Gollum (02:26)
14. Balin's Tomb (08:30)

Disco 3
1. Khazad-dûm (08:00)
2. Caras Galadhon (09:20) - Featuring “Lament For Gandalf” performed by Elizabeth Fraser
3. The Mirror Of Galadriel (06:21)
4. The Fighting Uruk-hai (11:32)
5. Parth Galen (09:13)
6. The Departure Of Boromir (05:29)
7. The Road Goes Ever On… Pt. 1 (05:58)
8. May It Be (03:26) - Composed & performed by Enya
9. The Road Goes Ever On… Pt. 2 (03:41) - Featuring “In Dreams” performed by Edward Ross

Disco 4
DVD com o mesmo conteúdo dos discos 1 a 3

Duração:
03:00:34
Cotação:


Comentário de
Ignacio Garrido

 

Introdução

Realizar o comentário desta trilha sonora em sua edição completa seria uma tarefa complicada, fosse quem fosse o responsável por ele.
Decidido a enfrentar este desafio, resolvi aplicar a tática do “dividir para conquistar”. Tomando esta idéia como base, ainda me restava a questão de decidir o que dividir no comentário, e como fazê-lo. Diante deste impasse, ficou claro que comentar a música em si, os temas e mesmo as virtudes compositivas do autor deveriam ficar de fora do texto desde o primeiro momento, e com uma boa justificativa: para que perder tempo com isso? São largamente conhecidos os acertos e a qualidade da composição, e por outro lado para que se aprofundar na apresentação dos temas, seu desenvolvimento, variações, estilo musical, execução de instrumentos solistas, dados orquestrais, etc.? O melhor é recorrer ao extenso livreto incluído nesta edição completa da partitura, escrito por Doug Adams, sem dúvida o melhor conhecedor de todo este tipo de informação, já que ele é o autor de um livro sobre o tema, do qual aqui ele utiliza uma parte. Então, o que resta a comentar? Sem dúvida a edição em si, o formato escolhido pelos responsáveis para fazer chegar a nós a primeira parte desta longa criação, com alguns comentários sobre os dados técnicos mais relevantes, a fim de não aborrecer aqueles que já leram várias críticas desta obra. Pois ao final, o que conta é o tipo de sentimento que cada um possui por esta partitura (o melhor é ter os discos e desfrutá-los, esta é a verdade mais inegável que os leitores deste comentário terão sobre este produto) e sua disposição em aprofundar-se na música e maravilhar-se com sua apresentação, adquirindo o que a partir de agora chamaremos “a Caixa”. Partindo então de um processo de seleção de conteúdos, decidimos separar e comentar os seguintes itens: a Caixa, os CDs, o DVD e o Livreto. Realizarei também ao final de cada uma destas seções o que deveria ser uma inócua valoração numérica subjetiva sobre cada elemento, pois o realmente adequado seria ler o comentário e não mensurar a qualidade dos elementos citados, baseando-se numa pontuação normalmente aplicada à música das trilhas sonoras em disco. Ainda assim, as épocas e modas decidem os sistemas de crítica, portanto adicionei as cotações para agradar a gregos e troianos. Passemos então a cada um dos itens escolhidos:


A Caixa

A duração das partituras nos filmes da trilogia O Senhor dos Anéis exigia uma edição com no mínimo três CDs. Após os CDs simples lançados simultaneamente aos filmes, vem esta caixa com as gravações completas do primeiro filme, A Sociedade do Anel. O formato das embalagens que trouxeram trilhas sonoras completas tão míticas como Krull ou A Conquista do Oeste, oferecia a possibilidade de nelas incluir três CDs, como acabou ocorrendo com O Grande Motim de Kaper, da FSM, ou a reedição pela Varèse Sarabande de A Maior História de Todos os Tempos, de Newman, onde obviamente se incluíram extensos livretos sobre a música e a edição. Então, porque aumentar o tamanho da edição para uma “caixa”, em vez de lançá-la numa embalagem de três discos? A resposta é evidente: apenas para incluir o DVD como elemento que justifique a valorização de um produto que, de outro modo, seria mais econômico e provavelmente mais prático, ainda que não tão bonito ou de feitura tão original. Mas consumado o fato, conclui-se que a opção de editar nesta caixa toda a música da versão estendida do filme, tanto em formato CD como DVD, foi a mais lógica. Pois não resta dúvida, este produto é dirigido aos amantes da saga e de sua música, e estes provavelmente quererão possuí-lo para desfrutá-lo em um ou outro formato. Chegará o momento em que todos escutaremos a música em DVD, mas para os que ainda não o fazem, também foi incluída a partitura no formato que ainda hoje é majoritário.

Isto não elimina aquela que seria a opção mais lógica, a de lançar em separado ambos os formatos, propiciando desta forma a aquisição de um DVD musical em caixa de CD simples, no estilo do magnífico Lean by Jarre editado pela Milan (que inclui o concerto em ambos os sistemas, além de entrevistas, informações, etc...), onde toda a informação do livreto (e muito mais) poderia ter sido incluída em forma de texto digital. E haveria também a opção da caixa tradicional de três CDs, sem o DVD, o que tornaria mais barata a aquisição de qualquer uma das opções. Não obstante, e como mencionado antes, ficaríamos sem este capricho de colecionador que é a caixa, onde ao modo de um livro escrito por Bilbo, nos são apresentados de forma elegante os CDs em três compartimentos, o DVD e o livreto. A título pessoal, a caixa é uma maravilha, apesar de possuir elementos de inconveniência, como seu tamanho e fragilidade, além é claro do seu preço elevado. Mesmo assim, não se pode negar o valor meramente estético do objeto e o prazer de possuir uma edição única, até agora, no mercado de trilhas sonoras.

Cotação da Caixa:
****½

2. O
s CDs

A distribuição da música em três CDs torna impossível seguir a segmentação do livro de Tolkien ou do próprio filme (apesar de que este teria sido o desejo de muitos), claramente dividido em duas partes. No entanto, toda a primeira parte até Rivendel poderia ter sido incluída em um só disco, já que toda a continuação exigiria em qualquer caso de mais dois CDs. Então, como fazer para criar uma audição coerente? A resposta que o selo Reprise nos deu parece bastante acertada em termos de lógica interna, bem como na distribuição da quantidade de música, ainda que não muito inteligente em relação à narração musical da história. O mais interessante talvez fosse incluir, como já mencionado, toda a música da primeira metade (livro 1) da história no disco 1, mesmo que isso tornasse sua duração demasiado longa em relação aos outros CDs. Mas a gravadora optou por incluir uma quantidade de música proporcional em cada disco e equilibrar a duração dos três sem levar em conta as divisões narrativas da história. Deste modo os CDs possuem uma duração, aproximada e respectivamente, de 58 minutos, 59 minutos e 62 minutos, solução estética adequada para não saturar alguns discos e sub-aproveitar outros, ainda que escassamente interessante em sua audição, como progressão sonora da narração.

Caso a distribuição tivesse obedecido ao que sugeri, o disco 1 teria uns 70 minutos de duração e incluiria todo a viagem de Frodo até Rivendel (desde a primeira faixa do disco 1, “Prologue: One ring to rule them all”, até “Give up the Halfling” do disco 2). O disco 2 teria 55 minutos e incluiria toda a jornada de Rivendel até a saída de Moria (de “Orthanc” do disco 2 até “Khazad-Dum” do disco 3), restando ao disco 3 outros 55 minutos, desde “Caras Galadhon” até a dissolução da Sociedade e o final do filme. Não teria sido, na minha humilde opinião, uma má distribuição, e inclusive seria mais interessante em certos aspectos que a realizada pela Reprise. Ainda assim, a audição que os CDs nos propõem é estupenda, pois apesar de tudo inclui toda a música do filme, e é isso que todos queriam. Mas, um momento... eu disse toda? Caso formos meticulosos (e muitos adoram ser), notaremos a ausência dos títulos de crédito dedicados aos fãs da saga e membros da Sociedade de Tolkien, que nas versões estendidas dos DVDs contam com música de Shore. Esta extensa peça (na maior parte, variações sobre os temas centrais da partitura) não aparece nestes discos, o que se poderia justificar pelo fato de que não faz parte do filme e por isso não se incluiria dentro da música da partitura. Mas se dermos validade a este argumento, talvez também não devesse ter sido incluída, na música do disco 2, a seção final da perseguição de Arwen e Frodo pelos Nazgûl, na faixa “Give up the Halfling” e que na edição original se chamava “Flight to the ford”, já que no filme este fragmento final, a modo de crescendo fanfárrico para sopros, não era ouvido e dava lugar para a passagem seguinte, onde Frodo desfalecia perante Arwen. Este momento é, portanto, música que não está no filme e por isso tampouco deveria ter sido incluído nos discos, o que se agradece não ter ocorrido pois foi parte da contribuição de Shore à continuidade musical da cena, ainda que não tenha sido utilizada com as imagens.

Outro elemento a destacar, logicamente, é a união dos segmentos musicais compactos em longos blocos sonoros, que musicalmente proporcionam uma audição mais satisfatória que a separação da música em dezenas de breves momentos – sem exagerar, devem ser centenas -, e que aqui foram combinados com bastante acerto. Ainda que no filme muitas vezes eles sejam ouvidos com pausas feitas por diálogos ou mesmo silêncios entre eles, a estruturação dos fragmentos musicais nos discos é notável; neste aspecto, o único fator mais criticável seria a audição em conjunto da música, pois todas as faixas dos CDs são praticamente contínuas, sem um par de segundos nos que permita remeter à seqüência, ao momento cinematográfico e/ou narrativo da viagem de Frodo, na qual a música se encontra.

E finalmente temos a inclusão de música source, seja na forma de música de festa hobbit ou canções de Fran Walsh, que por sua escassa profundidade musical ou sua discutível intrusão no milimétrico discurso de Shore poderia ter sido colocada após o score, em forma de bonus tracks ou similar. Não que esta música comprometa demasiadamente o desenvolvimento temático da partitura, mas sem dúvida o enfraquece e quase parece (em especial o sussurro de Gandalf en “Bag end”) intrometer-se na narração musical da partitura. Em qualquer caso a idéia final da edição é incluir tal e qual aparece no filme absolutamente toda a música, e de uma forma ou outra isso foi cumprido à perfeição. Ainda, merecem destaque os momentos inéditos incluídos nos discos. Os melhores momentos da partitura, cuja ausência na primeira edição oficial em CD era sentida por sua tremenda força e enorme brilhantismo musical
(omissão à época inevitável, dada a impossibilidade de incluir toda a música de destaque num só disco), são:

Disco 1:
“Farewell dear Bilbo”: Os parentes de Bilbo comparecem à sua festa de aniversário e os fogos artificiais de Gandalf simulam um grande dragão. Um par de breves momentos que ficaram na memória do aficionado.
“Keep it secret, keep it safe”: Bilbo desaparece diante dos atônitos hobbits de sua festa e vai embora do Condado, enquanto Gandalf investiga os segredos do Anel e seu passado. O início deste bloco é antológico, em seu emprego da seção de cordas.
“The passing of the Elves”: Frodo e Sam contemplam a migração de alguns elfos do bosque, acompanhados de uma belíssima e etérea melodia composta e interpretada (como na cena da festa na faixa “Flaming red hair”) pelo grupo Plan 9.

Disco 2:
“Orthanc”: Gandalf recorda em Rivendel, diante de Frodo, sua fuga das garras de Saruman voando em uma águia gigante. Um breve mas intenso momento onde se ouve uma fanfarra imponente.
“The great eye”: Primeira aparição do tema de Gondor no Conselho de Elrond, enquanto Boromir fala de sua terra. Melodia essencial para o desenvolvimento temático da terceira parte da saga.
“Gilraen´s memorial”: Aragorn medita diante da tumba de sua mãe e a Sociedade do Anel parte de Rivendel acompanhada de um dos temas mais emocionantes de toda a partitura (incluído nos concertos que Shore realizou com a “Sinfonia do Anel” em várias partes do mundo), que dá seguimento à faixa “The ring goes south”, já presente no CD simples.
“The Doors of Durin”: A Sociedade chega às portas de Moria e o Kraken os ataca, enquanto os heróis entram nas minas. Uma passagem musical arrebatadora em sua seção final, de uma contundência selvagem.

Disco 3:
“The mirror of Galadriel”: Boromir fala sobre o passado glorioso de Gondor e Shore introduz pela primeira vez o tema associado a este passado, ao da espada que cortou o dedo de Sauron e separou o Anel de seu dono, Anduril, seguido da seqüência onde Galadriel é tentada pelo poder do Anel, um momento musical comovente.
“The fighting Uruk-Hai”: A passagem mais longa da presente edição, que em mais de 11 minutos aglutina toda a viagem da Sociedade desde sua saída de Lorien até seu desembarque nas fronteiras de Amon Hen. Um tremendo bloco sonoro que dá continuidade musical às cenas com força e sem perder sua intensidade e inspiração em nenhum momento, incluindo a faixa “Farewell to Lorien”, anteriormente presente na edição especial em CD de As Duas Torres.
“The departure of Boromir”: Boromir tenta tirar o Anel de Frodo e cai protegendo Merry e Pippin, Aragorn vai em sua ajuda antes que um Uruk-Hai o mate, mesmo assim Boromir morre em seus braços. A intensidade e emotividade desta seção musical é realmente prodigiosa.

Cotação dos CDs:
****

3. O DVD

Para os amantes da qualidade sonora e dos avanços da tecnologia, o DVD que acompanha a caixa possui uma qualidade de som superior àquela que pode nos dar os CDs convencionais, por melhor que sejam gravados e produzidos. Ao incluir em apenas um DVD toda a música dos três CDs com qualidade de áudio superior, sem o inconveniente (para aqueles que não possuem equipamento CD changer), de ter que trocar cada disco ao seu término, deve-se perguntar: então, porque não escutar toda a partitura diretamente em DVD?

A resposta é evidente; se possuirmos o equipamento apropriado para desfrutarmos a música no DVD, obviamente é o que faremos, já que as vantagens são tão abundantes que o formato do CD não pode competir com ele. Além de ganharmos em comodidade e qualidade de audição, o menu do DVD inclui o nome das faixas e as diversas opções de escolha do tipo de áudio com que iremos ouvir a música. A verdade é que o CD não resiste à comparação com o DVD, e deste modo sua disponibilidade é um claro acerto, ainda que apenas para quando esta opção seja disponível para todos os aficionados.

Por outro lado, isto nos leva à inevitável pergunta: quando ocorrerá a substituição da música em CD pela música em DVD? Ainda que a pergunta fique no ar, pois este não é o local para debater o assunto, acho que é um bom lugar para fazê-la, a título de meditação sobre o assunto.

Cotação do DVD:
*****

4. O Livreto

Provavelmente por já ter em mente, antes mesmo do lançamento no mercado da caixa, a publicação de um livro sobre a música dos filmes da trilogia O Senhor dos Anéis, seu autor Doug Adams nos obsequia com informações e dados fantásticos no livreto incluído nesta edição comentada, mas que nos deixam com a sensação de haver muito mais para dizer. Por exemplo, o aficionado mais curioso poderá sentir a necessidade (que somente será satisfeita com a compra do citado livro) de aprofundar-se no universo musical criado pelo compositor, buscando os textos das passagens de corais interpretados nas diferentes línguas dos povos da Terra Média, ou então de descobrir a razão da escolha de certo tipo de orquestração para uns e outros personagens. Ou ainda, conhecer as biografias dos envolvidos no processo de criação musical da obra, algo que à primeira vista seria algo supérfluo, mas por exemplo nunca é demais conhecer os trabalhos anteriores do compositor (via biografia ou discografia) com os quais possam ser associadas partes desta obra monumental, como as líricas melodias de Nobody´s fool ou os elementos corais de Looking for Richard. Seja qual for o interesse ou curiosidade do aficionado, o livreto é mais um impecável aperitivo temático sobre a música que uma leitura definitiva sobre o tema, inclusive indicando a página da web onde poderão ser satisfeitas muitas das dúvidas não solucionadas por ele e onde, obviamente, se anuncia o livro e se recomenda a sua aquisição. Contudo o texto, as fotografias, as partituras incluídas, o cuidado gráfico, todo o livreto enfim, merece a mais alta consideração, principalmente em razão do que estamos acostumados em produtos relativos à música do cinema.

Cotação do Livreto:
****½

Conclusão

Pouco mais se pode dizer sobre a edição completa da música de A Sociedade do Anel. Apenas cabe lançar uma pergunta final ao aficionado em geral e aos colecionadores/completistas em particular, baseando-nos na seguinte reflexão: se é inegável que Howard Shore realizou um trabalho musical impecável durante o processo de criação desta primeira trilha sonora, nela aportando idéias, variações, soluções inteligentes a cada novo desafio sonoro que as imagens propunham, crescendo no desenvolvimento das bases mais importantes do score (que dúvida há sobre a qualidade e importância capital destas trilhas sonoras na história da música do cinema?), não é menos certo que a obrigatoriedade do acompanhamento das cenas leva a música de Shore, por momentos, ao incômodo da saturação. Isto é comprovado em segmentos musicais destacados, como por exemplo “Parth Galen”, onde um ostinato se sucede sem variação significativa, mantendo o pulso dramático da cena (Frodo decide prosseguir sozinho sob os olhares Merry e Pippin, que impotentes apenas protegem sua partida), mas fazendo musicalmente um fraco favor à progressão da peça ao nível de intensidade ou maleabilidade sonora. Agora, a música de filmes é delimitada e influenciada por por este tipo de situações, que se não baixam o nível geral da qualidade da composição; claramente estes momentos são muito menos destacados e interessantes que o resto da criação. Então, a pergunta: porque este lançamento de absolutamente toda a música? Não teria sido mais inteligente uma edição expandida que polisse o conjunto, deixando fora momentos dispensáveis ou repetitivos (como a música do Condado, com a repetição e variações do tema de Frodo)? Os fãs não seriam melhor servidos com versões alternativas, trechos rejeitados, etc...? Ou ainda, quantas trilhas sonoras desta dimensão - em questão de quantidade de música - suportariam tão bem a edição massiva de sua partitura? Adicionalmente, a magnificência da composição de A Sociedade do Anel, praticamente em sua totalidade, põe em nossa mente uma dúvida acima de qualquer outra: se as partes seguintes resistirão, com tanta sustentação e qualidade, audições de mais de três horas. Questões a levar em conta e para que reflitamos um pouco, enquanto desfrutamos de tão magna composição saída do gênio de Howard Shore.

Gostaria de agradecer a ajuda prestada na elaboracão deste comentário por dois grandes amantes das obras de J. R. R. Tolkien e Howard Shore: D. David Rodríguez e D. José Luis Martín.

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