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Hans
Zimmer é sim um bom compositor, mas tem um problema: o
desleixo. Muitas vezes suas trilhas são consideradas apenas
satisfatórias pelo fato de que ele não se esforça muito.
Claro que, quando ele quer, ele compõe lindamente, como é o
caso de
O Código
Da Vinci,
O Amor
Não Tira Férias e os Batmans de Christopher
Nolan -
Begins
e O
Cavaleiro das Trevas. Pois bem, Frost/Nixon
se junta à lista de ótimas trilhas, com uma originalidade
única, e uma beleza de dar gosto.
O filme,
dirigido por Ron Howard e com roteiro de Peter Morgan, narra
as entrevistas feitas por David Frost com Richard Nixon,
anos depois deste ter renunciado em função do escândalo
Watergate. O filme, excelente, tem altos momentos de tensão
e, para isso, precisa de uma trilha à altura. E é o que Hans
faz, ao utilizar violoncelos como base de uma estrutura
suprema e complexa.
A primeira
faixa da trilha, “Watergate” é direta, absoluta, intensa e
poderosa. Já “Hello, Good Evening and Welcome”, cujo título
repete o jargão utilizado por David Frost, tem uma melodia
com estilo e cordas grandiosas e interessantes. Já “Status”
tem um violoncelo (alma da trilha) assustador, sublime e
intrigante.
Em “Frost
Despondent” há um drama maior que vai se desenvolvendo aos
poucos, sem tropeços ou falhas. Outra faixa de destaque é
“Research Montage”, onde há tons de suspense e o novo se
funde com o velho, tendo a criatividade como o elemento
principal.
“Nixon
Defeated” tem um piano cativante, triste e fechado, sem
mistérios ou dor. Mas a faixa principal do score é
“First Ideas”, onde há o nostálgico, o errôneo, o sombrio e
o habitual de Frost/Nixon. Sendo assim Hans consegue
compor uma belíssima trilha, uma das melhores do ano e uma
das melhores de sua carreira. Que ele continue assim, vamos
dizer... dedicado.
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