GHOST RIDER
Música composta por Christopher Young

Selo: Varèse Sarabande
Catálogo: 302 066 789 2
Lançamento: 2007
Faixas

1. Ghost Rider
2. Blackheart Beat
3. Artistry in Death
4. A Thing for Karen Carpenter
5. Cemetary Dance
6. More Sinister than Popcorn
7. No Way to Wisdom
8. Chain Chariot
9. Santa Sardonicus
10. Penance Stare
11. San Venganza
12. Blood Signature
13. Serenade to a Daredevil's Devil
14. Nebuchadnezzar Phase
15. The West Was Built on Legends


Duração: 58:35
Cotação:


Comentário de
Jorge Saldanha

 
Após uma profícua carreira iniciada nos anos 1980, curiosamente Christopher Young - para mim um dos mais talentosos compositores de cinema da sua geração - permanece como um nome sub-valorizado entre os apreciadores de trilhas sonoras. Isto é estranho porque ele compôs música de alta qualidade para uma larga variedade de projetos: um engenhoso score incorporando efeitos de respiração para The Vagrant, uma partitura dramática e sombria para o drama de prisão Murder in the First, música melodiosa, de ação e horror para Species e um score de big band jazzístico para a comédia The Man Who Knew Too Little. Sua longa lista de trabalhos também inclui as maravilhosamente góticas partituras de Hellraiser e sua continuação Hellbound: Hellraiser II, além de grandes projetos e sucessos como Runaway Jury, The Shipping News, The Core e The Grudge. Este último filme solidificou sua parceria com o produtor e diretor Sam Raimi, e finalmente as coisas estão começando a mudar - para melhor.

Young contribuiu com música adicional em
Homem-Aranha 2, e mais adiante em 2007 ele retornará à franquia substituindo Danny Elfman no muito antecipado Homem-Aranha 3. Mas antes houve esta outra incursão de Young no mundo dos super-heróis da Marvel: Ghost Rider. Estrelando Nicholas Cage, Eva Mendes e Peter Fonda, esta aventura dark trata do motociclista dublê Johnny Blaze, que vende sua alma para Mefisto e se torna um vigilante chamejante para lutar contra Blackheart, o sequioso de poder filho do Demônio. Apesar do fato de o Motoqueiro Fantasma também ser um super-herói como o Aranha, há características que justificam que ele receba um tipo de música muito diferente. Como explica
Young, "O que é único é que, diferentemente de Superman, Homem-Aranha ou Batman, que são super-heróis que fazem seu trabalho na cidade, aqui estamos falando de um personagem que viaja de motocicleta. Então as locações são mais variadas e tiveram de ser mostradas no score, que por sua vez deve ser gótico em virtude da trama muito sombria."

O personagem do título é uma figura que parece saída do Halloween, com seu crânio em chamas, e além disso é um motoqueiro - uma referência nada sutil aos Hell Angels. Então, a tradução musical de Young deste bizarro herói foi optar por tons orquestrais e vocais sombrios mas ainda assim coloridos, combinados com elementos do rock trazidos pelas guitarras elétricas de três membros da banda Nine Inch Nails. Conseqüentemente O Motoqueiro Fantasma possui três camadas principais, bem distintas, em sua estrutura: texturas de coral que evocam a descida do herói ao Inferno ("The West Was Built on Legends"); o uso original, por vezes caótico da seção de metais da orquestra ("Artistry in Death", "More Sinister Than Popcorn"); e o som hard rock que representa o espírito audacioso e rebelde do personagem.

A primeira faixa apresenta o leitmotiv do personagem principal. Sua introdução, lenta e dark, é pontuada por violões que lhe dão um sabor de "western sombrio", mas logo a orquestra dá à música um tom mais agitado e heróico. Este motivo principal receberá adiante interpretações mais introspectivas em faixas como "Penance Stare" ou "Blood Signature", um dos pontos altos do score. As composições que seguem trazem ao ouvinte o som hard rock baseado principalmente em riffs de guitarras elétricas e ritmos de bateria, complementado por distintas seções da orquestra, onde a música invoca o lado demoníaco da história, como em "More Sinister Than Popcorn" ou "Chain Chariot".

Há poucos momentos onde Young apresenta algumas passagens melódicas, como a tocante "No Way To Wisdom". Um atraente motivo de três notas, interpretado em violão, faz-se presente em "A Thing for Karen Carpenter" e "Serenade to a Daredevil's Devil". Young utiliza estes momentos mas líricos para contrabalançar o uso de algumas idéias muito bem conhecidas neste gênero de música. Sim, há alguns clichês aqui e ali, mas o compositor os administra de modo inteligente e satisfatório. A peça de resistência da partitura, sabiamente, é deixada para o final: "The West Was Built on Legends", uma combinação bem feita de ritmos rock, orquestra e cânticos em latim entoados pelo coral, que levam a uma nova - e final - aparição do motivo principal, que encerra o álbum de modo magnífico.

Independentemente do que se possa achar do filme, o score de Ghost Rider nos mostra um talento que justifica um bem merecido, ainda que tardio, reconhecimento profissional e artístico. Para falar a verdade, esta é das melhores trilhas sonoras para este tipo de filme que ouvi desde Hellboy. Palmas para Young, um compositor que sempre é capaz de criar trabalhos singulares e imaginativos.

CDs COMENTADOS