GHOSTS OF MARS
Música composta por John Carpenter


Selo:
Varèse Sarabande
Catálogo:
66286
Ano: 2001

12 Faixas

Duração: 43:00
Cotação:


Comentário de
J
orge Saldanha

 

O diretor John Carpenter certamente não é um gênio da música de cinema. Suas composições carecem de complexidade, e via de regra são interpretadas por ele mesmo em teclados eletrônicos. Por outro lado, sua insistência em compor para a maior parte dos seus filmes termina por criar uma boa integração entre as imagens que vemos na tela e a música que as acompanha. Ou seja, a música de Carpenter é minimalista, repetitiva e muito efetiva nos filmes (exemplo clássico: Halloween), e para quem não tem maiores preconceitos contra sintetizadores, é até mesmo muito interessante de se ouvir em disco.

Chegamos então à trilha sonora de Ghosts of Mars (Fantasmas de Marte), seu mais recente filme que, aparentemente, apenas agradou aos olhos e ouvidos de alguns dinossauros sobreviventes dos anos 70... como eu. Porque o filme tem os ares típicos daquele período, até porque é, na verdade, uma atualização sci-fi de um dos primeiros filmes do diretor, Assault on The 13th Precinct. Apesar de ser um filme B bem produzido, Ghosts ganhou fama de trash porque Carpenter não abriu mão do que se propunha – contar uma história simples de cerco e sobrevivência, na qual cabeças arrancadas, uma heroína drogada, vilões que parecem uma mistura de “metaleiros” com cenobitas de Hellraiser, e uma trilha techno/heavy metal, são os ingredientes principais da receita.

Especificamente quanto à música, Carpenter decididamente resolveu divertir-se e, para juntar-se a ele e aos seus teclados, montou uma banda que inclui a base instrumental do grupo de heavy metal Anthrax e outras "feras" do gênero, como os guitarristas Steve Vai e Buckethead, o baterista Charlie Benante e o saxofonista Joe Robb. A faixa título “Ghosts of Mars” é típica de Carpenter: uma batida hipnótica acompanhada por sintetizadores, porém há o diferencial do solo de guitarra elétrica de Steve Vai, sem dúvida um virtuoso no instrumento (esta, aliás, é minha faixa favorita). A partir de então, momentos mais serenos ou de suspense ("Love Siege", "Visions of Earth") são mais escassos, já que em faixas como “Fight Train”, “Power Station”, “Kick Ass” e “Pam Grier´s Head” o que comanda são guitarras elétricas e bateria a todo o volume.

Já algumas mais lentas possuem um sabor de blues, em “Can´t Let You Go” e “Dismemberment Blues” a habilidade dos músicos pode ser apreciada a um volume mais razoável... Pelo que se depreende das notas de Carpenter contidas no encarte do CD, ele queria que a música do filme soasse como música de três décadas atrás, e creio que, de um modo geral, conseguiu. Pois bem Mr. Carpenter, o resultado não é para todos, mas pelo menos este dinossauro entendeu o seu filme e a sua música.

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