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007 Contra o Homem da
Pistola de Ouro
é considerado quase unanimemente como o filme mais fraco da série de
James Bond, e sua música não tem uma sorte muito distinta. É justo
assinalar que esta trilha sonora não é a pior da série, ainda que seja a
pior composta por
John Barry,
que voltou para este filme após Com 007 Viva e Deixe Morrer, cuja
trilha foi de George Martin. Sem dúvida não foi um regresso glorioso de
Barry já que, francamente, a música que compôs para este filme foi
bastante deficiente, inclusive o próprio compositor evita falar muito a
respeito por não sentir que tenha feito um bom trabalho. Igual situação
ocorre com o co-autor da canção principal, Don Black. Frente a isto
evitamos maiores comentários, afinal, se os próprios autores se
autocriticam, o que mais poderia adicionar este simples comentarista?
O problema desta trilha já começa com a canção principal, “The Man with
the Golden Gun”, que talvez seja ainda hoje, musicalmente a mais
deficiente já composta para a série, por se tratar de uma canção muito
pouco atraente e que, fato raro, é muito difícil de classificar. Em que
pesem meus limitados conhecimentos musicais, não poderia dizer que se
trata de uma balada, ou tampouco que se trata de um rock. O que
posso afirmar é que a letra da canção é, definitivamente, um resumo do
argumento do filme, que retrata como nenhuma outra o que posteriormente
veremos na tela. Nenhuma outra canção da série conseguiu isso, nem a
consagrada Goldfinger. Apesar da letra muito apropriada, esta
canção não foi acompanhada por uma boa melodia, que é o que finalmente
se exige, especialmente para os países onde não se fala inglês. Mesmo a
canção sendo débil, o compositor utilizou-a abundantemente como padrão
instrumental, e o resultado obtido foi uma trilha sonora ainda mais
fraca. Diferentemente de trabalhos anteriores, John Barry utilizou esta
canção para todo o tipo de cenas, o que funcionou relativamente bem,
exceto nas seqüências românticas. A utilização da canção principal para
estas cenas significou forçar ao máximo a situação. Em primeiro lugar
porque, ainda que se trate de uma versão instrumental, esta canção não é
romântica, e por outro lado, para obter o efeito romântico, foi
necessário desacelerar ao máximo seu ritmo, o que provocou sua
descaracterização. Talvez o melhor fosse compor um tema especial para
estas seqüências, mas que de qualquer modo não foram muitas.
A utilização do “Tema de James Bond” merece uma atenção especial:
durante todas as películas anteriores de Bond em que Barry participou,
ele sempre incorporou o “Tema de James Bond” em sua versão original, a
qual correspondia ao arranjo feito por ele mesmo para Dr. No.
Excepcionalmente incluiu algumas variações, as quais nunca repetiu, mas
foi em 007 Contra o Homem da Pistola de Ouro que Barry debutou a
versão sinfônica do tema, mantida sem maiores variações até sua
aposentadoria da série. Nunca mais se ouviu nas trilhas compostas por
Barry o típico som da guitarra elétrica utilizado na década anterior. A
partir deste filme sempre escutaríamos a versão sinfônica, que em termos
gerais era igual à anterior, salvo uma pequena passagem que não altera a
essência do tema. Trata-se por certo de uma versão mais elaborada e de
melhor sonoridade, e que talvez demonstre a intenção de Barry em criar
uma versão mais identificada com ele, e desta forma estabelecer uma
diferenciação entre o tema original e esta nova versão. No disco
“Moviola II”, que é uma compilação das melhores composições de Barry, a
versão incluída do “Tema de James Bond” é a sinfônica. Quanto aos outros
compositores que vieram posteriormente, em geral a versão inspiradora
era a original.
O resto da trilha não oferece maiores atrativos, por
constituir-se de peças bastante obscuras e algumas com clara
inspiração étnica (a história se passa
principalmente na Tailândia), mesmo assim destaco
“Let’s go get ‘em” (que contém a
versão sinfônica do “Tema de James Bond”) e
“Kung Fu Fight”, ambas por sua grande força. De
resto, não se nota uma grande ausência de músicas
no disco em comparação ao que ouvimos no filme, ainda que
o CD “Bond Back In Action 2” apresente um par de faixas que
não foram incluídas nem no disco original e nem nesta
reedição remasterizada ("Slow boat from China" / "Nick
Nack"). Finalmente, um dado curioso: a canção dos
créditos finais (que é a mesma dos créditos
principais) começa com uma letra diferente e em ritmo mais
lento, para desembocar finalmente na letra e ritmo originais.
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