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Mais um dos (re)lançamentos da extinta
gravadora Chapter III, reunindo duas trilhas há muito fora de catálogo:
Grand Prix (1966), de John Frankenheimer, e A Filha de Ryan
(1970), de David Lean, compostas por
Maurice Jarre.
Estas duas partituras são um belo contraste em relação à maior parte dos
últimos trabalhos de Jarre, eminentemente eletrônicos. O indiscutível
talento do compositor em criar quadros sonoros, amplamente demonstrado
em clássicos como Lawrence da Arábia e Doutor Jivago,
faz-se aqui presente, porém em outra escala. Grand Prix é mais
variado em estilo, apresentando um
famoso tema
baseado em metais e percussão (que virou uma espécie de hino nas
transmissões de corridas de Fórmula 1, pela TV), além de faixas que são
pura bossa-nova ("Sarti's Love Theme," "Scott's Theme"), destinadas a
explorar comercialmente um gênero que, à época, estava em alta. Sem
dúvida é um bom trabalho, mas que, além do tema, recorrente no score,
não apresenta nada mais que seja memorável.
A Filha de Ryan, por outro lado, apresenta méritos que elevam a
partitura ao mesmo nível dos trabalhos mais inspirados do compositor. A
música de Jarre para o penúltimo filme de David Lean apresenta uma boa e
variada dose de efeitos de estilo (a "quase" cômica "Michael's Theme",
as "quase" militaristas "The Major" e "The Shakes"), porém consegue
manter uma coerência bem maior que Grand Prix. À época,
Jarre já ensaiava um namoro com os instrumentos eletrônicos, como
podemos constatar na faixa "Ride Through the Woods". Por sua vez, o tema
romântico principal foge do padrão das famosas melodias compostas para
os épicos anteriores de Lean - possui, de fato, uma sensibilidade e uma
delicadeza intrínsecas que nos cativa. A Filha de Ryan foi a
única das trilhas, que Jarre compôs para Lean, que não foi indicada ao
Oscar. O que, na realidade, nada significa: é uma obra a ser apreciada
por sua beleza, romantismo e alegria. |