GRAND PRIX/RYAN´S DAUGHTER
Música composta e regida por Maurice Jarre


Selo:
Chapter III
Catálogo:
1001-2
Ano: 2000

23 Faixas

Duração: 67:13
Cotação:


Comentário de
J
orge Saldanha

 

Mais um dos (re)lançamentos da extinta gravadora Chapter III, reunindo duas trilhas há muito fora de catálogo: Grand Prix (1966), de John Frankenheimer, e A Filha de Ryan (1970), de David Lean, compostas por Maurice Jarre. Estas duas partituras são um belo contraste em relação à maior parte dos últimos trabalhos de Jarre, eminentemente eletrônicos. O indiscutível talento do compositor em criar quadros sonoros, amplamente demonstrado em clássicos como Lawrence da Arábia e Doutor Jivago, faz-se aqui presente, porém em outra escala. Grand Prix é mais variado em estilo, apresentando um famoso tema baseado em metais e percussão (que virou uma espécie de hino nas transmissões de corridas de Fórmula 1, pela TV), além de faixas que são pura bossa-nova ("Sarti's Love Theme," "Scott's Theme"), destinadas a explorar comercialmente um gênero que, à época, estava em alta. Sem dúvida é um bom trabalho, mas que, além do tema, recorrente no score, não apresenta nada mais que seja memorável.

A Filha de Ryan, por outro lado, apresenta méritos que elevam a partitura ao mesmo nível dos trabalhos mais inspirados do compositor. A música de Jarre para o penúltimo filme de David Lean apresenta uma boa e variada dose de efeitos de estilo (a "quase" cômica "Michael's Theme", as "quase" militaristas "The Major" e  "The Shakes"), porém consegue manter uma coerência bem maior que Grand Prix. À época, Jarre já ensaiava um namoro com os instrumentos eletrônicos, como podemos constatar na faixa "Ride Through the Woods". Por sua vez, o tema romântico principal foge do padrão das famosas melodias compostas para os épicos anteriores de Lean - possui, de fato, uma sensibilidade e uma delicadeza intrínsecas que nos cativa. A Filha de Ryan foi a única das trilhas, que Jarre compôs para Lean, que não foi indicada ao Oscar. O que, na realidade, nada significa: é uma obra a ser apreciada por sua beleza, romantismo e alegria.

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