HANNIBAL
Música composta por Hans Zimmer. Regência de Gavin Greenaway

Selo:
Decca
Catálogo:
289 467 696
Ano: 2001

12 Faixas

Duração: 54:13
Cotação:


Comentário de
J
orge Saldanha

 

Hannibal, o livro de Thomas Harris que deu seqüência ao aclamado O Silêncio dos Inocentes, desde o seu lançamento foi alvo de críticas e polêmicas, que se estenderam à sua recente adaptação cinematográfica. O que seria de se esperar, já que Silence of The Lambs foi um ótimo livro que rendeu um excelente e premiado filme em 1991, dirigido com maestria por Jonathan Demme, tendo desempenhos magníficos de Jodie Foster e, especialmente, de Anthony Hopkins, no papel de nosso canibal favorito, o Dr. Hannibal Lecter.  Curiosamente, os adjetivos superlativos do filme não se estenderam ao seu score, de Howard Shore, que é capaz de acentuar a sensação de medo e desconforto durante a exibição do filme, mas que em CD, principalmente pela falta de material temático, não chega a ser marcante.

Dez anos após o lançamento do original, Hannibal chegou tendo apenas Anthony Hopkins do elenco e equipe originais, ficando a direção a cargo de Ridley Scott, e a música, sob a responsabilidade do compositor de seus últimos filmes,
Hans Zimmer. Zimmer adotou uma linha musical similar à de Shore, já que suas composições são igualmente perturbadoras e sombrias, porém mostram-se menos sutis e restritas. Por outro lado, o score reflete bem as diferenças temáticas entre um filme e outro; Hannibal, como bem sugere o título, é basicamente centrado no estranho relacionamento platônico entre a figura ímpar do Dr. Lecter e a agente do FBI Clarice Starling (desta vez, Julianne Moore). A partitura alterna composições de influência clássica e faixas atmosféricas, sendo ao mesmo tempo mais sofisticada e operística – reflexo, certamente, da persona de Hannibal e dos ambientes eruditos pelos quais ele circula.

Como seria de se esperar em um trabalho de orientação clássica, há fortes influências de compositores como Bach, Strauss e Mahler, com o reforço de que, ao lado da música original de Zimmer, foram incluídas faixas como a "Aria Da Capo", de Bach, interpretada por Glenn Gould. Já, as criações de Zimmer, como "To Every Captive Soul", não fazem feio ante às seleções clássicas incluídas. Claro, há o uso discreto de sintetizadores (afinal, o compositor é Hans Zimmer!), mas certamente em uma escala mínima. O que realmente domina o som de Hannibal é a grande seção de cordas – em alguns trechos, foram utilizados mais de 28 violoncelos, com várias intervenções de coral. O sombrio e rico timbre do cello é bem aproveitado na faixa "Avarice", uma perfeita personificação musical do Dr. Hannibal Lecter – sofisticada, culta, e psicótica. Hannibal é uma trilha ambiciosa e de grande apelo para os apreciadores da música erudita, mas que poderá desagradar a alguns graças à inclusão de monólogos de Anthony Hopkins, em algumas das composições mais interessantes.

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