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Hannibal,
o livro de Thomas Harris que deu seqüência ao
aclamado O Silêncio dos Inocentes, desde o seu lançamento foi
alvo de críticas e polêmicas, que se estenderam à sua recente adaptação
cinematográfica. O que seria de se esperar, já que Silence of The
Lambs foi um ótimo livro que rendeu um excelente e premiado filme em
1991, dirigido com maestria por Jonathan Demme, tendo desempenhos
magníficos de Jodie Foster e, especialmente, de Anthony Hopkins, no
papel de nosso canibal favorito, o Dr. Hannibal Lecter. Curiosamente,
os adjetivos superlativos do filme não se estenderam ao seu score,
de Howard Shore, que
é capaz de acentuar a sensação de medo e desconforto durante a exibição
do filme, mas que em CD, principalmente pela falta de material temático,
não chega a ser marcante.
Dez anos após o lançamento do original, Hannibal chegou tendo
apenas Anthony Hopkins do elenco e equipe originais, ficando a direção a
cargo de Ridley Scott, e a música, sob a responsabilidade do compositor
de seus últimos filmes,
Hans Zimmer. Zimmer
adotou uma linha musical similar à de Shore, já que suas composições são
igualmente perturbadoras e sombrias, porém mostram-se menos sutis e
restritas. Por outro lado, o score reflete bem as diferenças
temáticas entre um filme e outro; Hannibal, como bem sugere o
título, é basicamente centrado no estranho relacionamento platônico
entre a figura ímpar do Dr. Lecter e a agente do FBI Clarice Starling
(desta vez, Julianne Moore). A partitura alterna composições de
influência clássica e faixas atmosféricas, sendo ao mesmo tempo mais
sofisticada e operística – reflexo, certamente, da persona de
Hannibal e dos ambientes eruditos pelos quais ele circula.
Como seria de se esperar em um trabalho de orientação clássica, há
fortes influências de compositores como Bach, Strauss e Mahler, com o
reforço de que, ao lado da música original de Zimmer, foram incluídas
faixas como a "Aria Da Capo", de Bach, interpretada por Glenn Gould. Já,
as criações de Zimmer, como "To Every Captive Soul", não fazem feio ante
às seleções clássicas incluídas. Claro, há o uso discreto de
sintetizadores (afinal, o compositor é Hans Zimmer!), mas certamente em
uma escala mínima. O que realmente domina o som de Hannibal é a
grande seção de cordas – em alguns trechos, foram utilizados mais de 28
violoncelos, com várias intervenções de coral. O sombrio e rico timbre
do cello é bem aproveitado na faixa "Avarice", uma perfeita
personificação musical do Dr. Hannibal Lecter – sofisticada, culta, e
psicótica. Hannibal é uma trilha ambiciosa e de grande apelo para
os apreciadores da música erudita, mas que poderá desagradar a alguns
graças à inclusão de monólogos de Anthony Hopkins, em algumas das
composições mais interessantes. |