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Junho
de 2001 - As últimas páginas de Harry Potter e o Cálice de Fogo
são devoradas por meus olhos, e os de tantas outras pessoas. O que mal
sabíamos era que em quatro anos um obra-prima seria feita;
Novembro de 2005 - Entro na sala de cinema com a certeza de que
vou ver um excelente filme, provavelmente o melhor já feito da série,
talvez por conta do melhor livro escrito por J. K. Rowling.
Cuidado! Uma adaptação literária tão grandiosa tem seus contratempos. Um
deles é a mudança de diretores (até agora foram três) e nesse último,
além do novo diretor - Mike Newell - houve também a troca do compositor.
John Williams é sem
dúvida alguma o compositor mais prestigiado no cinema mundial e foi
responsável pelo tema de Harry Potter, bem como pela trilha incidental,
nos 3 primeiros filmes. Mas seja porque Williams já não se mostrava
inspirado para trabalhar na série, seja por ter se envolvido em vários
outros projetos em 2005, a troca do diretor também ensejou um novo
compositor - seu nome: Patrick Doyle.
Aos 52 anos de idade, Doyle fez trilhas que particularmente me agradam
muito, como é o caso de Histórias para Toda a Vida e
Assassinato em Gosford Park". Claro que seu nome não é tão sonoro
quanto o de Williams, mas será o nome tão importante assim? Um filme
como Harry Potter e o Cálice de Fogo pede uma trilha grandiosa, *
e isso foi cumprido!
As luzes se apagam e o filme começa. O alvoroço dos "aborrescentes" que
lotam a sala faz com que eu fique um tanto quanto revoltado, prestes a
gritar (Vamo calá a boca aí &%$*#&), mas não o faço. Aos poucos,
o silêncio e o deslumbre toma conta do cinema, e os violinos, cellos
e baixos de Doyle começam a cantar. Desenvolvendo com maestria os temas
compostos por Williams, Doyle faz não só a melhor partitura do ano, mas
deixa sua marca na escola de Hogwarts. Com uma trilha muito bem editada,
a presença de peso, paixão, tensão e mistério é repleta da magia do
bruxo (agora com 14 anos) e Cia.
O torneio Tribruxo é o tema principal do filme, e a chegada das escolas
"Beauxbatons" e "Drumstrang" traz, além do clima de competitividade um
clima de score. A apresentação de ambas escolas é muito bem
amarrada com o score do filme, bem como a apresentação das
seleções da Irlanda e Bulgária na Copa Mundial de Quadribol mostrada no
início do filme. Admito, eu quase dei cabeçadas nas pessoas ao meu lado,
pois a euforia de ver um filme desse porte já é forte, e quando
acompanhada de uma trilha como a de Doyle, nem se fala.
O mais interessante é que a música segue o filme de forma fiel - sim, é
bem pesada -, mas apesar da censura ser 10 anos de idade, eu, com os
meus 22 anos fiquei chocado por muitas vezes - e a trilha foi uma das
responsáveis por isso. A morte do personagem.... oops, quase
falei! Bem, a morte presente no filme faz com que eu reforce ainda mais
o conceito que já tinha no passado (Harry Potter NÃO é coisa de
criança). Forte não seria bem a palavra que descreve a perda do
personagem no filme. A pressão que senti no peito foi tão intensa quanto
as pancadas que meu ouvido levava a cada nota de baixo e cello.
Pela primeira vez na história do filme se faz presente o uso de canções
originais (por Jarvis Cocker). Uma banda estilo "sou bruxo sim, e daí?"
fez no baile do filme uma apresentação de rock, deixando a trilha
do filme ainda mais completa. O filme, bem como sua trilha, não foi
apenas o melhor da série, mas o melhor do ano. E apesar dos cortes
inofensivos efetuados pelo diretor, a história trilha sua potência e a
trilha potencialmente faz história.
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