Harry Potter and the ORDER OF THE PHOENIX
Música composta por Nicholas Hooper


Selo:
Warner Bros. Records
Catálogo:
148156-2
Ano: 2007

Faixas:
1. Fireworks
2. Professor Umbridge
3. Another Story
4. Dementors In The Underpass
5. Dumbledore´s Army
6. The Hall Of Prophecies
7. Possession
8. The Room Of Requirements
9. The Kiss
10. A Journey To Hogwarts
11. The Sirius Deception
12. Death Of Sirius
13. Umbridge Spoils A Beautiful Morning
14. Darkness Takes Over
15. The Ministry Of Magic
16. The Sacking Of Trelawny
17. Flight Of The Order Of The Phoenix
18. Loved Ones And Leaving

Duração: 52:22
Cotação:


Comentário de
Renan Fersy

 

Devo dizer que ando um pouco desapontado pela inconstância dos últimos diretores da série Harry Potter na escolha dos seus compositores. A recusa de John Williams em compor a trilha sonora para o quarto filme, Harry Potter e o Cálice de Fogo, gerou uma brusca mudança no mundo musical do jovem bruxo. Para preencher esta vaga compositores com excelentes trilhas de fantasia e magia em sua bagagem, e que criariam com certeza uma atmosfera sinistra e mágica para o filme, poderiam ter sido convocados - nomes como James Horner (Jumanji, Em Busca do Vale Encantado) ou Danny Elfman (A Fantástica Fabrica de Chocolate), Alan Silvestri (Uma Noite no Museu, De Volta para o Futuro ) ou ainda Dario Marianelli (Os Irmãos Grimm). Apesar disso o diretor Mike Newell fez uma aposta arriscada em um compositor que, apesar de já experiente, possuía menos renome e era mais ligado a trabalhos de perfil bem diverso: Patrick Doyle.

Apesar de ser um excelente orquestrador, Doyle fez um trabalho muito modesto tematicamente, uma vez que ele ignorou quase todo o legado musical deixado em Hogwarts pelo mestre Williams. Apresentando apenas brevemente e com claras diferenças na estrutura musical o tema de Williams "Hedwig's Theme", que em virtude de mudanças na harmonia e melodia se tornou um tema de filme adolescente, com enfoque mais para o drama do que para a fantasia. Além disso, Doyle também não conseguiu nos apresentar novos temas suficientemente convincentes e memoráveis. Resultado, um filme que passou de clima mágico para um filme ora em clima de suspense adolescente através de dissonâncias e atonalidades, ora tendendo ao drama com as melodias contrapontísticas para cordas de Doyle.

Para o quinto filme, Harry Potter e a Ordem da Fênix, duas opções eram as mais lógicas para mim: ou John Williams voltava para nos presentear com mais uma trilha orquestral forte e marcante, ou que pelo menos Doyle pudesse se redimir compondo uma trilha mais madura. Eu estava errado. Nicholas Hooper seria o homem por trás da trilha. Mas quem é esse tal de Hooper? Se a escolha de Doyle já foi controversa por ele ser menos conhecido, imagine a polêmica gerada pela escolha de Hooper, que apesar de ter experiência compondo para televisão, carrega no seu currículo apenas uma ou outra produção cinematográfica premiada.

Em linhas gerais, compor a trilha para um filme baseado em uma obra literária mundialmente aclamada nunca é uma tarefa fácil. Somemos a isso o fato de que este filme é o quinto de uma série que foi progressivamente melhorando, e que a cada novo capítulo composições e temas marcantes nos eram apresentados. Isso já tornaria a composição da trilha de Harry Potter e a Ordem da Fênix uma empreitada desafiadora para qualquer compositor. Para piorar temos um dos maiores compositores da história do cinema como principal "mentor musical" dos primeiros filmes, John Williams. O maestro Williams teve uma parcela gigantesca no sucesso da série, pois sua música foi mais que apenas ambiental. Como de costume sua música tornou-se um personagem do filme, com temas marcantes como "Hedwig's Theme", "Arrival of Baby Harry" e o mais recente "Double Trouble". Pena que tanto Doyle quanto Hooper tenham ignorado os temas do maestro Williams, a não ser por breves linhas de Hedwig's Theme que os dois utilizaram em seus scores.

Ao contrário das outras trilhas sonoras da série lançadas em CD, em que a seqüência de apresentação das músicas seguia pelo menos em parte a ordem dos acontecimentos no filme, em A Ordem da Fênix as faixas não vieram nesta ordem cronológica. Outra novidade também é em relação à execução da trilha: enquanto as outras quatro utilizaram orquestras sinfônicas completas, Hooper utilizou uma orquestra de câmara (que de câmara aparentemente só tem o nome), a Chamber Orchestra Of London. Dizem algumas matérias que ele utilizou os 90 membros da orquestra; eu tenho dúvidas, já que pouco se encontra sobre os membros da orquestra e o processo de gravação da trilha, somado a isso a sonoridade da trilha é mais suave do que seria com um orquestra de 90 membros. Mas enfim, vamos passar à análise do trabalho de Hooper.

Apagam-se as luzes, e como já diz a faixa "Another Story", outra historia começa. Hedwig's Theme é ouvido então tocado em flautas e trompas (french horns) com uma participação das cordas na parte final, ao invés da celesta de Williams. Hooper retorna ao padrões de Williams, mantendo as funções dos acordes-base para a melodia, ao contrário de Doyle que havia mudado os acordes. Em seguida ouve-se um motivo triste no piano que é quase que exclusivo da cena onde Harry e seu primo discutem no início do filme, já que não recordo de tê-lo ouvido novamente em momentos posteriores. Deste ponto para o final da faixa apenas climas e texturas são criados, com cordas e madeiras, que culmina com algumas linhas de Hedwig's Theme novamente para finalizar a faixa. Outra faixa onde Hedwig's Theme também aparece é "Journey To Hogwarts", novamente com interpretação na trompa e flauta.

"Dementor's In The Underpass", "The Hall Of Prophecies", "The Death of Sirius" e "Darkness Takes Over" marcam os momentos mais assombrosos e perturbadores do filme. "The Kiss" tange o romance de Harry e a bruxinha oriental Cho Chang . "The Sacking of Trelawney" é um dos momentos mais tristes da trilha, e acompanha a cena onde a nossa estranha professora clarividente quase é expulsa das terras de Hogwarts pela Professora Umbridge. "Possession" cria um clima dramático e melancólico com pitadas sombrias, representando o drama de Harry em relação a sua conexão com lorde Valdemort. Um dos grandes acertos de Hooper para mim foi o uso e abuso do glockenspiel e da harpa para criar uma sonoridade mágica, coisa que Doyle não fez. Hooper nos traz atmosferas de bruxaria, enquanto Doyle apenas criou tensões, seja para o medo ou para o drama. A magia está de volta a Hogwarts!

Alguns dos momentos mais mágicos da trilha ficam a cargo das faixas "Room Of requirements", "Professor Umbridge" e "Ministry of Magic". Essas faixas tem algo de Williams, seja pelas melodias mágicas, seja pelos recursos orquestrais como utilização do glockenspiel e harpa para ilustrar esse mundo mágico. "Professor Umbridge" foi, dos temas criados por Hooper, o mais marcante para mim, um tema que em algo me lembra o Tango, com muitos Staccatos e que me marcou pela melodia saltitante e alegre, que ao mesmo tempo quer dizer que as coisas não são o que parecem. O ar repetitivo e às vezes até convincente demais lembra muito a personalidade da nova professora de Defesa Contra as Artes das Trevas: Dolores Umbridge. Este tema tem basicamente duas partes, e a orquestração varia a todo momento; o primeiro tema começa tocado pelos violinos acompanhado de glockenspiel, após temos um segundo tema tocado pelas trompas, que se repete nos violinos. Voltamos ao primeiro tema agora interpretado pelo oboé, seguido pela orquestra toda. O segundo tema agora é tocado por clarinete e glockenspiel, e na seqüência por toda orquestra com melodia nas cordas. Em seguida há um floreio feito pelas flautas, fazendo ponte novamente para o primeiro tema, agora tocado por toda orquestra e se encaminhando para o final, onde um clima mais sombrio criado pelo glockenspiel e cordas vai lentamente desaparecendo. Este tema estará presente também na faixa "Umbridge Spoils a Beautiful Morning" onde será tocado em Pizzicato pelas cordas, e ao fim por glockenspiel.

"Ministry of Magic" começa com um tema que me lembrou trilhas de desenhos animados como Dennis o Pimentinha e Inspetor Bugiganga, com um certo ar sapeca. Quem começa no comando é o fagote, acompanhado em seguida pelo resto das madeiras, ficando então a melodia no clarinete, e culmina com um motivo de glockenspiel e cordas. A segunda parte é mais alegre e tem um quê de Doyle, carregado nas cordas e com orquestração bem densa. Entra a trompa e o clima de magia e mistério volta, a partir daí a música se encaminha para um final gradativo e sombrio. "Room Of Requirements" é a música que serviu de trilha para o site do filme antes de sua estréia, e antes mesmo do lançamento da trilha. No instante que ouvi essa faixa sabia que já a conhecia. É também a mais longa do CD, tendo pouco mais de seis minutos de duração.

"Fireworks" tem um ar irlandês e alegre, usando e abusando das cordas e trazendo uma outra inovação na série, que é um solo de guitarra elétrica cheio de efeitos. "Dumbledore's Army" começa num ritmo de relaxamento que remonta à música celta, permanecendo neste clima até mais ou menos a metade da faixa, onde começa um tema aventuresco guiado pelas cordas e madeiras. "Flight of the Order of Phoenix" entra em ritmo de marcha dando uma plena idéia de exército mesmo, a atmosfera de aventura vem em seguida. Nessa faixa o predomínio além das cordas é dos metais e da percussão. "Loved Ones and Leaving", que encerra o CD, é dramática e triste, lembrando em alguns momentos algumas linhas de A Vila, de James Newton Howard, principalmente no final onde entra o solo de violino.

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