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Heartbeeps esteve durante anos envolto em mistério para muitos
admiradores de John
Williams. Um filme produzido pela Universal em 1981, mas que falhou
em atingir o sucesso esperado, marcou a única obra para cinema do
compositor pós-Star Wars a não receber uma edição discográfica. A
MCA chegou a preparar o LP, mas a má performance nas bilheteiras marcou
o destino deste trabalho. Torna-se obvio que Williams esperava essa
edição: há algumas faixas que surgem como arranjos de alguns dos temas,
notavelmente na faixa "Crimebuster" (faixa 8). Mas com o cancelamento do
LP, e o insucesso do filme, este trabalho foi votado ao esquecimento. Em
anos recentes, com a massificação dos gravadores de CDs surgiram nada
menos que três edições piratas deste score (e eu conheço mais
algumas edições particulares), a última datada de 2000. Nesse sentido a
música que ouvimos nesta primeira edição do renascido clube da Varèse
Sarabande não será uma grande novidade. Claro que o som atinge uma
qualidade superior às restantes edições, mas será que esta é uma obra
prima perdida de Williams? A resposta é um infeliz não!
Algumas faixas são bastante interessantes. O tema de Crimebuster é
reminescente da "Imperial March", composta um ano antes e antevê alguns
dos tons mais negros de Williams, em particular nos filmes de Oliver
Stone, quase uma década mais tarde. "Phil is Born" funciona bastante bem
como peça de música isolada - é um daqueles 'divertimentos' para
orquestra que Williams escreve tão bem. O tema principal, apresentado
logo no "Main Title" é simpático, e algo característico do trabalho de
Williams nos anos 70. A sua principal diferença está no uso de
sintetizadores. Há também música ambiental, etérea, ouvida por diversas
vezes, a primeira das quais em "Beautiful, Isn't It?", mas que após uma
audição se torna aborrecida. Aliás esse é um dos problemas deste
trabalho. Há material temático, mas pouca diversidade no seu tratamento.
O mais memorável tema, o já referido "Crimebuster", surge sempre em
arranjos idênticos... apenas se altera a sua duração. E o mesmo
aplica-se ao resto do material.
Este é um caso em que um álbum menor, apenas com seleções, seria uma
experiência musical muito mais interessante. Podemos imaginar que a
edição que Williams iria preparar para a MCA seria muito mais modesta em
termos de duração, e que iria organizar a apresentação das faixas
segundo uma lógica interna, aqui ausente já que são apresentadas
cronologicamente. Ouvir o álbum com atenção torna-se cansativo. Funciona
melhor apenas como música de fundo, já que não há grandes surpresas na
música. Ainda assim é interessante ouvir Williams a usar sintetizadores,
coisa rara na sua obra. Mas para a maioria este será um álbum
dispensável. Só será indispensável para o colecionador compulsivo de
raridades ou o seguidor incondicional do compositor. |