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No período
de 475 a 221 A.C. o território da China estava dividido em sete reinos.
Durante anos, estes lutaram ferozmente pela supremacia. O Reino de Qin
era o mais decidido, seu Rei estava obcecado em conquistar a todos e
tornar-se, deste modo, o primeiro Imperador de uma China unificada. Mas
para isso ele deveria eliminar três lendários assassinos contratados por
seus inimigos políticos para matá-lo - Espada Quebrada, Neve Que Voa e
Céu. O Rei prometeu grandes riquezas e poder a quem o livrasse de seus
três inimigos, e por dez anos ninguém conseguiu receber os prêmios, até
que o enigmático guerreiro Sem Nome chegou ao palácio carregando as
armas dos assassinos já derrotados. O Rei imediatamente quis ouvir sua
história. Sentado no palácio, o guerreiro Sem Nome contou sua façanha.
Contudo, o Rei não acreditou nele, já que tinha uma versão diferente dos
fatos.
Se este argumento nos lembra as andanças de Toshiro Mifune em
Rashomon (1950, Akira Kurosawa), é porque neste filme também são
utilizados os diferentes relatos de um mesmo acontecimento,
introduzindo-os de modo subjetivo para mostrar o que realmente
aconteceu. O Guerreiro e o Rei, portanto, estão no centro da intriga e
somente dez passos os separam. Nesta curta distância se encerra uma
tormentosa história de amor, honra e dever, que vai muito além dos
limites da história. Indicado ao Oscar e ao Globo de Ouro como Melhor
Filme Estrangeiro de 2003, este é o argumento que motivou o renomado
diretor Zhang Yimou a fazer Herói, seu primeiro Wuxia
(filme de artes marciais) - uma obrigação de todo diretor chinês -
oportunidade que o cineasta utiliza para meditar sobre a própria
essência do heroísmo. Para esta singular e arrebatadora aventura o
vencedor do Oscar 2000 pela música de O Tigre e o Dragão, Tan Dun,
utiliza sabiamente o conhecido violinista Itshak Pearlman (de destacada
colaboração junto a John
Williams em A Lista de Schindler, 1993) e lhe confia a
execução de uma melodia de tons ancestrais, que por sua vez constitui a
base do score.
Este tema reaparecerá freqüentemente no álbum como que indicando, por
vezes, o reinício da história, a partir das diversas versões que dela
vão sendo contadas. As diferentes interpretações do tema são
acompanhadas tanto por trepidantes percussões (gentileza de tambores
KODO japoneses) durante os duelos, como por percussão e coral nas cenas
de batalhas, realçando em ambos os casos a dramaticidade e a poesia que
a história requeria para ser contada. A canção dos créditos finais “Hero
(Theme Song)”, cantada por Faye Wong, não retoma - surpreendentemente -
a melodia original e se converte em um encerramento ao gosto dos
consumidores orientais. Por isto, e também graças a esta trilha sonora,
a incrível história deste herói pode ser apreciada em toda a sua
magnitude também pelo público ocidental, que poderá participar tanto do
deslumbramento por suas poderosas imagens, como da sutil poesia de sua
música. Parte do que de melhor este filme chinês e seu compositor podem
oferecer.
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