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O compositor
Jerry Goldsmith,
após alguns anos de trabalho intenso, resolveu descansar um pouco. Para
alguns críticos, sua grande produção anual (de 4 a 5 scores por
ano) estaria resultando em trilhas apenas medianas. Assim, O Homem
Sem Sombra, sua mais recente colaboração com o diretor Paul
Verhoeven (O Vingador do Futuro, Instinto Selvagem) e que chegou
praticamente um ano após o muito bom O 13º Guerreiro, estava
sendo aguardada com ansiedade. Após seu lançamento, contudo,
iniciaram as polêmicas, principalmente porque o score não seria a
obra-prima esperada. O fato é que Verhoeven, em seus filmes, tem
participação ativa no processo de criação das trilhas sonoras, de modo
que o compositor, certamente, produziu a música que foi desejada pelo
diretor.
A faixa título, "The Hollow Man", semelhante ao tema de Instinto
Selvagem, apresenta percussão discreta e efeitos eletrônicos, que
lhe conferem uma aura de mistério. A primeira metade do score é
dominada por esse clima misterioso, até que a trilha (como o filme) muda
de ritmo, e temos então músicas de ação no melhor estilo Goldsmith,
mediante a utilização de metais, trompas e acompanhamento em
sintetizador, como em O Vingador do Futuro. Indiscutivelmente,
Hollow Man peca por sua falta de originalidade e semelhanças com
trilhas anteriores do compositor, mas de um modo geral é um trabalho
superior, perfeitamente orquestrado por
Alexander Courage.
Não há como negar que a música funciona na tela do cinema. Além de
garantir um clima de suspense, impulsiona o filme nas seqüências de
ação, com destaque para a cena do elevador. O CD apresenta mais de 50
minutos de duração, bem acima da média de 30 minutos dos novos
lançamentos da gravadora, e excelente qualidade de gravação.
Para quem possui DVD player, a versão em DVD de Hollow Man
permite que ouçamos isoladamente à partitura, com comentários
(legendados em português) do próprio Goldsmith. Esta audição é
fundamental para a apreciação à altura da trilha, até porque há uns 30
minutos de músicas que não estão presentes no CD. Este, por sua vez,
apresenta algumas versões diferentes das que foram utilizadas no filme,
já que foram gravadas anteriormente a algumas mudanças feitas na sala de
edição, e por sugestão de Verhoeven. Entre as músicas, Goldsmith faz
seus comentários, algumas vezes bem-humorados - no início, chega a
utilizar um palavrão (não traduzido). Além da análise da música em si, o
compositor faz algumas considerações interessantes sobre manter o
processo criativo e artístico mesmo em produções consideradas comerciais
("dinheiro não é tudo!"), e encerra dizendo: "Aqui é Jerry Goldsmith. Eu
compus isso. Acredito que não vai haver uma seqüência, mas se houver,
espero que me chamem". |