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Os Fantasmas se Divertem, Batman e
Edward Mãos de Tesoura, entre outras trilhas,
Danny Elfman despontou em
meados dos anos 80 como um dos mais promissores novos talentos da música
de cinema. Mas em alguns trabalhos recentes e importantes, o ex-líder do
grupo de rock Oingo Boingo tem deixado muito a desejar. É o
caso de Planeta dos Macacos, Homem-Aranha
e, agora, Hulk, malsucedida transposição para o cinema
do personagem dos quadrinhos criado em 1962 por Stan Lee e Jack Kirby e
que já havia rendido, no final dos anos 70, uma popular série de
televisão com Bill Bixby e o musculoso Lou Ferrigno.
O melancólico tema de Joe Harnell também era uma das atrações do
programa. Elfman não foi a primeira escolha para musicar o filme,
dirigido por Ang Lee (Razão e Sensibilidade, O
Tigre e o Dragão) e com elenco encabeçado por Eric Bana, que no
papel do cientista atormentado Bruce Banner é menos expressivo do que o
seu alterego digital, a monstruosa criatura verde na qual se transforma
quando fica irritado.
John Williams chegou a ser
anunciado como compositor do projeto, mas a função ficou a cargo de
Mychael Danna (Tempestade de Gelo, de
Lee, O Doce Amanhã), que acabou sendo substituído por
Elfman, acostumado ao universo dos quadrinhos depois de Batman,
Dick Tracy, Darkman, a série de TV
The Flash e Homem-Aranha.
Infelizmente, seguindo uma tendência cada vez mais forte das trilhas
atuais, ele sacrifica a musicalidade por uma pseudofuncionalidade. Seu
tema principal para Hulk, uma seqüência de seis notas em descenso,
acrescenta muito pouco ao drama de Bruce Banner, assim como os inúmeros
efeitos percussivos e as já esperadas referências a
Bernard Herrmann, sua mais
óbvia influência. Também falta inspiração nos trechos sentimentais, e as
intervenções vocais de Natacha Atlas são de flagrante inconveniência.
É uma coincidência que Hulk trate, entre outras coisas,
de lembranças reprimidas, pois parece que Elfman está esquecendo de como
se faz uma boa trilha sonora. E o que dizer do rock "Set Me
Free" (de Scott Weiland, Slash, Duff McKagan, Matt Sorum e Dave Kushner)
que acompanha os créditos finais? Existe caso mais óbvio de interesse
comercial prevalecendo sobre adequação dramática?
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