THE INCREDIBLE HULK
Música composta por Craig Armstrong

Selo: A&M
Catálogo: 06949 3304-2
Lançamento: 2002
Faixas

Disco 1

1. The Arctic

2. Main Title

3. Rocinha Favela

4. A Drop of Blood

5. The Flower

6. Ross' Team

7. Mr. Blue

8. Favela Escape

9. It Was Banner

10. That Is The Target

11. Bruce Goes Home  (Contains 'The Lonely Man Theme' - Written by Joe Harnell)

12. Ross And Blonsky

13. Return To Culver University

14. The Lab

15. Reunion

16. The Data/The Vial

17. They're Here

18.  Give Him Everything You've Got

19. Bruce Can't Stay

20. First Injection

21. Is it Safe?

22. Hulk Theme


Disco 2

1. Saved From The Flames

2. Grotto

3. Arrival At The Motel

4. I Can't

5. Abomination Alley

6. Bruce Found

7. Bruce Looks For The Data

8. NYC Cab Ride

9. The Mirror

10. Sterns' Lab

11. Bruce Darted

12. I Want It, I Need It

13. Blonsky Transforms

14. Bruce Must Do It

15. Harlem Brawl

16. Are They Dead?

17. Hulk Smash

18. Hulk And Betty

19. A Tear

20. Who's We?

21. The Necklace

22. Bruce And Betty

23. Hulk Theme

Duração: 111:13
Cotação:


Comentário de
Renan Fersy

 

Novo filme, nova direção, novo elenco e novo compositor. Temos um Hulk de cara nova, e tema novo também. Aliás, acho até curioso que mesmo a Marvel possuindo um universo de personagens tão grande, muitos deles sequer foram cogitados até hoje para virar filme. O monstrengo verde, no entanto, parece ser preferência dos produtores. O currículo de Bruce Banner já inclui não apenas dois filmes, mas também a popular série televisiva que, após se encerrar nos anos 1980, ainda gerou alguns telefilmes.

A primeira investida cinematográfica havia sido de Ang Lee, em 2003, e foi um tremendo fracasso. O filme, além de contar a história de uma maneira cansativa, tem ainda um elenco fraco, e efeitos especiais que não convencem nem um pouco. O personagem computadorizado (CGI) de Hulk tem uma textura de vídeo-game. Parece que você está jogando Playstation e não assisitindo a uma produção Hollywoodiana. Um dos poucos pontos positivos da produção é a trilha de Danny Elfman, que subiu a bordo com o trem já andando, pois Michael Danna era o compositor original. Elfman compôs uma trilha orquestral marcante, com um tema bem interessante. Não foi nenhuma obra-prima, mas com certeza era uma trilha que dificilmente seria batida futuramente por outro compositor, caso houvesse outro filme do monstro verde. Tive a sensação de que nada que eu pudesse vir a escutar futuramente, para um filme do Hulk, chegaria ao patamar desta trilha. Mas para minha surpresa, Craig Armstrong conseguiu apresentar uma partitura tão interessante que bate de frente em certos momentos com a trilha de Elfman.

Quando anunciaram Armstrong como compositor fiquei feliz por um lado, e preocupado por outro. Feliz pelo fato de a produção ter apostado em um compositor não muito conhecido porém talentoso, ao invés de ter apelado chamando algum dos pupilos de Hans Zimmer da Media Ventures (atual Remote Control), como John Powell, Steve Jablosnky ou até mesmo Ramin Djawadi. Parece até que virou moda ter alguém da Media Ventures como compositor. A fórmula deles é sempre a mesma: trilhas extremamente percussivas com cordas pesadas, trompas fortes, sempre com temas dramáticos. Não sei se foi coincidência, mas Craig usou uma fórmula parecida. O score é todo calcado em cordas, porém é na forma como as cordas são usadas e na construção dos padrões melódicos e harmonias que está a diferença em relação às trilhas do pessoal do Zimmer.

Outro aspecto extremamente positivo é que a trilha foi lançada em CD Duplo, contendo quase duas horas de música. Um feito um tanto raro nos dias de hoje, quando temos trilhas sendo lançadas com menos de 40 minutos de duração total. O clima sombrio predomina na trilha, com quase todas faixas baseadas em acordes menores. Como são 55 faixas ao todo, escolhi algumas para analisar separadamente.

“The Arctic” abre o disco, com a música para uma cena que foi cortada. E aliás, cenas cortadas é que o mais teve nesse filme, ao total foram 70 minutos, que segundo o diretor estarão como extras no DVD. Nessa tomada de abertura Bruce Banner estaria indo para o Ártico (Pólo Norte) para se suicidar, e em algum momento dessa cena haveria a tão falada aparição do Capitão América. A faixa que Craig compôs é o exatamente o tipo de abertura que eu gosto, começa calma e sombria e vai crescendo para um misto de drama e ação. Quando o filme começa, as luzes do cinema recém apagaram, então é como se você estivesse iniciando a sua jornada pela escuridão, pelo desconhecido. Uma faixa como “The Arctic” vai lhe conduzindo de forma sombria e delicada, e crescendo para um momento apoteótico. Harpa e cordas abrem a faixa, em seguida piano toca algumas linhas complementares ao resto da textura que já se criou, esse é um motivo que aparece bastante na trilha, em Rocinha Favela” aparece com um pouco de variação, na segunda metade de “Drop of Blood” aparece mais cantabile, com cordas tocando a melodia de forma mais completa. “Ross Team” inicia dramática, mas em seguida apresenta a mesma seqüência de acordes, em uma espécie de descontrução do motivo. “Stern’s Lab” e “The Mirror” são basicamente construídas em cima desse motivo também, com variações. “Arrival at The Motel” tem uma versão bem modificada. Voltando a “The Arctic” após o momento inicial, a entrada de trompas inicia um clima mais dramático, com cordas densas. O drama é brevemente quebrado por uma passagem de violinos tocando rápidos arpeggios que me parecem um resquício de Elfman, em seguida o drama se instala novamente, sempre com muito contraponto gerando uma textura densa e polifônica. Ao final da faixa temos linhas do ritmo do novo tema do Hulk.

“Main Title” parece música de trailer. Existem compositores que trabalham só com música de trailer, e a abordagem é sempre a mesma: percussões fortes, cordas e metais bem tensos, sempre de forma eloqüente e dramática. O andamento acelerado deixa o espectador de cabelos em pé. Essa é a função da música de trailer, e a trilha de O Incrível Hulk tem muito disso. Inúmeras faixas parecem que foram compostas para trailers, e esta é uma delas. Tendências da estética musical Media Ventures, de Zimmer, estão presentes fortemente aqui.

“The Flower” é bem Zimmer também, soa como um prolongamento da faixa “Main Title”. Em geral, muitas faixas soam como extensão de outras nesta partitura de Craig Armstrong, o que se confere à trilha um sentimento de unidade global, ao mesmo tempo acaba gerando também um caráter repetitivo. Essa música inicia com um ostinato (padrão repetido) nos violinos e violas, enquanto o baixo vai se movimentando e gerando tensão. Em seguida linhas que podem ser ouvidas de forma mais eloqüente e tercinada ao final da faixa “Main Title” aparecem aqui desta vez em stacatto e de maneira mais agressiva. Há algo de familiar no ostinato do inicio da faixa com o tema de X-Men 2 de John Ottman.

“Mr Blue” tem uma sonoridade mais urbana. Um looping de baixo eletrônico cheio de efeitos sustenta, enquanto cordas vão adicionando um clima melancolico que tornaria a faixa triste, só que em contrapartida temos o looping de baixo que é moderno e alegre, e dessa forma cria um equilibro causando uma instabilidade no sentimento passado. Bruce Looks for Data” tem o mesmo looping de baixo, sendo praticamente uma versão extendida de “Mr. Blue”.

Bruce Goes Home” é a faixa que possui a tão comentada aparição do tema original de Hulk, composto por Joe Harnell para a série de TV. O tema, que é conhecido como “The Lonely Man”, é aqui interpretado de forma fiel ao original apesar de ser muito breve. Em seguida Armstrong pega as rédeas novamente, e nos leva de volta ao seu mundo musical de Hulk, dramático e percussivo, que vai crescendo até o clímax final, onde acaba de forma súbita.

I Can’t” é claramente inspirada no tema de Joe Harnell - a fórmula é a mesma, um piano suave e melancólico. Violinos entram em seguida como acompanhamento. Baixo, cello e trompa aparecem em seguida para completar a textura. Um crescendo abrupto de cordas e então alguns segundos de silêncio, e calmamente as cordas irão aparecer novamente para direcionar ao fim da faixa. O mesmo tema está presente na faixa “Bruce Can’t Stay”. É como se Armstrong tivesse criado seu próprio “Lonely Man Theme”.

Who’s We” é a faixa para a polêmica aparição de Tony Stark (Robert Downey Jr.), deixando mais um indício sobre a provável produção do filme The Avengers (Os Vingadores) que reunirá Capitão América, Hulk, Homem-de-Ferro, Thor e Homem-Formiga em um único filme. “Hulk Theme” aparece em duas versões, cada uma como última faixa de um dos CDs. Em suma as duas são a mesma música, apresentada de forma um pouco diferente. A primeira versão é mais orquestral, a segunda tem mais elementos eletrônicos e uma batida meio hip-hop. A melodia principal é extremamente marcante. Forte e agressiva, é tocada por baixos e cellos, que representam bem a imponência de Hulk, o monstro verde com força sobre-humana. Há um momento mais denso com cordas, criando tensão e drama, provavelmente na tentativa de mostrar uma profundidade do personagem.

The Incredible Hulk é uma trilha que tem seus pontos altos e fracos. Apesar de ter sido composta dentro de uma estética bem Zimmeriana, Craig Armstrong consegue ir um pouco além desse conceito, e esse é o diferencial. Dá para perceber claramente que quase toda a trilha foi concebida digitalmente, através de sampleamento” (com sons orquestrais gerados virtualmente), mas acho que foi muito bem feito, já que o resultado final soa realístico, com apenas alguns momentos que escancaram se tratar de samplers. Não posso afirmar, no entanto, que 100% tenha sido feita com samplers, acredito que alguns intrumentos tenham sido gravados. É uma trilha que você deixa tocando e ela vai se desenvolvendo de forma fluente, quando você percebeu pronto, já ouviu toda. Assim como Speed Racer e outras trilhas recentes, ela tem seus momentos dejá-vu, você ouve faixas tão parecidas que acha já ter ouvido aquilo antes. Aqui, entretanto, também há outro diferencial. Em Speed Racer havia uma repetição descontinuada e sem sentido, já aqui percebemos uma idéia complementar entre as faixas. É claro que, mesmo você apreciando o fato de um tema ser apresentado e na próxima faixa ser melhor desenvolvido, isso não impede a trilha de ser tornar cansativa em vários momentos. O grande mérito é que, apesar de tudo, a trilha serve bem ao filme, e ainda é interessante para audição separada.

CDs COMENTADOS