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James Newton
Howard
é um compositor bem complicado de se classificar, pois ele
já fez trilhas simplesmentes geniais, em suma obras primas
- mas também já fez algumas boas porcarias. Eu nunca sei
exatamente o que esperar quando fico sabendo que JNH está
compondo para algum filme. Minha surpresa foi grande neste
filme. Eu esperava algo mais na linha de
Sinais,
e o que ouvi foi um score dramático e lindo que se
encaixou mais que perfeitamente no filme.
Eu Sou a Lenda é um filme que tem várias mensagens
embutidas. Não é apenas mais um filme de zumbis, repleto de
matanças, metralhadoras e tudo mais. Ele tem toda uma
ideologia por trás. A questão da solidão, da esperança e até
mesmo do altruísmo. Assim como o filme tem poucos elementos
- apenas um protagonista, as criaturas e a cidade vazia -, a
trilha também. Para quem gosta daquele JHN de A Dama na
Água, cheio de temas, talvez se decepcione pois
aqui um único tema principal rege toda a trilha. Um tema bem
emocionante, que é apresentado de diferentes maneiras
durante a partitura. Ora apenas no piano de forma suave e
delicada, ora nas cordas e coral e momentos com toda
orquestra.
Resumidamente, a trilha tende muito mais ao drama do que a
qualquer outra coisa. Não que isso seja uma coisa ruim,
aliás, JNH não podia ter feito escolha melhor, já que o
clima do filme é consistente e profundo. Um filme que nos
leva à reflexão, nos faz questionar sobre nossa própria
existência, mas de uma maneira natural, sem forçar demais e
sem ficar meloso em excesso. Tudo bem dosado: drama,
suspense e algumas doses de sangue espirrando.
Assim como a trama é completa, a trilha igulmente o é,
possuindo alguns momentos mais agitados como “The Jagged
Edge” e “Darkseeker Dogs”, e outros bem mais calmos como
“I’m Listening”. “The Píer” é a faixa mais longa do score,
e tem em sua primeira metade momentos bem apoteóticos; já na
segunda parte da faixa a escuridão começa a predominar aos
poucos, e vai tomando conta até se estabelecer totalmente e,
com um crescendo de metais, atingir o ápice. Daí até o final
da música um coral feminino canta um motivo simples mas
sinistro, com harmonia composta de acordes menores, até o
final. “Epilogue” começa com um solo de fagote -
instrumentação bem estilo John Williams até um minuto mais
ou menos, depois começa a ser desenvolvido o tema principal,
com pequenas variações motívicas e orquestrais, até o fim da
faixa.
I Am Legend é uma trilha que, apesar de curta
e razoavelmente simples, me marcou bastante e com certeza
fará parte da minha coleção pessoal de trilhas sonoras. |