THE INCREDIBLES
Música composta por Michael Giacchino, regida e orquestrada por Tim Simonec


Selo:
Disney
Catálogo:
6110-7
Ano: 2004

Faixas:
1. The Glory Days
2. Mr. Huph Will See You Now
3. Adventure Calling 
4. Bob vs. The Omnidroid
5. Lava in the Afternoon 
6. Life's Incredible Again 
7. Off to Work 
8. New and Improved
9. Kronos Unveiled 
10. Marital Rescue 
11. Missile Lock 
12. Lithe or Death 
13. 100 Mile Dash 
14. Whole Family of Supers 
15. Escaping Nomanisan 
16. Road Trip! 
17. Saving Metroville 
18. New Babysitter 
19. Incredits

Duração: 55:12
Cotação:


Comentário de
J
orge Saldanha

 

Após Homem-Aranha 2 e Hellboy, poucos poderiam imaginar que o melhor filme de super-heróis de 2004 ainda estava por chegar. E que, ainda por cima, seria uma animação da Pixar! Pois bem, Os Incríveis, apesar de não ser baseado em nenhum super-herói dos quadrinhos, é uma bela homenagem a todos eles, e de fato é o melhor filme do gênero dos últimos tempos. E que, adicionalmente, conta com um dos melhores scores do ano, já indicado ao Globo de Ouro e que provavelmente também será indicado ao Oscar. Nada mal para o jovem Michael Giacchino em sua estréia no cinema, cujos créditos anteriores resumiam-se aos games da série Medal of Honor e à série de TV Alias (cujo primeiro volume da trilha sonora também está comentado no ScoreTrack).

Aqueles que possuem boa memória devem lembrar que, quando o primeiro teaser de The Incredibles foi exibido, ainda em 2003, ele apresentava o tema de John Barry para 007 a Serviço Secreto de sua Majestade. Isso porque, à época, Barry estava contratado para compor a trilha original da animação, na qual o compositor certamente iria revisitar o estilo por ele consagrado nos filmes de James Bond. Todos aqueles que assistiram ao filme sabem que esta seria a abordagem lógica, uma vez que em vários momentos, além de homenagear o universo dos gibis, Os Incríveis também tira seu chapéu para os filmes do famoso agente secreto britânico. Infelizmente Barry abandonou o projeto, e o diretor Brad Bird teve a espinhosa tarefa de encontrar um substituto à altura, que pudesse fornecer uma partitura tão boa quanto à que o veterano compositor provavelmente criaria. Bird, que pelo jeito já havia assistido à série Alias e percebera os elementos "bondianos" de sua trilha sonora, num lance ousado decidiu contratar o novato Giacchino. E o jovem compositor correspondeu às expectativas, criando uma trilha sonora que, ao contrário de outras que anteriormente buscaram inspiração na música dos anos 60, não soa como um mero pastiche.

Como o filme possui o tom nostálgico já referido, Giacchino decidiu trilhar o caminho que Barry certamente seguiria - e então, ao contrário dos grandes scores orquestrais à la Superman, Batman ou Homem-Aranha, o compositor criou uma partitura que pode ser considerada uma mistura das trilhas de James Bond com a da antiga série de TV Batman, ou seja, com orquestra mas principalmente voltada ao jazz. Com o estilo de Barry predominando, o ouvinte também perceberá influências de outros mestres do período, como Henry Mancini e Lalo Schifrin. E, ao contrário do que se poderia imaginar, o manancial de referências é cimentado pelo estilo próprio de Giacchino, que está tão seguro de si que não hesita, em determinados trechos, em reproduzir acordes ou orquestrações de temas conhecidos de Barry. "The Glory Days", que abre o álbum, inicia com um tema que é uma variação do de On Her Majesty's Secret Service, mas logo Giacchino passa a desenvolvê-lo progressivamente, de forma que, ao final do álbum, o tema possui uma identidade própria e dificilmente pode ser identificado com o de Barry. Apesar de haver outros motivos espalhados pelo score, é em torno dele que a música orbita, fazendo-se presente tanto nas faixas estilo big band como em momentos mais românticos e introspectivos ("New Babysitter", "Adventure Calling").

Além de mostrar-se hábil em lidar com esse material temático, Giacchino comprova ser um grande autor de música de ação, em faixas como "Bob vs. the Omnidroid" e "Saving Metroville". É necessário dar o devido crédito às detalhadas orquestrações de Tim Simonec (que também é o regente) e sua equipe, que deram à partitura um nível de detalhe surpreendente - cada instrumento recebe suas próprias linhas e ganha destaque, mesmo em uma agitada faixa como "100 Mile Dash". A isso tudo, acrescente pitadas de música "Mickey-Mousing" dignas de Carl Stalling, as peças de jazz que Mancini ou Schifrin teriam orgulho de ter composto ("Life's Incredible Again", "Off to Work"), músicas de suspense elaboradas, como "Kronos Unveiled", e temos um trabalho que pode ser considerado vitorioso sob qualquer aspecto que analisarmos. Certo, em alguns momentos o uso ostensivo do material de Barry, como os temas "Space March" (de You Only Live Twice, em "Kronos Unveiled") e "Dawn Raid on Fort Knox" (de Goldfinger, em "Marital Rescue") , reforçam a minha opinião de que já não se faz mais música de cinema como antigamente (assunto que será objeto de um próximo artigo do site). Mesmo assim, isto não consegue tirar a força da trilha sonora de Os Incríveis, uma das melhores de 2004.

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