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Uma trilha
sonora considerada rara e muito cara, que agora pode estar nas mão dos
colecionadores da música de John Williams e dos apreciadores da boa
música. O relançamento da Silva Records inglesa não trouxe muitas
novidades, nem faixa adicional, nem música alternativa, apenas a nova
capa e o livreto com 8 páginas com breves descrições de cada faixa e as
notas do LP lançado em 1971, ano em que o filme foi realizado. Sempre
considerei a trilha sonora que Williams fez para este telefilme o “lado
oculto” mais belo do compositor. Tanto o filme como a música são pouco
conhecidos do público, mas de tirar o chapéu. Das cinco versões feitas
para o Best Seller americano homônimo de Charlotte Bronte, esta é uma
das mais bem feitas, apesar de ter sido produzida para a TV. A música é,
declaradamente, uma das preferidas do compositor, juntamente com
Contatos Imediatos do Terceiro Grau. Escrita em um idioma musical
pastoral inglês como tanto gosta Williams, talvez por isso ele tenha
conseguido tirar de si, neste trabalho, o seu lado mais “lírico,
dramático, brilhante e expressivo” (como dizem as primeiras palavras do
comentário do livreto).
Apesar de toda a trilha sonora ser, no mínimo agradável de se ouvir,
destacaria sete das onze faixas para um breve comentário: As faixas 1 e
2, “Jane Eyre Theme” e “Overture (Main Title)” apresentam os temas
principais em piano, flauta, violinos, harpa e até um cravo que aparece
sutilmente no início para fazer o contraponto com o piano. Fica
evidente, logo nestas duas faixas, a feliz decisão de não utilizar
metais. Na faixa 4, “To Thornfield” Williams mostra sua face mais
conhecida, no estilo que o consagrou: altivo e poderoso, influência
marcial do tempo em que serviu ao exército como condutor de banda
marcial. Porém, em “To Thornfield” a ausência de metais mantém a
suavidade necessária à unidade musical da trilha sonora. Em “String
Quartet” (faixa 5) ele surpreende até mesmo os fãs mais conhecedores de
sua obra, compondo uma música barroca digna de Bach. Na faixa 7,
Williams volta a surpreender apresentando o tema de amor do filme em
violão, flauta e breves incursões de uma afinada viola do meio para o
fim da faixa. Se tudo já era muito suave, no tema romântico seria
necessário algo ainda mais suave. E é o que consegue com a escolha
desses timbres para o já melodioso e inspirado tema de Jane Eyre.
As duas últimas faixas, “Restoration” e “Reunion” desfecham divinamente
esta obra prima da TV, com um tema que aparece pela primeira vez, como
se fossem reservados para o “Grand Finale”. Na faixa 10 (“Restoration”)
estacato de violinos, e o aparecimento de um oboé para dar um certo
contraste, introduzem o tema novo e o clarinete desenvolve-o, tendo o
oboé como harmonia, até chegar a toda a orquestra de cordas, que
engrandece o tema, preparando-o para o final reservado à última faixa.
Na faixa de encerramento (“Reunion”) John Williams volta ao tema da
faixa anterior através de uma flauta tocada com o coração e a arte do
grande compositor da atualidade. Acompanhando a flauta desde o início
está cravo e depois a harpa que mantém a suavidade mesmo crescendo com
toda a orquestra e retornando ao já quase esquecido tema principal que
encerra com chave de ouro esta bela e erudita obra musical. Vale a pena
ter logo este CD na coleção, antes que se torne raro novamente. |