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Trata-se de
um relançamento expandido da trilha sonora original de Tubarão em
comemoração dos 25 anos deste filme, e que acompanhou o oportuno
lançamento em DVD (também comentado neste site). Como sempre, é
uma forma das gravadoras ganharem mais dinheiro com um grande trabalho
de composição musical que, contudo, nos consola pela qualidade visual e
sonora que apresenta. Como foi feito com outros trabalhos de John
Williams (Caçadores da Arca Perdida, Contatos Imediatos do Terceiro
Grau, E.T., O Extra-terrestre e Superman, O Filme), a Decca
resolveu publicar as composições usadas no próprio filme neste
relançamento, uma vez que o álbum original (LP/CD) apresentava
regravações feitas por
John Williams especialmente para o LP. Este é um trabalho do
compositor que o tornou conhecido definitivamente, e que lhe deu o
grande reconhecimento pelo seu trabalho como compositor de trilhas
sonoras para o cinema, pois seu primeiro Oscar foi para a adaptação de
um musical: Um Violinista no Telhado, que apesar de muito merecer
o prêmio, não se tratava de uma composição sua. Veio, então, o seu
segundo Oscar com Tubarão, e o reconhecimento por criar um tema
tão simples, com apenas duas notas de base, que acabou entrando para o
imaginário coletivo, não apenas cinematográfico, associado à aproximação
gradativa de um ameaçador Tubarão Branco. Conta-se que, quando Williams
mostrou pela primeira vez o tema a Steven Spielberg, tocando seu piano
com apenas dois dedos, Spielberg sorriu achando que era brincadeira e
depois, ao perceber que não era, afirmou categoricamente que aquela
música não funcionaria. Ao que Williams respondeu que com a orquestra
funcionaria, e preconizou que, além disso, aquela música ficaria, na
mente das pessoas, associada ao tubarão, e quando ela crescesse teriam
reforçada a sensação de que o tubarão estaria se aproximando. Melhor do
que isto só se ele dissesse que iria ganhar seu segundo Oscar com esta
música! Para os que possuem o CD anterior, (o que não é difícil, uma vez
que ainda se encontra em catálogo até hoje), é bom saber que este
lançamento tem um total de 20 minutos de material musical novo entre
temas inteiros nunca antes lançados (12 faixas completamente inéditas) e
trechos não incluídos no CD anterior ou não usados no filme, que se
inserem em temas já conhecidos. Cabe informar, ainda, que alguns temas
também estão com seu tempo reduzido por ter sido executado assim no
original usado no filme (como é o caso da faixa 7, “Montage” que
corresponde à velha “Promenade” e que se vê 1 minuto reduzida na versão
deste CD, pois segue o tempo que teve no filme). Este lançamento
apresenta uma capa de luxo similar à de Contatos Imediatos do
Terceiro Grau, lançado pela Arista em 98, e um livreto com 20
páginas e duas fotos inéditas de John Williams regendo a a música de
Jaws. Os destaques entre o material novo, eu diria, que vão para as
faixas nº 5 (“Shark Attack” um dos momentos musicais mais pesados do
filme, provavelmente evitado anteriormente, por não ter sido considerado
muito comercial há 25 anos atrás); nº 8 (“Father and Son”, tema que
contém uma perfeita combinação de harpa, contra-baixo e piano com
valores atonais, bem contemporâneos e funcionais para o filme); nº 17 (”Between
Attacks” que apresenta um inédito e breve solo de flauta tocada na
extensão mais baixa de sua partitura e, ainda, densificada pelo contínuo
toque dos violinos ao fundo); e, finalmente, nº 20 (“End Titles” que
apesar de não ser inédita, considero o grande momento de gênio do filme,
ao apresentar o mesmo tema ameaçador em uma forma mais suave, a fim de
permitir aos espectadores um alívio final, embalado pela surpreendente
melodia que não se percebia ter o tema principal, até então - técnica,
aliás muito comum na psicologia musical de Williams, que já havia feito
isto em todos os seus filmes-catástrofes, e posteriormente em The
Fury, de Brian DePalma). Marcos Queiroz
Juntamente
com o lançamento de Tubarão em DVD, chega esta nova edição da
trilha que ajudou a tornar John Williams o maior compositor de cinema
dos anos 70, e um dos grandes de todos os tempos. No score
destaca-se a efetiva combinação de duas idéias deliberadamente opostas:
um tema que inicia lento e ameaçador para representar os ataques do
grande tubarão branco, e música de aventura, quase que nos moldes de
clássicas trilhas de capa-e-espada, emoldurando os esforços dos três
personagens principais para capturar o animal. É interessante notar que
o tubarão somente é visto por inteiro pela platéia no terço final do
filme: em quase todas as ocasiões anteriores, sua presença é substituída
em força, dimensão e ferocidade pelo efetivo “leitmotiv” de Williams.
Enquanto os compositores de hoje inundam os filmes com música
praticamente ininterrupta, em Tubarão Williams nos mostra quão
efetiva pode ser uma trilha, paradoxalmente até mesmo pela sua ausência.
Na seqüência da praia lotada de turistas, no feriado, todos os truques
que Spielberg utiliza para anunciar o tubarão (movimentos de câmera,
etc.) estão presentes, menos a música. Realmente a cena termina em um
alarme falso, com duas crianças brincando com uma barbatana falsa. Mas
algum tempo depois ouvimos o tema sinistro, e agora sabemos que a ameaça
é real graças ao reaparecimento da música. O trabalho de Williams
revela-se admirável neste e em outros momentos, onde são encontrados os
princípios da verdadeira música de cinema, estabelecidos por antigos
mestres como Max
Steiner e Bernard
Hermann (e até mesmo antes do cinema por Wagner, no “Anel de
Nibelungos”). A trilha acabou levando o Oscar, e o LP da MCA ganhou um
Grammy em 1975, tornando-se uma das soundtracks mais vendidas de todos
os tempos. Tanto o LP original como a sua primeira edição em CD contém
regravações da música utilizada no filme, procedimento que o compositor
ainda hoje ocasionalmente utiliza. Assim, Williams expandiu e
desenvolveu com elegância o material do filme, em faixas (suites) mais
adequadas para a audição em separado das imagens. As diferenças entre a
gravação original, agora disponível, e a regravação do antigo LP, são
bem evidentes no novo CD, que inclui faixas inéditas, até mesmo algumas
que não foram utilizadas. Apesar do novo álbum ser uma experiência mais
fílmica, longa e narrativa que o LP, a exemplo dos relançamentos de
Contatos Imediatos do Terceiro Grau e ET, não vemos razão
para descartar o CD original de 1990, que também é ótimo. Porém, se você
não o possui, este lançamento é altamente recomendado por ser a
representação definitiva da música de Tubarão. Jorge
Saldanha
Realmente o
score de John Williams foi responsável pela metade do sucesso de
Jaws, como disse o próprio Steven Spielberg. Penso que um dos
motivos do sucesso de John Williams com o público não apreciador de
scores se deve ao fato de que ele é generoso com a percussão, neste
aspecto sua música se aproxima do estilo pop, no caso de Jaws
isso é evidente. Para os padrões da época o filme pode até ter causado
certo pavor entre os espectadores, mas trata-se de um filmeco onde
colocaram um tubarão como assassino e como se ele agisse de forma
premeditada, o que é e foi um erro, afinal tubarões não são dissimulados
como nós humanos - mas em Hollywood até inocentes tomates tornam-se
assassinos. O tema principal foi desenvolvido de uma forma que, se
fossem três ou mais tubarões, o tema não seria tão eficiente como é com
um tubarão só, porque foi criado um ambiente solitário. A percussão nos
alerta da proximidade do temido animal, foi um recurso bastante
utilizado durante todo score e provavelmente foi este o motivo de
John Williams ter gravado com uma pequena formação orquestral. Como na
época os recursos digitais praticamente inexistiam, caso fossem expor o
robô Bruce várias vezes o tubarão ficaria mais falso ainda, e o score
se encarregou de deixar o filme mais tenso do que o próprio tubarão.
Certamente é uma das partituras mais cansativas de John Williams para se
ouvir do principio ao fim, porque a todo momento o tema principal é
executado, quase todas as faixas tem no seu começo o "doom, doom, doom,
doom". Mas como todo bom score,
ele nos transmite todas as emoções propostas pelo filme - tensão, medo,
alívio. Destacam-se "The Pier Incident", "Shark Attack" e "Montage",
que no contexto do filme chega a ser irônica, já que evoca o clima suave
da música clássica mas mesmo assim numa passagem o contra-ponto é "doom,
doom, doom"... também se destacam "The Great Shark Chase", "Blown To
Bits" e o encerramento magistral dos "End Titles", este tema se
assemelha com uma canção de ninar, pela suavidade. O áudio é excelente,
e ao contrário do que estamos acostumados nos CDs de scores de
John Williams, a maioria das faixas são de curta duração, quanto a este
quesito a Decca deixou a desejar já que deveria ter feito como em
Superman The Movie (expanded), onde a Rhino, além das film
versions, incluiu todas as concert versions. Logicamente não
haveria necessidade de um CD duplo, mas deveriam ter completado o tempo
que sobrou para se chegar próximo dos 80' de score. O estojo
digipack (na edição dos EUA) foi uma péssima escolha, a capa é muito
frágil, com atrito constante com o porta CDs, por exemplo, ela perde
parte da impressão. Poderiam ter incluído a capa da frente e a de trás
com picote em papel couché, como opção de colocá-lo no estojo de
acrílico. Afinal, infelizmente dinheiro não cai como a chuva, para
comprarmos um CD cuja capa dure pouco tempo. A Decca precisa aprender
com a Rhino como produzir um CD completo. Notem a coincidência com o
nome de John WillAmS e o do filme em
inglês... Ricardo Augusto de Souza da Silva |