JAWS ANNIVERSARY COLLECTOR´S EDITION
Música Composta e Regida por John Williams

Selo:
Decca Records
Catálogo:
289 467 045-2
Ano: 2000

20 Faixas

Duração: 51:20
Cotação:

 

Trata-se de um relançamento expandido da trilha sonora original de Tubarão em comemoração dos 25 anos deste filme, e que acompanhou o oportuno lançamento em DVD (também comentado neste site). Como sempre, é uma forma das gravadoras ganharem mais dinheiro com um grande trabalho de composição musical que, contudo, nos consola pela qualidade visual e sonora que apresenta. Como foi feito com outros trabalhos de John Williams (Caçadores da Arca Perdida, Contatos Imediatos do Terceiro Grau, E.T., O Extra-terrestre e Superman, O Filme), a Decca resolveu publicar as composições usadas no próprio filme neste relançamento, uma vez que o álbum original (LP/CD) apresentava regravações feitas por John Williams especialmente para o LP. Este é um trabalho do compositor que o tornou conhecido definitivamente, e que lhe deu o grande reconhecimento pelo seu trabalho como compositor de trilhas sonoras para o cinema, pois seu primeiro Oscar foi para a adaptação de um musical: Um Violinista no Telhado, que apesar de muito merecer o prêmio, não se tratava de uma composição sua. Veio, então, o seu segundo Oscar com Tubarão, e o reconhecimento por criar um tema tão simples, com apenas duas notas de base, que acabou entrando para o imaginário coletivo, não apenas cinematográfico, associado à aproximação gradativa de um ameaçador Tubarão Branco. Conta-se que, quando Williams mostrou pela primeira vez o tema a Steven Spielberg, tocando seu piano com apenas dois dedos, Spielberg sorriu achando que era brincadeira e depois, ao perceber que não era, afirmou categoricamente que aquela música não funcionaria. Ao que Williams respondeu que com a orquestra funcionaria, e preconizou que, além disso, aquela música ficaria, na mente das pessoas, associada ao tubarão, e quando ela crescesse teriam reforçada a sensação de que o tubarão estaria se aproximando. Melhor do que isto só se ele dissesse que iria ganhar seu segundo Oscar com esta música! Para os que possuem o CD anterior, (o que não é difícil, uma vez que ainda se encontra em catálogo até hoje), é bom saber que este lançamento tem um total de 20 minutos de material musical novo entre temas inteiros nunca antes lançados (12 faixas completamente inéditas) e trechos não incluídos no CD anterior ou não usados no filme, que se inserem em temas já conhecidos. Cabe informar, ainda, que alguns temas também estão com seu tempo reduzido por ter sido executado assim no original usado no filme (como é o caso da faixa 7, “Montage” que corresponde à velha “Promenade” e que se vê 1 minuto reduzida na versão deste CD, pois segue o tempo que teve no filme). Este lançamento apresenta uma capa de luxo similar à de Contatos Imediatos do Terceiro Grau, lançado pela Arista em 98, e um livreto com 20 páginas e duas fotos inéditas de John Williams regendo a a música de Jaws. Os destaques entre o material novo, eu diria, que vão para as faixas nº 5 (“Shark Attack” um dos momentos musicais mais pesados do filme, provavelmente evitado anteriormente, por não ter sido considerado muito comercial há 25 anos atrás); nº 8 (“Father and Son”, tema que contém uma perfeita combinação de harpa, contra-baixo e piano com valores atonais, bem contemporâneos e funcionais para o filme); nº 17 (”Between Attacks” que apresenta um inédito e breve solo de flauta tocada na extensão mais baixa de sua partitura e, ainda, densificada pelo contínuo toque dos violinos ao fundo); e, finalmente,  nº 20 (“End Titles” que apesar de não ser inédita, considero o grande momento de gênio do filme, ao apresentar o mesmo tema ameaçador em uma forma mais suave, a fim de permitir aos espectadores um alívio final, embalado pela surpreendente melodia que não se percebia ter o tema principal, até então - técnica, aliás muito comum na psicologia musical de Williams, que já havia feito isto em todos os seus filmes-catástrofes, e posteriormente em The Fury, de Brian DePalma). Marcos Queiroz


Juntamente com o lançamento de Tubarão em DVD, chega esta nova edição da trilha que ajudou a tornar John Williams o maior compositor de cinema dos anos 70, e um dos grandes de todos os tempos. No score destaca-se a efetiva combinação de duas idéias deliberadamente opostas: um tema que inicia lento e ameaçador para representar os ataques do grande tubarão branco, e música de aventura, quase que nos moldes de clássicas trilhas de capa-e-espada, emoldurando os esforços dos três personagens principais para capturar o animal. É interessante notar que o tubarão somente é visto por inteiro pela platéia no terço final do filme: em quase todas as ocasiões anteriores, sua presença é substituída em força, dimensão e ferocidade pelo efetivo “leitmotiv” de Williams. Enquanto os compositores de hoje inundam os filmes com música praticamente ininterrupta, em Tubarão Williams nos mostra quão efetiva pode ser uma trilha, paradoxalmente até mesmo pela sua ausência. Na seqüência da praia lotada de turistas, no feriado, todos os truques que Spielberg utiliza para anunciar o tubarão (movimentos de câmera, etc.) estão presentes, menos a música. Realmente a cena termina em um alarme falso, com duas crianças brincando com uma barbatana falsa. Mas algum tempo depois ouvimos o tema sinistro, e agora sabemos que a ameaça é real graças ao reaparecimento da música. O trabalho de Williams revela-se admirável neste e em outros momentos, onde são encontrados os princípios da verdadeira música de cinema, estabelecidos por antigos mestres como Max Steiner e Bernard Hermann (e até mesmo antes do cinema por Wagner, no “Anel de Nibelungos”). A trilha acabou levando o Oscar, e o LP da MCA ganhou um Grammy em 1975, tornando-se uma das soundtracks mais vendidas de todos os tempos. Tanto o LP original como a sua primeira edição em CD contém regravações da música utilizada no filme, procedimento que o compositor ainda hoje ocasionalmente utiliza. Assim, Williams expandiu e desenvolveu com elegância o material do filme, em faixas (suites) mais adequadas para a audição em separado das imagens. As diferenças entre a gravação original, agora disponível, e a regravação do antigo LP, são bem evidentes no novo CD, que inclui faixas inéditas, até mesmo algumas que não foram utilizadas. Apesar do novo álbum ser uma experiência mais fílmica, longa e narrativa que o LP, a exemplo dos relançamentos de Contatos Imediatos do Terceiro Grau e ET, não vemos razão para descartar o CD original de 1990, que também é ótimo. Porém, se você não o possui, este lançamento é altamente recomendado por ser a representação definitiva da música de Tubarão. Jorge Saldanha


Realmente o score de John Williams foi responsável pela metade do sucesso de Jaws, como disse o próprio Steven Spielberg. Penso que um dos motivos do sucesso de John Williams com o público não apreciador de scores se deve ao fato de que ele é generoso com a percussão, neste aspecto sua música se aproxima do estilo pop, no caso de Jaws isso é evidente. Para os padrões da época o filme pode até ter causado certo pavor entre os espectadores, mas trata-se de um filmeco onde colocaram um tubarão como assassino e como se ele agisse de forma premeditada, o que é e foi um erro, afinal tubarões não são dissimulados como nós humanos - mas em Hollywood até inocentes tomates tornam-se assassinos. O tema principal foi desenvolvido de uma forma que, se fossem três ou mais tubarões, o tema não seria tão eficiente como é com um tubarão só, porque foi criado um ambiente solitário. A percussão nos alerta da proximidade do temido animal, foi um recurso bastante utilizado durante todo score e provavelmente foi este o motivo de John Williams ter gravado com uma pequena formação orquestral. Como na época os recursos digitais praticamente inexistiam, caso fossem expor o robô Bruce várias vezes o tubarão ficaria mais falso ainda, e o score se encarregou de deixar o filme mais tenso do que o próprio tubarão. Certamente é uma das partituras mais cansativas de John Williams para se ouvir do principio ao fim, porque a todo momento o tema principal é executado, quase todas as faixas tem no seu começo o "doom, doom, doom, doom". Mas como todo bom score, ele nos transmite todas as emoções propostas pelo filme - tensão, medo, alívio. Destacam-se  "The Pier Incident", "Shark Attack" e "Montage", que no contexto do filme chega a ser irônica, já que evoca o clima suave da música clássica mas mesmo assim numa passagem o contra-ponto é "doom, doom, doom"... também se destacam "The Great Shark Chase", "Blown To Bits" e o encerramento magistral dos "End Titles", este tema se assemelha com uma canção de ninar, pela suavidade. O áudio é excelente, e ao contrário do que estamos acostumados nos CDs de scores de John Williams, a maioria das faixas são de curta duração, quanto a este quesito  a Decca deixou a desejar já que deveria ter feito como em Superman The Movie (expanded), onde a Rhino, além das film versions, incluiu todas as concert versions. Logicamente não haveria necessidade de um CD duplo, mas deveriam ter completado o tempo que sobrou para se chegar próximo dos 80' de score. O estojo digipack (na edição dos EUA) foi uma péssima escolha, a capa é muito frágil, com atrito constante com o porta CDs, por exemplo, ela perde parte da impressão. Poderiam ter incluído a capa da frente e a de trás com picote em papel couché, como opção de colocá-lo no estojo de acrílico. Afinal, infelizmente dinheiro não cai como a chuva, para comprarmos um CD cuja capa dure pouco tempo. A Decca precisa aprender com a Rhino como produzir um CD completo. Notem a coincidência com o nome de John WillAmS e o do filme em inglês... Ricardo Augusto de Souza da Silva

CDs COMENTADOS