Jurassic Park III
Música composta, regida e orquestrada por Don Davis. Temas originais de "Jurassic Park" por John Williams

Selo:
Varèse Sarabande
Catálogo:
Decca 440 014 325 2
Ano: 2001

16 Faixas

Duração: 61:10
Cotação:

 

Estando John Williams e Steven Spielberg ocupados com A.I., as tarefas de dirigir e compor em Jurassic Park III passaram para, respectivamente, Joe Johnston (Querida, Encolhi as Crianças, Jumanji) e Don Davis (Guerreiros da Virtude, Matrix). Em ambos os casos, a responsabilidade era enorme. Os dois filmes anteriores, apesar de não serem clássicos de Spielberg como Tubarão e Caçadores da Arca Perdida, faturaram horrores nas bilheterias. Johnston não é Spielberg, mas fez um filme enxuto e divertido, repleto do que quem gosta da série quer ver - ação com dinossauros. No que se refere à música, seria de se esperar que Johnston recorresse a seu compositor habitual, James Horner - coisa que, aliás, chegou a ser anunciada. Porém, a exigência dos produtores de que fossem utilizados os temas de John Williams aparentemente foi demais para o ego do agora superstar Horner. Entra em cena Don Davis, um compositor que vem conquistando seu espaço com scores de qualidade, e que não teve receio de enfrentar o desafio. A partitura original de Williams para Jurassic Park é um dos trabalhos mais apreciados do maestro, nos anos 90. Já o seu score para O Mundo Perdido, apesar de não ser tão popular, com seus ritmos percussivos, harmonias ameaçadoras e um majestoso "tema da selva", é uma inteligente evolução da partitura do filme original.  O fato é que o trabalho de Don Davis, apesar de não ser tão sutil ou efetivo, continuou a expandir o universo musical da franquia, integrando os dois temas principais de Williams (o "lírico" e o "triunfante"), do primeiro JP, às suas próprias composições  - aqui destaco o tema para os novos personagens, que pode ser chamado de "tema da família". Infelizmente, nenhum dos temas principais de O Mundo Perdido foram utilizados por Davis - o que particularmente acho um erro, já que o "tema da selva" foi composto por Williams para evocar os mistérios e ameaças que se escondem nas selvas da Ilha Sorna, o local onde mais uma vez desenrola-se a ação em JP3. O CD inicia com "Isla Sorna Sailing Situation", com orquestra e coral acentuando a atmosfera de mistério e ameaça: o "tema triunfante" de JP faz sua primeira aparição, mas é em "The Dinosaur Fly-By" que ele tem a sua interpretação sinfônica completa (é similar ao original, com pequenas diferenças de arranjo). Na seção intermediária da curta  "Cooper's Last Stand", podemos identificar o estilo um tanto caótico do compositor, empregado em Matrix. Segue música de ação para raptores em "The Raptor Room" (com um início lírico) e "Raptor Repartee". Em "Tree People", Davis apresenta seu "tema da família" com a seção de trompas. "Tiny Pecking Pteranodons" é uma ótima faixa de ação com orquestra e coral, e nela, como em "Billy Oblivion", são novamente utilizadas técnicas de The Matrix, com trumpetes rápidos e metais caóticos. O "tema lírico" de JP é utilizado pela primeira vez de forma efetiva em "Brachiosaurus On The Back", uma remissão direta a "My Friend, The Brachiosaurus", da trilha de JP. O "tema da família" faz uma grande aparição sinfônica em "Nash Calling", um dos melhores momentos da partitura de Davis. "Frenzy Fuselage" e "Clash of Extinction" são faixas de ação similares a "Tiny Pecking Pteranodons" . A última faixa do score, "The Hat Returns/End Credits" tem as reprises do "tema lírico" de JP, da marcha do "tema triunfante", e do "tema da família". O CD conclui com uma canção de Randy Newman que simplesmente não combina com o score. JP3 é uma partitura muito boa, que no meu entender, seria melhor se repetisse menos os temas do original e, ao mesmo tempo, utilizasse o tema de O Mundo Perdido. Mas Davis conseguiu manter a boa tradição musical da série com um score bem escrito (capaz de agradar aos fãs de Williams e do próprio Davis). O CD apresenta uma seção multimídia contendo trailers, fotos, informações sobre os dinos e uma curta entrevista com Don Davis. Jorge Saldanha


Por sugestão do compositor dinossauro John Williams, o jovem Don Davis assumiu as responsabilidades na nova aventura passada em ilhas povoadas por estes seres pré-históricos. E embora o resultado seja excepcional tal como ouvido no filme, nomeadamente pelo inteligente uso de vários temas originais de Williams, fora do filme a música está longe de atingir a qualidade das duas partituras que a precedem. E infelizmente os momentos mais memoráveis são aqueles que integram os temas de John Williams. No CD podemos ouvir distintamente três dos temas originais: a fanfarra para a ilha, o tema do parque (aqui associado com o Dr. Grant (Sam Neill) e o motivo para os raptores. Adicionalmente, Davis usou também o motivo associado com o T-Rex, mas ficou fora do CD. E apesar de haver indicações em várias entrevistas que as citações ficaram apenas pelos temas do primeiro filme da série, há pelo menos uma passagem que nos remete para The Lost World, no início de "Billy Oblivion" (faixa 9). E sendo verdade que este uso dos temas de John Williams dificilmente podia ser mais inspirado, e ser neles que os músicos de Davis nitidamente dão o seu melhor, as gravações originais ou com a Boston Pops, são preferíveis. Fica então a música de Davis. O compositor apresenta algum material temático do qual se destaca o tema para os Kirby, ouvido na sua forma mais completa em "Tree People" (faixa 6). Esta peça faz-me lembrar o tema de Williams para as cenas passadas em Smallville na sua obra prima de 1978, Superman The Movie. Um dos problemas com a música de Davis é tentar imitar muito o estilo de Williams. Em "The Raptors Room" vislumbra-se o tipo de composições algo ambientais de Williams; em "Raptor Repartee" estão lá os ritmos e marcas orquestrais do mestre... em demasiados momentos a música vive sob a sombra das composições de John Williams.  O pior acontece quando Davis liberta-se do peso do seu antecessor na série JP. O uso do coro é supérfluo na maior parte das vezes, e usa demasiadas forças orquestrais, quando conseguiria fazer melhor com maior economia (segundo uma entrevista, Davis usou uma orquestra de 104 músicos e um coro de 60 vozes). E embora a orquestra seja altamente competente, não interpreta as composições de Davis com a mesma convicção com que toca os temas de Williams. Pior que isso, mesmo que dêem o seu melhor, o excesso de gente a fazer barulho implica que se encubram uns aos outros. As últimas faixas são as mais satisfatórias (a peça de Davis "Clash of Exctinction" até é das suas melhores) e o "The Hat Returns/End Credits", com a sua agradável citação ao homem do chapéu (aqui o arqueólogo aventureiro é substituído pelo paleontólogo aventureiro, mas parece que usam a mesma trade mark), é o obrigatório e competente recapitular musical. E até podia acabar tudo bem, não fosse a inclusão da source cue de Randy Newman "Big Hat, No Cattle", que não se relaciona em nada com o resto da música. Adicionalmente o CD inclui uma faixa extra para uso nos nossos computadores, mas é dispensável. Com exceção de uma curta e de difícil leitura entrevista com Davis, não há nada que interesse ao estudioso de música para cinema. Claramente este extra é orientado para o público juvenil. Se a Decca Records olhasse para o excelente exemplo da edição de Nixon ou Star Trek First Contact, teria feito melhor. Posto isto, só posso esperar que Davis consiga refinar as suas capacidades como orquestrador, pois ao compor apenas para a tela grande é muito mais do que apenas competente. Miguel Andrade

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