The Karate Kid: I, II, III, IV
Música composta por Bill Conti

Selo: Varèse Sarabande CD Club
Catálogo: VCL 0307 1059
Lançamento: 2007
Duração:
CD 1 - 35:38
CD 2 - 48:29
CD 3 - 41:56
CD 4 - 50:02
Cotação:


Comentário de
Iordan Stoitchkov

 
Quantas franquias de sucesso dos anos 1980 podemos mencionar? Talvez De Volta Para o Futuro, Robocop ou até mesmo Rocky? Certamente há muitas. Ainda assim, há uma série cinematográfica que reúne todos os elementos de aventura, ação, suspense e valor por excelência. Falamos, é claro, de Karatê Kid.

Desde sua primeira aparição, todos os que cresceram com este tipo de filmes foram participantes das peripécias de Daniel (Ralph Macchio, em papel que significou para ele tanto um enorme êxito como uma perdição, já que depois nunca mais pôde interpretar outro personagem); e dos ensinamentos do Sr. Miyagi (Pat Morita, mítico como o mestre japonês do emprego de técnicas raras, mas efetivas). À luz das violentas produções de hoje em dia, dizer que lá pelos ’80 nos identificávamos com a inocência destes personagens pode soar no mínimo antiquado. Mas é isto mesmo, todos queríamos ser um herói, ganhar um campeonato, chutar o traseiro dos valentões que nos molestavam e conquistar o amor de uma garota.

Mas para nós, que colecionamos trilhas sonoras, havia outra coisa que também queríamos, com desespero: a música de Bill Conti. Um desejo que foi realizado somente 23 anos mais tarde, graças aos amigos da Varèse Sarabande, que lançaram em sua série "CD Club" de edições limitadas, uma espetacular caixa com a música original de todas os filmes da série Karatê Kid. Comecemos falando da fenomenal embalagem desta produção, que é uma belíssima caixa de luxo com um livreto incluído, que traz muitas fotos coloridas, notas interessantes e principalmente quatro CDs com uma qualidade sonora simplesmente divina. Mas esta edição não se converte em material de pura "coleção orgástica" tão somente por sua aparência, mas principalmente pelas maravilhosas partituras compostas por Bill Conti. Colhendo os louros de suas premiadas Rocky e Os Eleitos, Conti foi a escolha ideal para criar a música da saga dirigida por seu amigo John Avildsen.

Para The Karate Kid (1984), Bill Conti compôs alguns dos temas mais famosos de toda a sua carreira: “Main Title”, “Paint the Fence”, “Daniel Sees the Bird”, “Training Hard” e “Daniel’s Moment of Truth” são imediatamente reconhecíveis por suas gloriosas orquestrações com toques orientais, que evocam esse sentimento tão especial que acima tratamos de descrever.

O score de The Karate Kid Part II (1986) é uma espécie de favorito entre todos. Em primeiro lugar, porque junto aos temas já conhecidos, Conti introduz com sucesso material inédito de qualidade, como o majestoso “The Funeral”, o novo tema romântico “Daniel and Kumiko”, ou o épico “Daniel’s Triumph”. E em segundo lugar, porque conseguiu ampliar a orquestra para oitenta instrumentos, incluindo kodo drums. Com tudo isso, obviamente o produto soa muito mais espetacular.

Em The Karate Kid Part III (1989) o compositor repete a fórmula tão efetiva do trabalho anterior, mas a desenvolve adicionando um aspecto um tanto mais sombrio, entregando assim uma das melhores partituras da saga. Aqui se destacam temas como “The Hidden Tree”, “Daniel Submits” e “Miyagi Shut Out”, que mais que a ação em si, buscam sublinhar, mediante a variada cor orquestral, o aspecto introspectivo e a evolução do personagem principal.

Finalmente, The Next Karate Kid (1994) fica meio que deslocada de seus predecessores. Chegando muitos anos depois, quando a franquia já estava esgotada, esta quarta e última parte sofre de vários defeitos. O protagonista é substituído por uma garota (Hilary Swank em seu primeiro papel no cinema), mas o pior para nós é que o score é dominado pelos sintetizadores, evidentemente por questões de orçamento. Ainda assim Conti consegue entregar alguns belos temas, como “Trainyard Emotions” e “Training Montage”.

Dito isto tudo, não há outra coisa a acrescentar exceto que este é um lançamento absolutamente necessário para todos os que apreciam a boa música sinfônica, como se fazia no cinema dos anos 1980, diferente do que se faz hoje. Bill Conti, como nenhum outro compositor que gozava de tanta fama em sua época, hoje realiza trabalhos de relevância muito esporádicos, como o ouvido na refilmagem de The Thomas Crown Affair. Uma verdadeira lástima, porque seu gigantesco talento na hora de compor e sua enorme versatilidade na hora de orquestrar são percebidos a anos-luz. Por favor, que algum produtor entregue um trabalho a Conti, já!

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