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Um dos atrativos que me motivaram a
adquirir este CD, foi já possuir e conhecer a
trilha que marcou época de também um filme que marcou,
Drácula de Bram Stoker.
Simplesmente achei que a trilha original não teve um processo de
gravação de qualidade, sobram chiados - além de ter sido gravada
muito baixo. Assim, quando vi esta regravação com o processo DDD, achei
importante ouvi-la, além é claro, de escutar outras trilhas também de Wojciech Kilar que desconhecia.
Entre elas
estão: König Der Letzten Tage, Death and The Maiden,
The Beads of
One Rosary e Pearl in The Crown.
O CD começa com Drácula e o tema "The Brides", que no CD original é a
faixa nº 5. Realmente um tema pesado, onde a orquestra demonstra a
história trágica do vampiro Vlad, que antes de ser uma criatura das
trevas sofreu em sua vida terrena a tragédia de perder sua esposa
por uma mensagem equivocada, a mesma forma quematou Julieta e
Isolda.
Segue o CD com o tema "The Party", já com um tom mais ameno e
romântico, e bem executado pela orquestra polonesa.
Em seguida, vem "Mina / Elizabeth", que em minha opinião por
si só vale o CD e a trilha do filme. Têm traços de um romantismo
sutil, lembra em alguns momentos Satiè e uma de suas Gymnopédies,
explicitando de maneira clara nas flautas o amor transferido de
Drácula pela mulher de Mr. Harker. Ouvindo esta faixa temos a
certeza absoluta de que amar vale a pena.
Na faixa seguinte chega o tema "Vampire Hunters", que em minha
opinião é executado de maneira inferior do que na versão original,
contudo, sem qualquer chiado. É ainda importante ressaltar que uma
orquestra sinfônica tem maior facilidade em executar temas como
esse, que exigem um tom mais pesado dos metais e da percussão do que
uma orquestra de cinema. Achei o sopro pouco vigoroso, poderia ter
sido dado um peso a mais.
Segue o disco com a faixa "Mina / Drácula", outro tema sombrio que mostra a
antítese entre o temperamento do Conde, nesse caso em particular, e o
amor por Mina, livre e atemporal. O clarinete nesta faixa se sai
muito bem, refletindo a música dentro de nosso coração. É um tema
tocante. Nos faz na maioria das vezes, dar razão ao pobre Conde, que
apenas queria um amor que substituísse sua perda e razão de sua
imortalidade.
Nesta faixa finalmente entra em ação o coral, e diga-se passagem,
muito bem, talvez pelo mesmo ser da Cracóvia. Ainda que o tema seja
mítico, ele tem sua origem na Cracóvia, portanto mais uma razão
para a "prata da casa" fazer sua parte bem feita. É um tema
vibrante, que em alguns momentos lembra
The Omem (A Profecia) de
Jerry Goldsmith. Essa interpretação
também valeu a compra do CD, e a parte
dedicada à trilha de Drácula se encerra com chave de ouro.
Agora é a vez de König der Letzten Tage, que se inicia com uma
espécie de réquiem. Possui os movimentos litúrgicos da "Intrada",
"Sanctus", "Canzona", "Miserere", "Agnus Dei" e "Gloria". O início nos lembra
em algum momento, um tema de
Conan, o Bárbaro de
Basil Poledouris.
O coral também faz uma boa participação, dando uma atmosfera de terror
e mistério à peça. Mais uma vez o tema recorrente de The Omem (Jerry
Goldsmith) vem à tona em "Sanctus", bem como de sua outra
trilha The Ninth Gate. Após, na
"Canzona", temos inclusive a execução
de um cravo, dando um toque barroco à peça. Terminando de forma
aventuresca e muito bem executado pela orquestra polonesa.
Death and the Maiden, de Roman Polanski, foi traduzido para nosso
idioma sob o título A Morte e a Donzela. O filme é passado num país
sul-americano após a queda da ditadura. Nele Paulina Escobar (Sigourney
Weaver), a mulher de Gerardo Escobar (Stuart Wilson), um famoso
advogado, fica sabendo no rádio que Gerardo deverá chefiar as
investigações das mortes ocorridas no regime militar. Os temas deste
CD são: "The Confession", "Paulina's Theme" e "Roberto's Last Chance". São
bem executados, em alguns momentos sentimos os timbres latinos
seguidos de nuances de "Daphnis et Chloé" de Ravel.
A faixa seguinte é do filme polonês The Beads of One Rosary (Paciorki
Jednego Rozanca), um tema curto (4:04) que trata muito bem a
atmosfera polonesa do filme. O piano nos leva a uma viagem pela folk music
daquele país.
O CD termina com dois temas de Pearl in The Crown ou Pérolas na
Coroa, de 1972, do diretor Kazimierz Kutz, que tem um tema belo, mas
comum.
Como conclusão, entendo ser este CD uma obra necessária para os
apreciadores da obra de Wojciech Kilar, nascido em 1932, que
conseguiu em muito traduzir para música o sentimento de Bram Stoker,
ao nos contar a Estória de Vlad, O Empalador, ou simplesmente
Drácula.
A orquestra se saiu bem na maioria das faixas, dando pureza aos
ouvidos mais exigentes.
Ainda tenho a esperança que um dia a Columbia (agora Sony) lance uma versão
comemorativa para colecionador da trilha de Drácula, remasterizada
totalmente em digital sound. Seria fantástico!
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