KILL BILL VOL. 2
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Selo:
Maverick
Catálogo:
48676
Ano: 2004

Faixas:
1. A Few Words From The Bride - Uma Thurman
2. Goodnight Moon - Shivaree
3. Il Tramonto - Ennio Morricone
4. Can't Hardly Stand It - Charlie Feathers
5. Tu Mirá (Edit) - Lole Y Manuel
6. Motorcycle Circus - Luis Bacalov
7. The Chase - Alan Reeves, Phil Steele And Philip Brigham
8. The Legend Of Pai Mei - David Carradine And Uma Thurman
9. L'arena - Ennio Morricone
10. A Satisfied Mind - Johnny Cash
11. A Silhouette Of Doom - Ennio Morricone
12. About Her - Malcolm Mclaren
13. Truly And Utterly Bill - David Carradine And Uma Thurman
14. Malagueña Salerosa - Chingon
15. Urami Bushi - Meiko Kaji
16. Black Mamba - The Wu Tang Clan (Hidden Track)
Duração: 46:21
Cotação:


Comentário de
J
orge Saldanha

 

Muitos consideraram Kill Bill Vol. 2 inferior à parte que lhe precedeu. Eu já não iria tão longe, e diria que o diretor, na conclusão de sua trama de vingança, decidiu seguir um estilo mais próximo ao dos seus filmes anteriores. Portanto, quem esperava mais cenas de ação regadas a litros de sangue, como no confronto entre a Noiva e os Crazy 88, certamente decepcionou-se. O fato é que o Vol. 2 sustenta-se mais em situações irônicas, drama e diálogos, e a única grande cena de luta do filme está mais para vale-tudo do que para artes marciais. Eu gostei bastante do filme, contudo há de fato um aspecto dele que é inferior: a trilha sonora do Vol. 2 mantém o padrão seguido no filme anterior, porém indiscutivelmente sem o mesmo brilho. Isto fica bem caracterizado no CD da trilha sonora, que a exemplo do álbum do Vol. 1, inclui trechos de diálogos do filme – normalmente acho isso uma idiotice, mas dado o caráter peculiar dos textos de Tarantino, eles até ajudam a criar um clima adequado à audição das músicas que se seguem.

Escutando este álbum, fica-se com a impressão que o melhor da seleção musical ficou na trilha anterior, e que para a segunda ficaram reservadas as "sobras". Esta impressão não é diminuída pelo rap "Black Mamba" do The Wu Tang Clan (que não aparece na relação de faixas na capa do CD), ou ainda "Malagueña Salerosa", tradicional canção mexicana interpretada pelo grupo Chingon, em gravação produzida pelo parceiro de Tarantino, Robert Rodriguez. São faixas que poderão agradar a muitos (no caso do rap, especialmente criada para o filme/álbum), mas o problema é que desta vez não há aquelas combinações de imagem e música que, como ocorre várias vezes durante o Vol. 1, resultam geniais. E, separada das imagens, a seleção musical de Kill Bill Vol. 2 resulta numa interessante, porém aleatória, coletânea de composições. De um modo geral, esta trilha reflete a ambientação e ritmo do filme, o que significa trocar os sons mais fortes e inspirados pela Ásia por outros mais introspectivos ou representativos do sul dos EUA e do México. O CD inicia com o monólogo de Uma Thurman sobre a sua vingança, precedendo a canção de Shivaree "Goodnight Moon" (extraída do álbum de 1999 "I Oughtta Give You A Shot In the Head for Making Me Live in This Dump").

Ennio Morricone, que estava ausente do primeiro álbum, faz-se presente no filme e no disco com três faixas de seus antigos spaghetti westerns – "Il Tramonto", "L’ Arena" e "A Silhouette of Doom" - porém, nenhuma tem o impacto ou é utilizada no filme de forma tão memorável como o tema "Death Rides a Horse", que infelizmente ficou de fora do CD do Vol. 1 (mas pode ser encontrado na coletânea de Morricone Movie Masterpieces, lançada no Brasil). O compositor Luis Bacalov retorna no Vol. 2, não com a música de algum spaghetti western, mas sim com "Summertime Killer", típica dos filmes policiais dos anos 70. Se desta vez não temos
Nancy Sinatra cantando a melancólica "Bang Bang (My Baby Shot Me Down)", a trilha do Vol. 2 apresenta "About Her", interpretada por Malcolm McLaren, que representa o lado mais sentimental que a trama do filme adquire próximo ao seu final. Dentre todas as faixas do CD, parece-me que esta é a única capaz de transcender às demais e entrar para a cultura pop/cinematográfica dos filmes de Tarantino. "The Chase", de Alan Reeves e Phil Steele, é uma interessante instrumental à la anos 60, porém, por melhor que esta e outras canções que completam o álbum sejam utilizadas no filme (Johnny Cash incluso), a trilha sonora de Kill Bill Vol. 2 não consegue cativar o ouvinte como sua predecessora.

 

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