KINGDON OF HEAVEN
Música composta por Harry Gregson-Williams


Selo:
Sony Classical
Catálogo:
SK 94419
Ano: 2005

Faixas:
1. Burning the Past
2. Crusaders
3. Swordplay
4. A New World
5. To Jerusalem
6. Sibylla
7. Ibelin
8. Rise a Knight
9. The King
10. The Battle of Kerak
11. Terms
12. Better Man
13. Coronation
14. An Understanding
15. Wall Breached
16. The Pilgrim Road
17. Saladin
18. Path to Heaven
19. Light of Life (Ibelin Reprise)

Duração: 61:57
Cotação:


Comentário de
Iordan Stoitchkov

 

O diretor Ridley Scott sempre teve uma enorme predisposição para o cinema épico. Seu particular estilo visual e uma especial forma de narrativa converteram toda a sua obra cinematográfica em algo imediatamente reconhecível. Mesmo assim, a cada novo filme não deixamos de nos surpreender com o modo como este aclamado artista, surgido da área dos comerciais, maneja perfeitamente a combinação de imagens que beiram o extravagante, com o mais alto grau de interesse comercial. Esta impactante combinação encontrou seu espaço em todas as produções de Ridley Scott, especialmente depois de Gladiador, e fica muito bem clara no uso de um determinado tipo de trilha sonora que as acompanha.

Como sabemos, Scott já teve a colaboração de grandes artistas do gênero orquestral, porém mesmo assim, podemos notar a clara preferência do diretor pelas trilhas sonoras com tintas étnicas e eletrônicas. Talvez porque a estas últimas se poderia aplicar melhor o termo "manejáveis", no contexto das tão duras exigências do diretor. E sabemos de longa data que Ridley Scott é muito exigente com seus compositores. Cruzada (Kingdom of Heaven, 2005) é outro filme-exemplo do acima mencionado. O score que o acompanha foi composto por Harry Gregson-Williams, outro dos tantos "enfants mediaventurianos", e que agora assume o papel de novo colaborador do diretor, no lugar de seu mentor. Não é de espantar que foi precisamente Hans Zimmer a primeira opção de Scott para musicar o novo filme, já que suas colaborações anteriores renderam muito bons frutos. Mas Zimmer mostrou estar cansado do gênero épico, uma vez que recém havia saído de King Arthur, e por isso - uma decisão muito sábia - cedeu a batuta ao seu amigo Harry Gregson-Williams.

O ouvinte que esperar deste score um desenvolvimento épico ao estilo do já citado Gladiador ficará muito decepcionado, já que Kingdom of Heaven emprega uma forma instrumental dele diferente. Apesar de haver muitos segmentos com clara proeminência do étnico, o score se destaca por suas estruturas musicais suaves e orquestrais. O CD de Kingdom of Heaven inicia com "Burning the Past", uma melodia que desde o primeiro momento define como será todo o resto do disco. Uma composição sinfônica, com proeminente uso de grandes partes em coral, armada em um estilo melancólico e triste. As faixas "Swordplay" e "A New World" parecem tiradas de algo que poderia ter sido composto por James Horner, já que o uso da flauta e sua orquestração recordam demasiadamente a obra daquele compositor. "Ibelin" se destaca entre os demais temas como um dos melhores do disco, já que introduz na partitura trechos mais dinâmicos e memoráveis, mas sempre dentro desse estilo étnico que mencionamos.

A ação aparece - por fim, e recém - na décima faixa do álbum, denominada "The Battle of Kerak". Lamentavelmente aqui Harry Gregson-Williams não faz absolutamente nada de novo. Percussão, vozes e uma clara predominância de acompanhamentos eletrônicos não são nada além do "mais do mesmo" que escutamos à exaustão em outros CDs de qualquer compositor "mediaventuriano". Seguimos em frente na audição deste verdadeiro "deserto vazio", e percebemos que a coisa não só não melhora, como ainda por cima piora. Faixas como "Terms", "The Pilgrim Road" ou "Saladin", demonstram que (na opinião pessoal de quem escreve estas linhas) o uso desse estilo pseudo-arábico já tornou-se algo totalmente trivial, chato, absurdo e necessariamente descartável. Por favor não o usem mais, porque já está mais que desgastado...

O CD encerra com uma interpretação do Bach Choir de uma versão livre de "Agnus Dei", intitulada "Path to Heaven" e que desemboca finalmente em "Light of Life". Neste último tema destaca-se a voz solista de Natacha Atlas, que entoa uma versão cantada em árabe do tema "Ibelin". Desta maneira, com seus quase 62 minutos de duração, Kingdom of Heaven termina sendo um score dos mais tediosos. O único destaque - e que ainda assim é muito pouco - é a capacidade de orquestração de Harry Gregson-Williams, que nos entrega uma esquecível obra para coral e orquestra, útil talvez apenas na hora de irmos dormir...

Nota do editor: como que para comprovar o tom burocrático do score de Gregson-Williams, para fortalecer a música o diretor Ridley Scott teve que apelar para trechos de trilhas incidentais de outros filmes, obviamente ausentes deste CD. Por exemplo, foram utilizados trechos das trilhas de Cidade dos Anjos e O Corvo, de Graeme Revell; e na cena em que Balian sagra os defensores de Jerusalém como Cavaleiros, ao fundo ouvimos a pungente composição "Valhala", que o grande Jerry Goldsmith compôs para O 13º Guerreiro.

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