KING KONG (2005)
Música composta e regida por
James Newton Howard


Selo: Decca/Universal
Catálogo: B0005715-02
Ano: 2005

Faixas:

1. King Kong
2. A Fateful Meeting
3. Defeat Is Always Momentary
4. It's In The Subtext
5. Two Grand
6. The Venture Departs
7. Last Blank Space On The Map
8. It's Deserted
9. Something Monstrous... Neither Beast Nor Man
10. Head Towards The Animals
11. Beautiful
12. Tooth And Claw
13. That's All There Is...
14. Captured
15. Central Park
16. The Empire State Building
17. Beauty Killed The Beast I
18. Beauty Killed The Beast II
19. Beauty Killed The Beast III
20. Beauty Killed The Beast IV
21. Beauty Killed The Beast

Duração: 74:07

Cotação:


Comentário de
Márcio Alvarenga

 

Quando o compositor Max Steiner compôs a trilha sonora do filme KING KONG de 1933, na verdade ele tinha estabelecido um padrão musical para filmes de aventura. Essa criação coincidiu justamente com o momento em que a música originalmente composta para o cinema dava seus primeiros passos. Ao longo de um século de cinema, milhares de produções foram eternizadas por suas músicas originais. A música de Steiner pode ter inspirado John Barry quando este concebeu a partitura do remake de 1976, bem como John Scott também bebeu um pouco da fonte de Steiner para o KING KONG VIVE de 1986. Da mesma forma Steiner também serviu como inspiração para Akira Ifukube, que concebeu a trilha de King Kong x GodziLla em 1962. Enfim, a música de Steiner é antológica, e estabeleceu um padrão para trilhas sonoras do gênero.

Quando se anunciavam as filmagens de King Kong, sob a direção de Peter Jackson, que seria fiel ao roteiro de 1933, claramente estava indicada também que sua música deveria seguir o mesmo padrão. No horizonte de Hollywood poucos compositores poderiam estar vocacionados a tentar produzir um trabalho que lembrasse Steiner, um desses certamente é Howard Shore, principalmente depois de ter produzido um exemplar trabalho na trilogia O SENHOR DOS ANÉIS. Lembrando o fatídico desfecho da parceria Hitchcock-Herrmann, tivemos também um desentendimento entre Peter Jackson e Shore, e o resultado foi a substituição do compositor canadense pelo norte-americano, querido dos produtores de Hollywood, James Newton Howard. Howard atravessa o melhor momento de sua trajetória cinematográfica, reafirmando o seu talento a cada novo trabalho.

Em KING KONG, considerando a exigüidade de tempo disponível para trabalhar na trilha (cinco semanas), diríamos que James Newton Howard conseguiu produzir uma trilha que manteve seu caráter funcional, não concorreu com o filme e atingiu os objetivos, principalmente aquele de dar emoção, estimular o espectador a chorar no filme, nem que fosse de compaixão pelo gorila. Por outro lado, caso Howard Shore tivesse se responsabilizado pela trilha, poderíamos esperar algo inspirado em muito mais notas no trabalho de Steiner. Quem sabe, tenhamos a exemplo do que aconteceu com a trilha rejeitada de Bernard Herrmann para CORTINA RASGADA, a oportunidade de conhecer o trabalho que Shore tinha em mente para KING KONG. Quanto a Howard, este se manteve rigorosamente dentro do padrão que lhe é peculiar, de colocar a funcionalidade dos seus acordes a serviço do filme.

Seu score orbita em torno de três temas principais: o do filme propriamente dito; o da personagem Ann Darrow; e um "heróico" para Kong, que no clímax da produção ganha tons dramáticos. No entanto, nem mesmo ele conseguiu se manter distante de Steiner e, num determinado momento, irrompe um acorde característico da partitura original de 1933. Pronto, também James Newton Howard havia se rendido ao grande mestre da Idade de Ouro da música no cinema, cujo estilo rompante é atestado de toda a sua eloqüência musical.

Aliás, na cena do teatro em Nova Iorque, vemos regendo a orquestra ninguém menos do que Howard Shore, como não poderia deixar de ser usando a música de Steiner, que é um autentico prefixo musical de King Kong. Um outro aspecto que vale ser ressaltado é que a melodia de King Kong, muito bem trabalhada por James Newton Howard, assume feições originais, mas impossível não lembrar de LA COSA BUFFA  de Ennio Morricone, mas isso fica debitado por conta das coincidências musicais. A trilha de KING KONG é aquilo que Peter Jackson queria para o seu filme, mas decididamente não é aquilo que o amante da música no cinema preferiria ouvir ao ver as cenas dessa produção.

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