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Para este
filme épico ambientado no Japão das espadas, da honra e do heroísmo, o
compositor
Hans Zimmer
coloca sua marca pessoal na conjunção entre música ocidental e oriental
que seria de se esperar em uma produção hollywoodiana de tais
características. E o faz, nesta ocasião, somente com a ajuda suplementar
de Geoff Zanelli. Com um cenário instrumental que combina o som da
orquestra (reforçada em vários momentos pelos sintetizadores) com
instrumentos étnicos japoneses como shakuhachi, taiko drums
e koto, Zimmer oferece um trabalho certamente orgânico que se
apóia na busca de fortes efeitos melodramáticos.
Contudo, ao contrário do que seria de esperar, se nos deixarmos levar
pela temática do filme, o tom da música é triste e sentimental. A
partitura está escrita em uma linguagem harmônica sensível e acessível,
muito propícia para impactar emocionalmente em conjunto com as imagens,
em abundantes passagens belas e delicadas a cargo das cordas e a
reflexiva intervenção de diversos instrumentos em interpretações solo.
Trata-se de um terreno que o compositor domina excepcionalmente bem,
como ficou demonstrado em outras trilhas sonoras de forte carga
emocional, como The Thin Red Line. O ponto fraco do trabalho é
encontrado em seu aspecto melódico, que lembra muito Crouching Tiger,
Hidden Dragon, de Tan Dun, e outras criações do próprio Zimmer, como
Pearl Harbor e a já mencionada The Thin Red Line.
Tampouco resultam muito eficazes os momentos em que o compositor reforça
o som da orquestra com a ajuda de samplers, recurso que não
funciona bem especialmente no caso dos metais. Apesar disso, o álbum
oferece algumas composições de genuíno interesse, como a etérea e
introspectiva introdução de “A Way of Life” e os estremecedores gritos
de batalha ao ritmo das taiko drums em “Red Warrior”.
Adicionalmente, os aficionados da música de ação de Zimmer encontrarão
material de seu gosto, em faixas como “Spectres in the Fog” ou “The Way
of the Sword”.
Com suas virtudes e defeitos, The Last Samurai resulta em uma bem
sucedida trilha original de Zimmer, onde o talento se impõe à sua
capacidade para fazer bons negócios. Ou, se você preferir, que demonstra
que a capacidade para fazer bons negócios não exclui necessariamente o
talento musical. Um álbum para fechar os olhos e deixar voar a
imaginação.
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