THE LIVING DAYLIGHTS
Música composta por John Barry


Selo: EMI / Capitol
Catálogo: 72435-41451-2-4
Ano: 2003

Faixas:
1. The Living Daylights
2.
Necros Attacks
3. The Sniper Was A Woman
4. Ice Chase
5. Kara Meets Bond
6. Koskov Escapes 
7. Where Has Every Body Gone 
8. Into Vienna 
9. Hercules Takes Off 
10. Mujahadin And Opium 
11. Inflight Fight 
12. If There Was A Man 
13. Exercise At Gibraltar 
14. Approaching Kara 
15. Murder At The Fair 
16. 'Assassin' And Drugged 
17. Airbase Jailbreak 
18. Afganistan Plan 
19. Air Bond 
20. Final Confrontation 
21. Alternate End Titles
Duração: 65:19

Cotação:


Comentário de
Hugo Moya Arancibia

 

The Living Daylights (007 - Marcado para a Morte no Brasil) foi a última trilha sonora que John Barry compôs para a famosa série, e há o consenso de que se trata de um de seus melhores trabalhos para Bond. Este filme marcou a estréia de Timothy Dalton no papel do agente secreto. Dalton, vinte anos mais jovem que Roger Moore, trouxe à série ares novos e dinâmicos, mas também um lado mais sombrio e realista. John Barry aproveitou este novo cenário para introduzir algumas modificações no estilo musical que havia utilizado durante todo o período de Roger Moore. Em The Living Daylights tivemos sonoridades mais modernas e rápidas, com novos estilos de instrumentação, entre os quais se destacou fortemente a incorporação de sintetizadores. Dado o sucesso obtido pela canção principal do filme anterior, os produtores novamente insistiram com uma banda da moda para interpretar a canção dos créditos iniciais. A escolha recaiu no grupo norueguês a-ha para interpretar o tema “The Living Daylights”, composto por John Barry e Paul Waaktaar (membro do grupo).

Esta canção era de um tom bem mais suave que sua antecessora e se ajustava bem ao estilo musical da banda. É interessante notar que o título do filme e da canção principal, “The Living Daylights”, é uma expressão típica dos países de língua inglesa, que literalmente significaria algo como “As horas do dia em que há luz natural”. No entanto, pelo que pesquisei em diversos dicionários, esta expressão não possui tradução literal, seu significado recorrente está associado a situações tais como “dar um susto tremendo” ou “deixar os cabelos em pé”. Em quase todos os países onde não se fala inglês o filme foi rebatizado com títulos que não tinham nenhuma conexão com o original (por exemplo, no restante da América Latina o título ficou sendo 007 Su Nombre Es Peligro). A canção não repetiu o êxito alcançado por sua predecessora, ainda que tenha tido um bom desempenho nas paradas de sucesso. De 1974 até 1985 (seis filmes), a fórmula musical padrão para Bond manteve-se inalterada, inclusive nas trilhas compostas por outros compositores, mas para este filme John Barry incorporou um par de mudanças.

Pela primeira vez na história musical de Bond também foi criada uma canção para os créditos finais, “If There Was A Man”, composta por John Barry e a cantora Chrissie Hynde, e interpretada por sua banda The Pretenders. Este tema é uma balada romântica no mais puro estilo das canções da década de setenta. As duas canções foram abundantemente utilizadas como padrão para a música incidental do filme: o tema principal para acompanhar seqüências de ação e o tema dos créditos finais para acompanhar cenas românticas. Além das duas anteriores, John Barry se deu ao luxo de compor uma terceira canção em parceria com Chrissie Hynde, que também foi interpretada pelo grupo The Pretenders. Esta canção, “Where Has Everybody Gone”, foi utilizada principalmente em forma instrumental para acompanhar as cenas em que aparecia o assassino Necros, e circunstancialmente sua versão cantada surgia quando este mesmo personagem a escutava em seu walkman. Esta canção quase poderia ser definida como diabólica, já que sua melodia e estilo de interpretação rapidamente sugerem que estamos frente a algo maligno. Sobre estas três canções e o “Tema de James Bond”, baseiam-se nove dos doze temas do álbum original lançado em 1987, que resultou em um trabalho muito satisfatório e novo em relação ao que estávamos acostumados.

O “Tema de James Bond” continuou sendo interpretado em sua versão sinfônica, porém em ritmo mais acelerado e com a adição de alguns sons e acompanhamentos de sintetizador, situação que é bastante lógica, considerando que estávamos diante da estréia de um Bond bem mais jovem que seu antecessor. Por muitos anos o álbum original esteve fora de catálogo, o que dificultava sua aquisição. Em 1999 o selo RYKO colocou à disposição do público uma nova versão desta trilha sonora, remasterizada e com nove temas adicionais, ou seja, toda a música do filme. Este foi um fato importante, já que até então nenhuma trilha sonora de Bond havia sido lançada em sua totalidade. Este mesmo processo (relançamento do disco com músicas não incluídas na versão original) repetiu-se posteriormente com as trilhas sonoras de Somente para os seus Olhos (novamente pelo selo RYKO), O Amanhã Nunca Morre e o relançamento pela EMI/Capitol de quinze trilhas sonoras da série, seis das quais contendo temas nunca antes lançados. Note-se que esta versão da EMI/Capitol de Living Daylights repete o mesmo conteúdo da edição da RYKO, com as músicas adicionais iniciando a partir da faixa 13.

Finalizando, John Barry despediu-se da série em sua melhor forma, com excelente música, interessantes inovações e um adequado uso do “Tema de James Bond”. Mas atenção, quando falo na “despedida de Barry”, não estou dizendo que intencionalmente o compositor tenha decidido que este seria seu último trabalho para a série, mas sim que, por distintas circunstâncias, ele até agora não voltou a compor para Bond.

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