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The Living
Daylights (007 - Marcado para a Morte no
Brasil) foi a última trilha sonora que
John Barry compôs para a famosa série, e há o consenso
de que se trata de um de seus melhores trabalhos para
Bond. Este filme marcou a estréia de
Timothy Dalton no papel do agente secreto.
Dalton, vinte anos mais jovem que Roger Moore,
trouxe à série ares novos e dinâmicos, mas também um lado mais sombrio e
realista. John Barry aproveitou este novo
cenário para introduzir algumas modificações no estilo musical que havia
utilizado durante todo o período de Roger Moore.
Em The Living
Daylights tivemos
sonoridades mais modernas e rápidas, com novos estilos de
instrumentação, entre os quais se destacou fortemente a incorporação de
sintetizadores. Dado o sucesso obtido pela canção principal do filme
anterior, os produtores novamente insistiram com uma banda da moda para
interpretar a canção dos créditos iniciais. A escolha recaiu no grupo
norueguês a-ha para interpretar
o tema “The Living
Daylights”, composto por John Barry e
Paul Waaktaar
(membro do grupo).
Esta canção era de um tom bem mais suave que sua antecessora e se
ajustava bem ao estilo musical da banda. É interessante notar que o
título do filme e da canção principal, “The
Living Daylights”, é uma expressão típica
dos países de língua inglesa, que literalmente significaria algo como
“As horas do dia em que há luz natural”. No entanto, pelo que pesquisei
em diversos dicionários, esta expressão não possui tradução literal, seu
significado recorrente está associado a situações tais como “dar um
susto tremendo” ou “deixar os cabelos em pé”. Em quase todos os países
onde não se fala inglês o filme foi rebatizado com títulos que não
tinham nenhuma conexão com o original (por exemplo, no restante da
América Latina o título ficou sendo 007 Su
Nombre Es Peligro).
A canção não repetiu o êxito alcançado por sua
predecessora, ainda que tenha tido um bom desempenho nas paradas
de sucesso. De 1974 até 1985 (seis filmes), a fórmula musical padrão
para Bond manteve-se inalterada, inclusive
nas trilhas compostas por outros compositores, mas para este filme John
Barry incorporou um par de mudanças.
Pela primeira vez na história musical de Bond
também foi criada uma canção para os créditos finais, “If
There Was A
Man”, composta por John
Barry e a cantora Chrissie
Hynde, e interpretada por sua banda
The
Pretenders. Este tema é uma balada
romântica no mais puro estilo das canções da década de setenta. As duas
canções foram abundantemente utilizadas como padrão para a música
incidental do filme: o tema principal para acompanhar seqüências de ação
e o tema dos créditos finais para acompanhar cenas românticas. Além das
duas anteriores, John Barry se deu ao luxo
de compor uma terceira canção em parceria com
Chrissie Hynde, que também foi
interpretada pelo grupo The
Pretenders. Esta canção, “Where
Has Everybody
Gone”, foi utilizada principalmente em forma
instrumental para acompanhar as cenas em que aparecia o assassino
Necros, e circunstancialmente sua versão
cantada surgia quando este mesmo personagem a escutava em seu
walkman. Esta canção quase
poderia ser definida como diabólica, já que sua melodia e estilo de
interpretação rapidamente sugerem que estamos frente a algo maligno.
Sobre estas três canções e o “Tema de James Bond”,
baseiam-se nove dos doze temas do álbum original lançado em 1987, que
resultou em um trabalho muito satisfatório e novo em relação ao que
estávamos acostumados.
O “Tema de James Bond” continuou sendo
interpretado em sua versão sinfônica, porém em ritmo mais acelerado e
com a adição de alguns sons e acompanhamentos de sintetizador, situação
que é bastante lógica, considerando que estávamos diante da estréia de
um Bond bem mais jovem que seu antecessor.
Por muitos anos o álbum original esteve fora de catálogo, o que
dificultava sua aquisição. Em 1999 o selo RYKO
colocou à disposição do público uma nova versão desta trilha sonora,
remasterizada e com nove temas adicionais,
ou seja, toda a música do filme. Este foi um fato importante, já que até
então nenhuma trilha sonora de Bond havia
sido lançada em sua totalidade. Este mesmo processo (relançamento do
disco com músicas não incluídas na versão original) repetiu-se
posteriormente com as trilhas sonoras de Somente para os seus
Olhos (novamente pelo selo RYKO),
O Amanhã Nunca Morre e o relançamento pela
EMI/Capitol de
quinze trilhas sonoras da série, seis das quais contendo temas nunca
antes lançados. Note-se que esta versão da EMI/Capitol
de Living Daylights repete o mesmo
conteúdo da edição da RYKO, com as músicas
adicionais iniciando a partir da faixa 13.
Finalizando, John Barry despediu-se da série
em sua melhor forma, com excelente música, interessantes inovações e um
adequado uso do “Tema de James Bond”. Mas
atenção, quando falo na “despedida de Barry”,
não estou dizendo que intencionalmente o compositor tenha decidido que
este seria seu último trabalho para a série, mas sim que, por distintas
circunstâncias, ele até agora não voltou a compor para
Bond.
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