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Desde que
compôs os scores para The Mummy e The 13th Warrior,
em 1999, nenhum dos trabalhos de
Jerry Goldsmith
ganhou maior notoriedade em meio aos seus fãs. Não que suas trilhas
chegassem a decepcionar, mas como o maestro, por motivos de doença,
diminuiu consideravelmente sua produção nos últimos anos, cada novo
trabalho era esperado com grande expectativa e os novos scores
acabaram por ficar abaixo daquilo que se esperava. Looney Tunes: Back
in Action, o mais recente trabalho do compositor, foge um pouco a
essa regra. É o primeiro trabalho de Jerry Goldsmith para um filme de
Joe Dante desde Small Soldiers, de 1998, e embora não possa ser
considerada uma das obras primas do mestre, a trilha apresenta
particularidades no mínimo interessantes. É um score curto para
os padrões atuais, onde a duração dos álbuns de trilhas sonoras varia de
50 a 70 minutos. Porém, os pouco mais de 37 minutos deste CD apresentam
uma música viva e criativa, o que prova que um score não precisa
ser necessariamente longo para ser bom. Aliás, o próprio Goldsmith disse
em entrevista concedida a Edwin Black em 1999 que existe música em
excesso nos filmes atuais, e que hoje em dia ele considera a criação de
um score de 60 minutos um trabalho fácil.
Outra particularidade da partitura é a duração das faixas; nenhuma delas
sequer atinge os 4 minutos. Entretanto, ao contrário do que se possa
julgar, a curta duração das composições não impede que a música seja
adequada ao filme. Como em desenhos animados, e filmes que misturam
personagens reais com animação, tudo pode acontecer – e de fato acontece
– quase todas as faixas do score apresentam uma intensa variação
de ritmo e dinâmica, refletindo a diversidade de situações e personagens
apresentados no filme. Algumas das faixas merecem destaque. O álbum é
aberto com “Life Story”, que é na verdade o tema composto por Carl
Stalling e que é utilizado na abertura de desenhos da Warner, onde são
caracterizados muitos dos personagens que aparecem no filme. "What's Up",
a faixa seguinte do álbum, é basicamente uma apresentação do tema
principal do score, tema esse que é executado inicialmente em
guitarra e posteriormente em tuba e violinos. Porém, já nessa faixa
pode-se ouvir trechos em percussão e xilofones, além dos tradicionais
sons incomuns que Goldsmith utiliza com muita freqüência em filmes de
Joe Dante, combinação que dá caráter cômico à trilha
e que se faz presente em quase todas as faixas do álbum.
Uma das faixas mais versáteis da partitura é “Out of the Bag”. Nela
ouve-se pela primeira vez o tema de espionagem criado para o pai de
Bobby Delmont (Brendan Fraser), interpretado pelo ex-James Bond Timothy
Dalton. Executado inicialmente em baixo, percussão e teclados, o tema
ocorre em 3 momentos distintos da faixa. A ele intercalam-se o tema
principal e diversas seqüências alternando música suave -
sempre com um tom de comicidade - e música de ação. O tema de
espionagem surge pela última vez executado em guitarra e antecede o
trecho final onde violinos, baixos e sopros levam à execução do tão
conhecido e divertido tema de Gremlins. “The Bad Guys” é uma das
melhores faixas do álbum, que se inicia em ritmo de blues mas
rapidamente a orquestra se incorpora à música, e um
novo tema é introduzido na partitura - tema esse que caracterizará os
momentos de ação do filme. Uma curiosidade: nessa faixa há algumas
seqüências em xilofone e piano que nos fazem lembrar de O Carnaval
dos Animais de Camille Saint-Saens. O tema de ação introduzido nessa
faixa é um dos melhores de todo o álbum. A seqüência final,
executada em flautas e violinos contra a percussão com notas em
contra-tempo, é simplesmente sensacional. “Car Trouble”, faixa seguinte
do álbum, faz uso intenso desse tema.
“Paris Street” marca uma mudança no estilo do score. A faixa se
desenvolve no clássico estilo francês, executado em acordeom mantendo
uma atmosfera suave, quase romântica, em toda a sua duração.
Curiosamente, a faixa termina com a diminuição do volume, coisa nada
comum em um score orquestrado. “Free Fall” e
“Tasmanian Devil” remetem a trilha a uma atmosfera mais dramática. Em
ambas há uma predominância do uso de tímpanos, com notas curtas de
sopros e cordas. Em “Jungle Scene” a percussão e longas notas em cordas
formam a base sobre a qual se destacam as flautas num estilo semelhante
à trilha de Congo. Uma breve seqüência em tuba antecede uma
reprise do tema principal em sopros e cordas, mas aqui o tema é
apresentado em uma atmosfera mais séria. “Pressed Duck” traz o score
de volta às suas origens. Ainda sem toda sua atmosfera cômica, o tema
principal é reprisado várias vezes em guitarra, flautas e clarinetes. Há
também uma reprise do tema de ação introduzido em “The Bad Guys” e do
tema de espionagem, esse marcando o término da faixa. A penúltima faixa
– última composta por Goldsmith – é “Re-Assembled”. São apenas 50
segundos de música, introduzidos em fagote e violinos, seguidos de uma
reprise do tema apresentado em “Tasmanian Devil” e encerrando-se com uma
divertida seqüência em violinos e piano.
Assim como na abertura, o encerramento do álbum também apresenta um tema
utilizado nos desenhos da Warner. “Merry Go Round Broke Down”, composta
por Cliff Friend e David Franklin, é aquela clássica música que toca
enquanto o Gaguinho surge na tela dizendo “Por enquanto é só pessoal”.
São os últimos 16 segundos de música do score, mas quem tiver um
pouco de paciência e deixar o CD tocando vai poder ouvir um coro
feminino cantando “Wall-Mart values”. Essa foi uma brincadeira
introduzida no álbum por causa de um momento explícito de
merchandising no filme, onde Patolino, Pernalonga e companhia
encontram um Wall-Mart bem no meio deserto. Tudo sugere que isso tenha
sido idéia de Joe Dante. Se “Looney Tunes Back in Action” não chega a
ser uma obra prima por não ter orquestrações complexas e uma estrutura
musical mais elaborada, a música é criativa, alegre, adequada ao filme
e, principalmente, é rica e bem construída o bastante para ter vida em
si mesma. Parece que o velho Goldsmith encontrou novas energias ao
trabalhar novamente com Joe Dante. Vamos torcer para que essa mesma
inspiração apareça em seus futuros trabalhos.
That’s all folks!
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