LOONEY TUNES: BACK IN ACTION
Música composta e regida por
Jerry Goldsmith

Selo:
Varèse Sarabande
Catálogo:
302 066 523 2
Ano: 2003

Faixas:
1. Life Story 
2. What's Up?
3. Another Take 
4. Dead Duck Walking 
5. Out Of The Bag 
6. Blue Monkey 
7. In Style 
8. The Bad Guys 
9. Car Trouble 
10. Thin Air 
11. Area 52 
12. Hot Pursuit 
13. We've Got Company 
14. I'll Take That 
15. Paris Street 
16. Free Fall 
17. Tasmanian Devil 
18. Jungle Scene 
19. Pressed Duck 
20. Re-assembled 
21. Merry Go Round Broke Down
Duração: 37:18
Cotação:

Comentário de
Renato Veneroso

 

Desde que compôs os scores para The Mummy e The 13th Warrior, em 1999, nenhum dos trabalhos de Jerry Goldsmith ganhou maior notoriedade em meio aos seus fãs. Não que suas trilhas chegassem a decepcionar, mas como o maestro, por motivos de doença, diminuiu consideravelmente sua produção nos últimos anos, cada novo trabalho era esperado com grande expectativa e os novos scores acabaram por ficar abaixo daquilo que se esperava. Looney Tunes: Back in Action, o mais recente trabalho do compositor, foge um pouco a essa regra. É o primeiro trabalho de Jerry Goldsmith para um filme de Joe Dante desde Small Soldiers, de 1998, e embora não possa ser considerada uma das obras primas do mestre, a trilha apresenta particularidades no mínimo interessantes. É um score curto para os padrões atuais, onde a duração dos álbuns de trilhas sonoras varia de 50 a 70 minutos. Porém, os pouco mais de 37 minutos deste CD apresentam uma música viva e criativa, o que prova que um score não precisa ser necessariamente longo para ser bom. Aliás, o próprio Goldsmith disse em entrevista concedida a Edwin Black em 1999 que existe música em excesso nos filmes atuais, e que hoje em dia ele considera a criação de um score de 60 minutos um trabalho fácil.

Outra particularidade da partitura é a duração das faixas; nenhuma delas sequer atinge os 4 minutos. Entretanto, ao contrário do que se possa julgar, a curta duração das composições não impede que a música seja adequada ao filme. Como em desenhos animados, e filmes que misturam personagens reais com animação, tudo pode acontecer – e de fato acontece – quase todas as faixas do score apresentam uma intensa variação de ritmo e dinâmica, refletindo a diversidade de situações e personagens apresentados no filme. Algumas das faixas merecem destaque. O álbum é aberto com “Life Story”, que é na verdade o tema composto por Carl Stalling e que é utilizado na abertura de desenhos da Warner, onde são caracterizados muitos dos personagens que aparecem no filme. "What's Up", a faixa seguinte do álbum, é basicamente uma apresentação do tema principal do score, tema esse que é executado inicialmente em guitarra e posteriormente em tuba e violinos. Porém, já nessa faixa pode-se ouvir trechos em percussão e xilofones, além dos tradicionais sons incomuns que Goldsmith utiliza com muita freqüência em filmes de Joe Dante, combinação que dá caráter cômico à trilha  e que se faz presente em quase todas as faixas do álbum.

Uma das faixas mais versáteis da partitura é “Out of the Bag”. Nela ouve-se pela primeira vez o tema de espionagem criado para o pai de Bobby Delmont (Brendan Fraser), interpretado pelo ex-James Bond Timothy Dalton. Executado inicialmente em baixo, percussão e teclados, o tema ocorre em 3 momentos distintos da faixa. A ele intercalam-se o tema principal e diversas seqüências alternando música suave -  sempre com um tom de comicidade - e música de ação. O tema de espionagem surge pela última vez executado em guitarra e antecede o trecho final onde violinos, baixos e sopros levam à execução do tão conhecido e divertido tema de Gremlins. “The Bad Guys” é uma das melhores faixas do álbum, que se inicia em ritmo de blues mas rapidamente a orquestra se incorpora  à música, e um novo tema é introduzido na partitura - tema esse que caracterizará os momentos de ação do filme. Uma curiosidade: nessa faixa há algumas seqüências em xilofone e piano que nos fazem lembrar de O Carnaval dos Animais de Camille Saint-Saens. O tema de ação introduzido nessa faixa é um dos melhores de todo o álbum. A seqüência final,  executada em flautas e violinos contra a percussão com notas em contra-tempo, é simplesmente sensacional. “Car Trouble”, faixa seguinte do álbum, faz uso intenso desse tema.

“Paris Street” marca uma mudança no estilo do score. A faixa se desenvolve no clássico estilo francês, executado em acordeom mantendo uma atmosfera suave, quase romântica, em toda a sua duração. Curiosamente, a faixa termina com a diminuição do volume, coisa nada comum em  um score orquestrado. “Free Fall” e “Tasmanian Devil” remetem a trilha a uma atmosfera mais dramática. Em ambas há uma predominância do uso de tímpanos, com notas curtas de sopros e cordas. Em “Jungle Scene” a percussão e longas notas em cordas formam a base sobre a qual se destacam as flautas num estilo semelhante à trilha de Congo. Uma breve seqüência em tuba antecede uma reprise do tema principal em sopros e cordas, mas aqui o tema é apresentado em uma atmosfera mais séria. “Pressed Duck” traz o score de volta às suas origens. Ainda sem toda sua atmosfera cômica, o tema principal é reprisado várias vezes em guitarra, flautas e clarinetes. Há também uma reprise do tema de ação introduzido em “The Bad Guys” e do tema de espionagem, esse marcando o término da faixa. A penúltima faixa  – última composta por Goldsmith – é “Re-Assembled”. São apenas 50 segundos de música, introduzidos em fagote e violinos, seguidos de uma reprise do tema apresentado em “Tasmanian Devil” e encerrando-se com uma divertida seqüência em violinos e piano.

Assim como na abertura, o encerramento do álbum também apresenta um tema utilizado nos desenhos da Warner. “Merry Go Round Broke Down”, composta por Cliff Friend e David Franklin, é aquela clássica música que toca enquanto o Gaguinho surge na tela dizendo “Por enquanto é só pessoal”. São os últimos 16 segundos de música do score, mas quem tiver um pouco de paciência e deixar o CD tocando vai poder ouvir um coro feminino cantando “Wall-Mart values”. Essa foi uma brincadeira introduzida no álbum por causa de um momento explícito de merchandising no filme, onde Patolino, Pernalonga e companhia encontram um Wall-Mart bem no meio deserto. Tudo sugere que isso tenha sido idéia de Joe Dante. Se “Looney Tunes Back in Action” não chega a ser uma obra prima por não ter orquestrações complexas e uma estrutura musical mais elaborada, a música é criativa, alegre, adequada ao filme e, principalmente, é rica e bem construída o bastante para ter vida em si mesma. Parece que o velho Goldsmith encontrou novas energias ao trabalhar novamente com Joe Dante. Vamos torcer para que essa mesma inspiração apareça em seus futuros trabalhos. That’s all folks!

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