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"A Man
Called Peter é uma crônica saudável e espiritual da vida de Peter
Marshal, um imigrante escocês que foi promovido à posição de capelão no
senado dos Estados Unidos”; esta é uma breve descrição dada sobre o
filme, para o qual a música deste CD foi escrita, retirada de seu
encarte; mas simplificadamente, usando apenas duas palavras, posso dizer
que este CD é “Divino e Amoroso”, no sentido mais profundo e sensível
destas palavras. A Man Called Peter é notável por ser um dos
poucos filmes que negociou com os interesses Protestantes a ideologia
Católica. Foi um épico religioso e como tal exigiu uma música elegíaca,
profunda, sagrada... e
Alfred Newman, já há muito tarimbado em fazer trilhas sonoras de
filmes religiosos, fez tudo isto e, ainda, acrescentou romance e poesia
nesta obra grandiosa da música, pouco divulgada, mas muito importante
para o cinema por sua polêmica temática de cunho religioso, raramente
explorada com sucesso. Diferentemente dos outros filmes religiosos para
os quais Newman compôs, como The Keys of Kingdom, The Song of
Bernadette, The Robe, David and Batsheba e Greatest Story Ever
Told, A Man Called Peter é “filtrado” pelas experiências
contemporâneas, especialmente aquelas que causam decepção diante de
eventos bíblicos diferentes dos esperados. Talvez A Canção de
Bernadette seja a trilha mais similar das citadas, neste sentido.
Segundo Lukas Kendal, o produtor do CD, a única música que revela
a tendência de Peter para os seus “momentos celestiais” é,
particularmente, a faixa 3 – “The Revelation” - mas em toda a sua música
para este filme Newman se concentrou na “beleza do espírito humano” e no
Amor Terrestre, que tão bem consegue expressar e cativar através de
temas orquestrais e de “canções de igreja”, estas últimas, todas
arranjadas e supervisionadas pelo competente Ken Darby, algumas delas
com um espírito muito mais “popular americano” que “religioso”. O lado
mais humano e romântico da trilha sonora é representado pelo tema para a
esposa de Peter, Catherine Marshal. Esta melodia de amor permeia toda a
trilha sonora temperando-a com a doçura necessária a um apaixonante
concerto cinematográfico, feito de belíssimos solos de um violino que
quase leva a assinatura de Alfred Newman. Como é comum em suas trilhas
mais belas, brilham estes solos de um violino mais “melódico” que os de
hoje, criando uma atmosfera amorosa tão delicada que toda a orquestra,
por vezes, silencia para que estas sentidas cadências possam ser ouvidas
sem disputa ou mesmo sem diálogos que diminuam suas participações, nem
tanto celestiais, mas profundamente emocionantes.
Curiosamente, o tema de Catherine já havia aparecido com algumas
pequenas diferenças em filmes memoráveis como O Pássaro Azul (The
Blue Bird, 1940), A Malvada (All About Eve, 1942) e
Sob o signo do Sexo (Leave Her to Heaven, 1945) todos com
música de Newman. Além disso o “American Theme” que aperece nas faixas
15, 16 e 34 ("Washington, D.C."; "The Lincoln Memorial" e "Our New
Chaplain") também já havia aparecido em filmes como Young Mr. Lincoln
(1939), no próprio The Blue Bird e em How The West Was Won
(1962). E para completar Newman também reusou o tema de nome “Soliloquy”,
faixa 29 no filme O Falso Traidor (The Counterfeit Traitor,
1962). Considerando o fato de Newman ter feito perto de 250 trilhas
sonoras, repetir alguns temas é no mínimo aceitável. No ano em que este
filme foi exibido Alfred Newman recebeu o Oscar por Suplício de uma
Saudade (Love is a Many Splendored Thing). Como se não
bastassem as qualidades românticas e religiosas da música de Alfred
Newman para este filme, há ainda uma leve influência escocesa dando aos
temas um caráter ainda mais lírico e poético. Vale a pena adquirir um
exemplar deste CD, que, sendo uma edição limitada (3.000 cópias), um dia
se esgotará... e, ao meu ver, este é um dos melhores já lançados pela
Film Score Monthly. |