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O CD da FSM
de A Guide for the Married Man, uma antiga comédia
realizada pelo lendário Gene Kelly e protagonizada pelo falecido Walter
Matthau (a quem a disco é dedicado), surgiu apenas no verão de 2000. Mas
a espera valeu a pena. Não sendo um dos trabalhos memoráveis de
Williams, a música para esta comédia pertence ao mesmo universo que os
trabalhos de Henry
Mancini para Blake Edwards. Ainda assim, o jovem
Johnny Williams não
fica à sombra de Mancini, criando um trabalho que sugere a comédia mas
que noutros momentos parece extremamente sério. Quase toda a música tem
um tom quase balletico, sem dúvida derivado da forma de Kelly
filmar. Há outras influências na música, nomeadamente uma passagem que
faz lembrar o tema de James Bond ("The Globetrotters"), mas o Williams
que todos conhecemos hoje já era visível, mesmo por debaixo de todas
estas influências.
Isso é notório logo na canção de abertura, com letras de Leslie Bricusse,
da qual há duas gravações distintas, nas faixas 1 e 3. A primeira é
interpretada pelos The Turtles, e faz fade-out para uma curta
passagem orquestral. A segunda é interpretada por um coro dos estúdios
de Hollywood. A certa altura Williams cria uma modulação na linha do
coro, habitual no seu estilo de compor mais recente e maduro. O tema da
canção é simpático e fica no ouvido, enquanto Bricusse providência uma
letra igualmente inteligente e divertida. Visto o filme ser uma sucessão
de sketches, onde vários maridos infiéis contam as suas aventuras
(onde são invariavelmente apanhados pelas esposas traídas) a Matthau, a
música não apresenta uma grande unidade temática, mas toda a partitura é
unida pela qualidade estética da música, misturando de forma inteligente
estilos dispares, como acontece logo na faixa 2 "Prologue/Off to Work".
Uma seção inicial sugere os tempos antigos com uma melodia de influência
arábica, passando depois por uma breve fanfarra Rózsiana, aludindo ao
império romano, avançando para uma variação barroca no cravo e flauta, e
concluindo com guitarra elétrica, bateria e seção de metais. Isto tudo
apenas para apresentar uma animação para os créditos de abertura, que
descreve a história da infidelidade marital. Muito disto aplica-se à
partitura como um todo. Mas apesar disso há alguns motivos musicais que
se repetem e acompanham todas estas peripécias.
Duas curiosidades ficam em "Piano Bar", source music para piano
solo, que o próprio Williams interpreta (e deixa ver como o compositor
era de fato mais do que apenas um pianista competente) e "TV Music", já
na seção das faixas bônus, que segundo a cue sheet do filme foi
composta por Frank DeVol. As últimas nove faixas são então os bônus, que
foram para aqui remetidos por serem versões alternativas, por terem sido
excluídas do filme ou por se encontrarem danificadas. Um disco
simpático, principalmente para os apreciadores do Mancini Sound,
aqui com o toque do jovem Johnny Williams. Como sempre os valores de
produção são cinco estrelas. |