MISSION: IMPOSSIBLE 3
Música composta por Michael Giacchino, regida por Tim Simonec


Selo: Varèse Sarabande
Catálogo:
302 066 733 2
Ano: 2006

Faixas:
1. Mission Impossible Theme
2. Factory Rescue
3. Evacuation
4. Helluvacopter Chase
5. Special Agent Lindsey Farris
6. Ethan and Julia
7. Humpty Dumpty Sat On a Wall
8. Masking Agent
9. Voice Capture
10. See You In the Sewer
11. Davian's Brought In
12. Bridge Battle
13. Davian Gets the Girl
14. IMF Escape
15. Disguise the Limit
16. Shang Way High
17.The Chutist
18. Hunting for Jules
19.World's Worst Last 4 Minutes to Live
20.Reparations
21. Schifrin & Variations
Duração: 64:50

Cotação:


Comentário de
J
orge Saldanha

 

Dizem que Tom Cruise escolheu J. J. Abrams como diretor de Missão Impossível: 3 após assistir a primeira temporada da série de TV Alias. Se isso de fato aconteceu, foi uma jogada esperta de Cruise, já que a maioria dos produtores e realizadores do “cinemão” atual fecham os olhos ao óbvio e insistem em despejar o mesmo monte de porcarias nas telas. A obviedade no caso é que Alias, criação de Abrams, era uma ótima reciclagem dos filmes de espionagem e da própria série original de Missão Impossível, e logicamente seu criador/roteirista/diretor seria mais do que adequado para comandar a nova aventura da Impossible Mission ForceIMF. Cruise, portanto, teve o mérito de render-se a esta clara evidência. E já a bordo do projeto, Abrams trouxe consigo alguns dos seus habituais colaboradores de Alias e Lost, entre eles seu compositor habitual, Michael Giacchino.

Falando em reciclagem, ela pode se aplicar também à música do competente Giacchino, que iniciou sua carreira emulando o estilo de John Williams em games da série Medal of Honor, inspirada em O Resgate do Soldado Ryan, de Spielberg; em
Alias, suas trilhas muitas vezes soavam como as dos filmes de 007; seu primeiro score para o cinema foi Os Incríveis, uma caprichada recriação das trilhas de John Barry para James Bond; e finalmente em MI3, sem surpresa, ele fez um trabalho de respeito com os temas originais do maestro Lalo Schifrin (e também com suas composições próprias, sejamos justos). Prova de que às vezes, apesar do "nada se cria, tudo se transforma", se houver talento o resultado final pode ser atraente e até, no que parece ser uma contradição, criativo. Mesmo assim, às vezes se poderia não apenas reciclar, mas apelar para o original mesmo, quando possível. O setentão Lalo Schifrin ainda está vivo e trabalhando, bem que a partitura do provável MI4 poderia ser entregue a ele. Afinal, a reciclagem pode até ter um bom gosto, mas nunca será melhor que o original...

Mas dito tudo isso, vamos tratar da trilha sonora que Giacchino providenciou para a nova aventura do agente Ethan Hunt. Essencialmente orquestral, sua característica maior é ser energética, quase integralmente dedicada à ação, o que durante os 65 minutos de duração do CD poderá eventualmente cansar o ouvinte. O que inicialmente chama a atenção é a perfeita e inteligente integração da música original de Schifrin ao score – no caso, não apenas do famoso tema da série, mas também de outro que era muito recorrente e que Danny Elfman utilizou parcialmente na sua partitura para o filme de 1996: "The Plot". O CD inicia com uma versão arrebatadora do tema principal de Schifrin, esplendidamente interpretado pelos 112 instrumentos da Hollywood Studio Symphony. O arranjo de Giacchino deu um tom mais sombrio à composição, nesta e em suas outras aparições ao longo do score. "The Plot"  surge no disco em "Factory Rescue", servindo de transição para o novo tema que Giacchino criou para a IMF. A trilha segue repleta de ação, ostinatos agitados e tensão, até que o ouvinte pode respirar um pouco em "Special Agent Lindsey Farris", uma composição suave para cordas e trompa. O repouso segue com o tema de amor "Ethan and Julia", que somente retornará no fim do álbum em "Reparations", uma melodia baseada em piano similar a seu trabalho premiado para a série Lost.

Mas até lá, a partitura segue dominada por ação e tensão ininterruptas, com o tema de Schifrin sendo destacado em algumas ocasiões, em outras surgindo de modo sutil. O tema de Giacchino da IMF também se faz presente, num contraponto entre o velho e o novo. Destaque para as faixas "Humpty Dumpty Sat on a Wall", "Masking Agent", "Voice Capture" e "See You in the Sewer" - esta com uma versão do tema de Schifrin acompanhada de metais no estilo James Bond. O vilão Owen Davian (Philip Seymour Hoffman) também recebe seu motivo, um ostinato introduzido na tensa "Davian's Brought In" e que retorna na climática "Bridge Battle". Para as cenas em Xangai Giacchino passa ao largo dos clichês da música asiática, e segue investindo na tensão e na alta voltagem em faixas como "Shang Way High" e "Hunting for Jules". Em "World's Worst Last 4 Minutes to Live" o compositor utiliza o motivo de Davian e uma variação em metais do tema da IMF, e finalmente na já citada "Reparations" o ouvinte novamente terá um merecido descanso com piano e cordas suaves.

A última faixa do disco não é ouvida no filme, e trata-se na verdade de um bônus: "Schifrin & Variations" é uma suíte de demonstração que o compositor criou em novembro de 2005, apresentando o tema de Schifrin e uma composição em cordas que ele acabou não utilizando no score final. Ainda que omitindo quase 30 minutos da trilha original gravada, o CD da Varèse Sarabande é uma sólida representação deste trabalho, com 65 minutos de duração, e sem dúvida inclui seus melhores momentos. Até poderia ser mais curto, em razão de não variar muito em sua ação quase contínua. Mas não se pode criticar Giacchino sobre isso, uma vez que a música reflete exatamente o que é o filme.

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