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Para a
alegria de seus fãs e desespero de seus detratores, o ex-Oingo Boingo
Danny Elfman
continua a ser um dos mais requisitados compositores do "cinemão" de
Hollywood. Isso foi muito bem comprovado em 2002 por seus trabalhos em
produções de grande visibilidade e repercussão, como Homem-Aranha,
Dragão Vermelho e este Homens de Preto II. A Sony, por sua
vez, surpreendeu ao optar por lançar somente um CD com duas canções e
dominado pelo score de Elfman, já que tem sido hábito da
gravadora produzir inicialmente uma coletânea pop e depois, caso
o filme seja sucesso, um disco com a música incidental. Sobre o filme
não há muito a dizer, exceto que o cãozinho pug Frank consegue ter um
desempenho muito superior aos de Will Smith e Tommy Lee Jones. Quanto à
música, Elfman não inova muito, mantendo a linha musical do filme
original. No entanto, o que fica comprovado é que Elfman ao compor está
ficando cada vez menos temático. Não que ele não mais componha temas,
mas estes agora são motivos esparsos que tornam-se difíceis de serem
memorizados pelo ouvinte em poucas audições (caso típico: Spider-Man).
Estruturalmente, a trilha para MIB II faz um uso bem mais
intensivo do tema composto
para o filme de 1997
.
Isso é, ao mesmo tempo, um ponto contra e a favor do trabalho. Por um
lado muitos poderão ficar aborrecidos pela repetição, já que
virtualmente cada faixa do score apresenta uma variação do tema;
por outro isso é bom, porque este tema memorável é uma das boas criações
de Elfman, e ajuda a dar a esta trilha a coesão que faltou à partitura
original. As linhas principais do score são o "bondiano" "Do
do....do do" mais associado a K (Jones), e a melodia em guitarra
dedicada a J (Smith), ouvida com maior inspiração na metade de "J Nabbed/K's
Back", e novamente bem utilizada próximo ao final de "The Light". Comprovando
a tese de que os novos temas de Elfman são para lá de discretos, é
difícil de se encontrar um tema para a vilã Serleena. Em "Titles" Elfman
lança mão de seu habitual coral feminino para marcar a transformação do
alienígena na magérrima Lara Flynn Boyle. Em "Chop-Chop", depois de
assistir ao filme e vinculando a cena à música, você no máximo tem uma
"sensação de presença" da vilã.
A coisa melhora quando passamos ao romance - não que haja um grande
romance lá, mas de qualquer modo Elfman providenciou uma delicada
composição em "Heart Thump", com piano, flauta e cordas, para
representar o interesse romântico de J. "The Chase" é uma faixa típica
de Elfman, com sintetizadores, bongôs e orquestra ditando o ritmo. "The
Light", um dos pontos altos do score, nos dá mais uma variação do
tema de MIB, porém aos 25 segundos acalma-se e torna-se bem
melodiosa, com um agradável uso do coral. Após temos mais uma vez o tema
romântico de J e Laura, interrompido por um motivo para a reaparição de
Serleena. A música acalma-se mais uma vez, retornando ao tema de amor e
então os violinos em crescendo nos levam ao final explosivo que parece
encerrar todos os scores de Elfman. Há duas sessentistas faixas
de source music, "Worm Lounge # 1 (Worms in Black)" e "Worms
Lounge # 2", com xilofone, flauta, bongôs, o coral feminino, metais e
tudo a que uma boa música lounge tem direito.
Para encerrar o CD temos duas canções: o clássico de Gloria Gaynor
"I Will Survive" interpretado pelo cão Frank (melhor dizendo por seu
dublador, Tim Blaney) e o rap "Black Suits Comin´(Nod ya Head)",
por Will Smith, sem dúvida a principal razão para o lançamento no
Brasil deste CD que de resto é eminentemente score. Em suma, uma
trilha sonora interessante de ouvir e que pode ser adquirida sem que
corramos o risco de ficarmos com nossos bolsos vazios... |