MONSTER
Music From & Inspired By the Film (CD & DTS DVD)

Música composta por BT


Selo: DTS Entertainment
Catálogo:
DTS 92860
Ano: 2004

Faixas:
Disco: 1 (DVD)
1. The Unbalanced Equation
2. Childhood Montage 
3. A Small Sacrifice 
4. Girls Kiss 
5. Virtue
6. The Bus Stop 
7. Dark Lines 
8. Turning Tricks 
9. First Kill 
10. Set And Setting
11. Job Hunt 
12. Contemplation
13. Bad Cop  
14. Highest Common Denominator
15. "Call Me Daddy" Killing
16. I Don't Like It Rough
17. Ferris Wheel
18. Trigger Finger
19. Ditch The Car
20. Madman Speech 
21. Cop Killing  
22. Bus Goodbye 
23. News On TV 
24. Courtroom 
Disco: 2 (CD)
1. Childhood Montage 
2. Girls Kiss 
3. The Bus Stop 
4. Turning Tricks 
5. First Kill 
6. Job Hunt 
7. Bad Cop 
8. "Call Me Daddy" Killing 
9. I Don't Like It Rough 
10. Ferris Wheel 
11. Ditch The Car 
12. Madman Speech 
13. Cop Killing 
14. News On TV 
15. Courtroom
Duração: 74:54 (CD)
 
Cotação:

Comentário de
J
orge Saldanha

 

BT é um compositor que, antes de Monster – Desejo Assassino, era mais conhecido por seu score para Velozes e Furiosos (2001). Pioneiro da música trance, cuja carreira começou com seu treinamento em música clássica na Faculdade de Música de Berklee, o que lhe deu condições de reger grandes orquestras para projetos cinematográficos, BT também compôs as partituras de filmes como Under Suspicion e Go and Driven. Ele também é conhecido por ter produzido gravações de artistas pop, entre eles NSYNC e Britney Spears, e versões remix de Madonna, Lenny Kravitz, Korn e Seal, além de já ter trabalhado com Sting e Peter Gabriel. Por seu currículo tão variado, a roteirista/diretora Patty Jenkins escolheu BT para criar um score diferente para o filme que deu à Charlize Theron seu Oscar de Melhor Atriz. Quando discutem sobre Monster, as pessoas normalmente destacam a impressionante transformação física de Theron para interpretar a serial killer Aileen Wuornos, relegando a um segundo plano aspectos ligados a roteiro, direção e mesmo à trilha sonora. O que é de se lamentar, já que se tratam de aspectos importantes não só para o filme em si, mas para a cinematografia de um modo geral.

Especificamente quanto à música, como o grande
Bernard Herrmann costumava dizer, "O filme necessita o cimento da música. Eu nunca vi um filme ficar melhor sem ela". Dizem que a boa música incidental deve ser invisível, penetrando no subconsciente do espectador sem que atraia atenção para a sua presença. Talvez isto seja verdade em alguns casos, mas também há o inegável fato de que um score que se destaca, perceptivelmente aumenta o envolvimento do espectador com a narrativa. Tente imaginar Um Corpo que Cai sem a obra-prima musical de Herrmann, ou O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei sem qualquer trilha incidental – como resultado, teríamos filmes enfraquecidos pela ausência de magníficas composições. Certamente o trabalho de BT está longe de estar à altura destas obras, mas de qualquer modo este lançamento da trilha original de Monster é único não somente pelos méritos de sua música, mas também pela forma com que ela foi concebida e interpretada. BT optou por conceitualizar e gravar o score no sistema DTS Surround em 5.1 canais de áudio, utilizando o formato para imergir o ouvinte nos tons que ele criou para ressaltar o clima pesado e sombrio do filme. Adicionalmente, métodos musicais atípicos foram usados para tentar complementar a psiquê de Aileen Wuornos. Uma das decisões criativas dignas de nota é a inclusão de um instrumento musical do século XV chamado Vielle à Roue, também conhecido como hurdy-gurdy. Este exótico instrumento, em combinação com piano, guitarras, cordas e acompanhamento eletrônico, imprimiu um estilo próprio à trilha sonora.

A música oferece ao ouvinte trechos sinistros contendo ruídos e sons atonais (como em "The Unbalanced Equation"), além de camadas e texturas sutis que BT constrói sobre um tema simples. A faixa "Bad Cop" inicia quietamente mas com tonalidades sombrias, apresentando piano,
hurdy-gurdy, guitarras, percussão e sons eletrônicos, em um bom exemplo dos muitos sons experimentais projetados para o score. A música gradualmente cerca o ouvinte, canal por canal, ficando cada vez mais sombria e ameaçadora. Mesmo que não veja as imagens, o ouvinte tem uma forte impressão da cena graças ao senso de ameaça expressado pela música. "Bus Goodbye" é uma faixa ambiental, fantasmagórica, que faz uso extensivo e integrado dos canais surround, fruto dos elementos avant-garde que foram desenvolvidos enquanto o projeto era discutido pela diretora Jenkins, o compositor e até mesmo pela estrela Theron. Por outro lado, "Childhood Montage", a lírica faixa inicial, é uma melodia mais comum, porém mesmo neste tema a música (que me lembra um pouco o estilo do grupo Tangerine Dream) transmite ao ouvinte o triste senso do sofrimento e do destino de Wuornos. Mas também há momentos ternos, como em "Ferris Wheel", tema romântico com linhas melódicas inspiradas na música tradicional norte-americana, porém com instrumentação nada tradicional.

O álbum duplo contém um CD estéreo com
74 minutos da trilha original, além de um DVD com mais de duas horas de score, e composições originais de BT e vários extras em áudio e vídeo, tudo apresentado com excelente áudio DTS 5.1 Surround. Se a primeira impressão é a de que ouvir a mais de duas horas de música seria uma experiência que se tornaria rapidamente monótona, a verdade é que esta trilha sonora possui muito a ser absorvido em várias audições. Sob o aspecto técnico e sensorial, o áudio DTS é, como já dito, excelente, com instrumentos emanando de todas as direções e criando um campo sonoro envolvente. Através do menu animado do DVD, temos acesso individual a 24 faixas do score e a alguns extras interessantes: texto de introdução (que são as mesmas notas de produção contidas no encarte), biografia de elenco e equipe, trailer de cinema e galeria de fotos. Contudo, o melhor extra é uma entrevista de quinze minutos com BT e Patty Jenkins. A entrevista, assim como os demais extras, é apresentada em widescreen anamórfico com opção de áudio em DTS 5.1 ou PCM estéreo. Nela, compositor e diretora discutem suas colaborações na criação da música, fornecem uma interessante análise do score e de como seus temas são utilizados no filme.

Já a seção
Film Mixing Demo oferece ao espectador a opção de ouvir a três grupos de áudio extraídos do filme: "Dialogue", "Effects", e "Music". Pode-se isolar qualquer um deles, ou escolher uma combinação dos três para descobrir a importância de cada um deles na mixagem final. É um exemplo perfeito da importância crucial da música no impacto provocado por um filme. Finalizando o material suplementar, Re-mix é um desafio online para remixar os principais temas de BT para Monster. Mais informações podem ser obtidas inserindo-se o DVD no drive de DVD-ROM do seu computador, ou acessando um site especial. Após ter ouvido e assistido a todo o conteúdo deste lançamento, só posso concluir que este é o modo ideal de lançar a trilha sonora de um filme: uma versão estendida no formato de áudio do cinema, em 5.1 canais, mas também oferecendo um segundo disco contendo uma versão reduzida com áudio PCM em 2 canais, compatível com qualquer CD player (já que nem todos fãs de música de cinema possuem equipamento 5.1 ou DTS). Espero que BT: Music From & Inspired by the Film Monster seja o primeiro de uma série, e que sirva de exemplo para futuros lançamentos de trilhas sonoras.

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