MOONRAKER
Música composta por
John Barry

Selo:
EMI/Capitol
Catálogo:
41425
Ano: 2003

Faixas:
1. Moonraker: Main Title - Shirley Bassey 
2. Space Lazer Battle 
3. Miss Goodhead Meets Bond 
4. Cable Car And Snake Fight
5. Bond Lured To Pyramid 
6. Flight Into Space 
7. Bond Arrives In Rio And Boat Chase 
8. Centrifuge And Corrinne Put Down 
9. Bond Smells A Rat 
10. Moonraker: End Title - Shirley Bassey

Duração: 30:52
Cotação:


Comentário de
Hugo Moya Arancibia

 

Após a relativa desaprovação que teve a música incidental de 007 - O Espião que me Amava (The Spy Who Loved Me), John Barry foi novamente convocado para compor a trilha sonora de um dos mais controvertidos filmes da série, 007 contra o Foguete da Morte (Moonraker). Moonraker é o nome com que Ian Fleming batizou um míssil em seu livro de mesmo nome, e que posteriormente no filme foi utilizado para denominar um ônibus espacial. O relevante é que este nome não possui qualquer significado. Como conseqüência, John Barry teve de enfrentar o mesmo problema ocorrido em 007 Contra a Chantagem Atômica (Thunderball) para compor a canção principal. Desta vez, a difícil missão de escrever a letra da canção foi do compositor Al David (que já havia participado da série, sendo o co-autor da canção “We Have All The Time in The World”, de 007 A Serviço Secreto de Sua Majestade). Ao ler a letra desta canção, muitos irão achá-la sem sentido, no entanto, considerando que o motivo principal da canção é um conceito inexistente, aparentemente a missão foi cumprida dignamente. Bem diferente é o aspecto musical desta canção, já que se trata de uma melodia realmente belíssima, que é mais valorizada com a doce e firme interpretação de Shirley Bassey, que retornou pela terceira e última vez para cantar uma canção de Bond. A canção é uma balada suave que não tem momentos de grande intensidade, e talvez seja essa carência que a faz tão doce e agradável de ouvir. Além disso, é um prazer escutar Bassey interpretando temas mais melódicos.

Uma das causas da popularidade de John Barry são suas composições para Bond, ainda que a música criada por Barry para a série fosse uma espécie de exceção, relativamente ao tipo de música que ele habitualmente compunha para outros filmes. Este estilo se caracterizava por ser extremamente melódico, harmonioso e pausado, provavelmente um tanto repetitivo, mas igualmente belo. Barry era capaz de compor para qualquer tipo de filmes sem afastar-se significativamente desta regra musical. Talvez as expressões máximas deste estilo de composição sejam encontradas nas trilhas sonoras ganhadoras do Oscar Entre dois Amores e Dança com Lobos, bem como na belíssima e aclamada Em Algum Lugar do Passado. Provavelmente, um ouvinte não muito familiarizado com o compositor poderia supor que estas três trilhas sonoras corresponderiam ao mesmo filme. De fato, como dado anedótico, lembrei de que minha irmã uma vez me comentou “como é longo o disco que você está ouvindo”, quando na realidade havia escutado três! Este exemplo pode refletir o estilo uniforme de Barry, o qual torna tão fácil reconhecer uma trilha sonora por ele composta. Outros destacados exemplos deste estilo são: Robin e Marian, O Especialista, Chaplin, Proposta Indecente, etc. Como já disse, a música para Bond se afastava um tanto deste estilo, mas houve uma exceção: Moonraker. Na época, esta talvez tenha sido a mais prolífica trilha de Barry em termos de desenvolvimento de seu estilo musical, e provavelmente ele quis pela primeira vez transplantar este estilo para a música de Bond. Assim como cada compositor tratou de diferenciar-se do estilo Barry para a música Bond, Moonraker é a trilha sonora na qual ele se diferencia de si mesmo, em relação aos seus outros trabalhos para a série.

Ao escutar a música de Moonraker já não encontramos temas fortes e agressivos característicos de épocas anteriores, mas sim música eminentemente melódica e às vezes pausada. Existem cenas de ação ou suspense nas quais a música é pausada e uniforme, e ainda assim, absolutamente funcional. Destacamos entre elas “Space Lazer Battle”, “Cable Car And Snake Fight” e “Centrifuge And Corrine Put Down”. Ainda assim Barry não se afasta um milímetro da fórmula padrão da série, utilizando para cenas românticas a versão instrumental do tema principal e, ocasionalmente, a versão sinfônica do “Tema de James Bond” (em grande parte ausente do disco). Nesta trilha se encontra, na minha opinião, um dos temas mais belos jamais compostos para a série, “Bond Lured To Pyramid”, cuja belíssima melodia, combinada com a paradisíaca seqüência para a qual foi utilizada, resulta realmente comovedora. Outro tema a destacar é “Flight Into Space”, que acompanha todo o trajeto dos ônibus espaciais da Terra à estação espacial. Este tema é uma verdadeira sinfonia de seis minutos em que se combinam três temas diferentes, de acordo com a etapa do trajeto espacial em que é utilizado, e que desemboca em uma bela melodia na cena da chegada à estação. Na mesma linha anterior não posso deixar de destacar como um das melhores faixas do disco “Space Lazer Battle”, que acompanha a seqüência da batalha espacial entre dois grupos de astronautas, e cuja melodia tem muito pouco em comum com as típicas composições que se utilizam para musicar este tipo de cenas. Nesta película foi utilizado pela última vez o tema “007”, durante a perseguição de lanchas (“Boat Chase”). Para a seqüência de créditos finais John Barry utilizou uma versão “disco” do tema principal, com bons resultados.

Do mesmo modo que em discos anteriores, muita música ouvida no filme foi omitida, e é de se lamentar que este relançamento da EMI não seja expandido como outros títulos. Um par de faixas inéditas ("Arrival At Chateau Drax / Freefall") foi resgatado no disco “Bond Back In Action 2”. Em resumo, a trilha original de 007 Contra o Foguete da Morte apresenta o melhor do estilo de John Barry, incorporado pela primeira vez à música de James Bond.

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