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Após a
relativa desaprovação que teve a música incidental de 007 - O Espião
que me Amava (The Spy Who Loved Me),
John Barry
foi novamente convocado para compor a trilha sonora de um dos mais
controvertidos filmes da série, 007 contra o Foguete da Morte (Moonraker).
Moonraker é o nome com que Ian Fleming batizou um míssil em seu livro de
mesmo nome, e que posteriormente no filme foi utilizado para denominar
um ônibus espacial. O relevante é que este nome não possui qualquer
significado. Como conseqüência, John Barry teve de enfrentar o mesmo
problema ocorrido em 007 Contra a Chantagem Atômica (Thunderball)
para compor a canção principal. Desta vez, a difícil missão de escrever
a letra da canção foi do compositor Al David (que já havia participado
da série, sendo o co-autor da canção “We Have All The Time in The World”,
de 007 A Serviço Secreto de Sua Majestade). Ao ler a letra desta
canção, muitos irão achá-la sem sentido, no entanto, considerando que o
motivo principal da canção é um conceito inexistente, aparentemente a
missão foi cumprida dignamente. Bem diferente é o aspecto musical desta
canção, já que se trata de uma melodia realmente belíssima, que é mais
valorizada com a doce e firme interpretação de Shirley Bassey, que
retornou pela terceira e última vez para cantar uma canção de Bond. A
canção é uma balada suave que não tem momentos de grande intensidade, e
talvez seja essa carência que a faz tão doce e agradável de ouvir. Além
disso, é um prazer escutar Bassey interpretando temas mais melódicos.
Uma das causas da popularidade de John Barry são suas composições para
Bond, ainda que a música criada por Barry para a série fosse uma espécie
de exceção, relativamente ao tipo de música que ele habitualmente
compunha para outros filmes. Este estilo se caracterizava por ser
extremamente melódico, harmonioso e pausado, provavelmente um tanto
repetitivo, mas igualmente belo. Barry era capaz de compor para qualquer
tipo de filmes sem afastar-se significativamente desta regra musical.
Talvez as expressões máximas deste estilo de composição sejam
encontradas nas trilhas sonoras ganhadoras do Oscar Entre dois Amores
e Dança com Lobos, bem como na belíssima e aclamada Em Algum
Lugar do Passado. Provavelmente, um ouvinte não muito familiarizado
com o compositor poderia supor que estas três trilhas sonoras
corresponderiam ao mesmo filme. De fato, como dado anedótico, lembrei de
que minha irmã uma vez me comentou “como é longo o disco que você está
ouvindo”, quando na realidade havia escutado três! Este exemplo pode
refletir o estilo uniforme de Barry, o qual torna tão fácil reconhecer
uma trilha sonora por ele composta. Outros destacados exemplos deste
estilo são: Robin e Marian, O Especialista, Chaplin,
Proposta Indecente, etc. Como já disse, a música para Bond se
afastava um tanto deste estilo, mas houve uma exceção: Moonraker.
Na época, esta talvez tenha sido a mais prolífica trilha de Barry em
termos de desenvolvimento de seu estilo musical, e provavelmente ele
quis pela primeira vez transplantar este estilo para a música de Bond. Assim
como cada compositor tratou de diferenciar-se do estilo Barry para a
música Bond, Moonraker é a trilha sonora na qual ele se
diferencia de si mesmo, em relação aos seus outros trabalhos para a
série.
Ao escutar a música de Moonraker já
não encontramos temas fortes e agressivos característicos
de épocas anteriores, mas sim música eminentemente
melódica e às vezes pausada. Existem cenas de
ação ou suspense nas quais a música é
pausada e uniforme, e ainda assim, absolutamente funcional. Destacamos
entre elas “Space Lazer Battle”, “Cable Car And Snake
Fight” e “Centrifuge And Corrine Put Down”. Ainda
assim Barry não se afasta um milímetro da fórmula
padrão da série, utilizando para cenas românticas a
versão instrumental do tema principal e, ocasionalmente, a
versão sinfônica do “Tema de James Bond” (em
grande parte ausente do disco). Nesta trilha se encontra, na minha
opinião, um dos temas mais belos jamais compostos para a
série, “Bond Lured To Pyramid”, cuja
belíssima melodia, combinada com a paradisíaca
seqüência para a qual foi utilizada, resulta realmente
comovedora. Outro tema a destacar é “Flight Into
Space”, que acompanha todo o trajeto dos ônibus espaciais
da Terra à estação espacial. Este tema é
uma verdadeira sinfonia de seis minutos em que se combinam três
temas diferentes, de acordo com a etapa do trajeto espacial em que
é utilizado, e que desemboca em uma bela melodia na cena da
chegada à estação. Na mesma linha anterior
não posso deixar de destacar como um das melhores faixas do
disco “Space Lazer Battle”, que acompanha a
seqüência da batalha espacial entre dois grupos de
astronautas, e cuja melodia tem muito pouco em comum com as
típicas composições que se utilizam para musicar
este tipo de cenas. Nesta película foi utilizado pela
última vez o tema “007”, durante a
perseguição de lanchas (“Boat Chase”). Para a
seqüência de créditos finais John Barry utilizou uma
versão “disco” do tema principal, com bons
resultados.
Do mesmo modo que em discos anteriores, muita música ouvida no filme foi
omitida, e é de se lamentar que este relançamento da EMI não seja
expandido como outros títulos. Um par de faixas inéditas ("Arrival At
Chateau Drax / Freefall") foi resgatado no disco “Bond Back In Action
2”. Em resumo, a trilha original de 007 Contra o Foguete da Morte
apresenta o melhor do estilo de John Barry, incorporado pela primeira
vez à música de James Bond.
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