The Mummy (Expandido)
Música composta e regida por Jerry Goldsmith


42 Faixas (2 CDs)

Duração: 94:47
Cotação:


Comentário de
Miguel Andrade

 

Para esta aventura no estilo Indiana Jones, com saqueadores de túmulos de faraós e uma fantástica história mitológica a acompanhar, a tarefa de compor uma partitura de proporções operáticas recaiu sobre o veterano Jerry Goldsmith. O compositor não é estranho a este tipo de aventuras, já que nos anos oitenta, no rescaldo dos primeiros filmes do arqueólogo aventureiro, havia composto a música para dois filmes inspirados no romance "As Minas de Salomão". Mas enquanto essas eram produções medíocres, The Mummy é uma grande produção da Universal, com todos os requintes necessários. Goldsmith compõe música que não fica atrás da do seu colega John Williams para as aventuras de Indiana Jones, não se limitando a apresentar um sucedâneo musical.

Há temas para os principais personagens e situações: um é para Imhotep (a múmia do título), com um claro sabor oriental; outro é um love theme, associado tanto com a personagem feminina, como com a paixão perdida (e impossível) de Imhotep. Estes dois temas podem ser ouvidos logo na primeira faixa da partitura ("Imhotep" , faixa 2 disco 1). Há um outro, mais um motivo que um tema propriamente dito, muito mais ameaçador associado também a Imhotep e aos seus ataques. Por fim há um último tema relevante na estrutura da partitura, associado ao personagem interpretado por Brendan Fraser, mas que surge pela primeira vez apenas na faixa 11 do disco 1, "Night Borders". Este pode ser visto como a "Raider's March" de The Mummy - não será certamente tão memorável como o célebre tema de Williams, mas convém ao sentimento de aventura que este tipo de filme  procura.

Há mais material usado em várias faixas, mas que se limita a uma só aparição, variando entre passagens atmosféricas ("The Key of Hamunaptra"), agradáveis alívios cômicos e momentos mais ligeiros ("Bookshelf Mess" ou a dança com sabor árabe de "The Caravan"), passagens percussivas, normalmente interligadas com algum do material temático ("Night Borders"), e algumas faixas de source music ("Al Nahla Al'Ali" e "Winston Havelock). Estas em particular são o pior do álbum, não tanto pelas faixas em si, mas pela sua localização no mesmo. Os responsáveis por esta edição colocaram estas faixas na sua ordem cronológica, mas para a audição contínua dos CDs, seria muito melhor remeter estas curtas peças para o final do disco. Goldsmith trata todo este material com a sua habitual mestria, interligando os vários temas e compondo como se contando a história com música. Se fecharmos os olhos podemos viver novamente as aventuras destes heróis contra o perigoso Imohtep. Goldsmith contribui com um underscore dramático como é, infelizmente, raro ver. O compositor consegue compor música original sem deixar de ser fiel à sua estética musical, sem deixar ser influenciado por outros esforços musicais do mesmo gênero. Essa é a maior virtude deste trabalho de Goldsmith: criar uma obra de arte num estilo já tão gasto. É também de realçar o fato de a música conseguir ser cativante durante os quase cem minutos de duração do álbum.

Eu não conheço o lançamento oficial deste trabalho, mas na forma aqui analisada sente-se uma estrutura e diversidade que consegue fazer o ouvinte ficar cativado por um período de tempo considerável. Como sempre, a faixa final "The Sand Volcano/End Credits" serve de suíte, apresentando os temas principais do filme e fornecendo a necessária conclusão musical. Em uma última nota sobre a presente edição, chamo a atenção para a existência de duas versões diferentes deste CD expandido. Na que conheço, é incluída na faixa 1 do disco 1 a fanfarra que Goldsmith compôs para a Universal, ausente noutros lançamentos. Indispensável para os seguidores de Goldsmith, mas que fará falta na coleção de todos os apreciadores de grandes acompanhamentos sinfônicos (principalmente se gostarem deles com um sabor mais oriental!).

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