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A
Múmia foi o melhor filme de verão de 1999 e um estrondoso
sucesso de bilheteria. Apesar de, oficialmente, ser uma refilmagem do
clássico dos anos 30, o filme de Stephen Sommers efetivamente
inspirou-se nos antigos seriados de aventuras, o que levou às
inevitáveis comparações com a trilogia Indiana Jones,
de Lucas e Spielberg. A produção de 1999 contou com um grande score
de Jerry Goldsmith,
que apesar de ser tematicamente forte, assemelhava-se mais a O
Vento e O Leão (do próprio Goldsmith) do que às partituras que
John Williams criou
para o herói vivido por Harrison Ford. Para a inevitável continuação, O
Retorno da Múmia, o diretor Sommers reuniu praticamente toda a
equipe e elenco do filme anterior, sendo uma das poucas exceções
Goldsmith. Alguns dizem que o veterano compositor não aceitou o trabalho
por motivos de saúde, mas na realidade, Sommers não gostou
das declarações públicas negativas de Goldsmith sobre A Múmia,
o que levou à contratação de
Alan Silvestri
(Predador,
trilogia De Volta Para o Futuro, O Segredo do Abismo, etc.).
Dada a atual fase não muito inspirada de Goldsmith, parece que foi uma
decisão acertada. Silvestri optou por composições mais épicas (tipo
Os Dez Mandamentos), também distanciando-se da série
Indiana Jones e dos temas de Goldsmith, nos mais de 100 minutos de
música que compôs (dos quais por volta de 70 estão presentes no álbum).
The Mummy Returns inicia com uma batalha em larga
escala, ao som de "The Legend of the Scorpion King", típica faixa de
ação contínua, com orquestra e coral, que estabelece um padrão para o
restante do trabalho. Mas apesar de a aventura ser o elemento dominante
do score, este ainda é um filme sobre múmias, e Silvestri cria
alguns momentos de horror com "Scorpion Shoes". Em "Evy Kidnapped" o
compositor utiliza pela primeira vez seu tema heróico principal, que não
faria feio em um capa-e-espada musicado por Korngold.
Em "Medjai Commanders" Silvestri apresenta um tema épico para evocar o
deserto, e não por acaso imagens de Lawrence of Arabia
nos vêm à mente. "Evy Remembers" (flashback!) inicia nos
mostrando o lado suave da partitura, para em seguida retomar o ritmo
enérgico de faixas anteriores.
Um dos pontos altos do CD (e são vários, como "My First Bus Ride",
excelente faixa de ação) é "Sandcastles", para uma cena que é totalmente
conduzida pela música, com muito ritmo, coral e uma melodia
cativante. Passando pela tensa "Pygmy Attack" (múmias anãs!) e a
bela "Come Back Evy" (emoção!), chegamos a "The Mummy Returns", a grande
suíte final do score que, em seus oito minutos de duração,
combina os principais temas e faixas de ação. The Mummy Returns
pode não ser o melhor trabalho de Silvestri, mas sem dúvida é o mais
ambicioso, um grande score romântico na tradição dos grandes
filmes de aventura de Hollywood. O compositor gravou dois terços da
partitura em Londres, com a Sinfonia of London Orchestra and
Chorus, de brilhante performance. A parte correspondente
ao terço final do filme ele gravou em Los Angeles, com uma orquestra de
estúdio. Infelizmente, devido à pressão do tempo para lançar a trilha
juntamente com o filme, as gravações de LA ficaram de fora do álbum. Em
troca, encerra o CD a dispensável canção "Forever May Not Be Long Enough":
como em O Tigre e O Dragão, temos aqui uma canção
pop que prejudica o clima musical construído em duas horas de
projeção. Não tenha dúvida, após a faixa 18, aperte a tecla "stop" de
seu player! |