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Se
há algo que caracteriza os filmes de ação do diretor Peter Hyams
(incluindo Capricorn One, Outland, Narrow Margin
e Sudden Death), é um score original épico e
bombástico. Para o de The Musketeer, o diretor convocou David
Arnold, que por sua experiência em grandes produções como
Independence Day e Godzilla, parecia a escolha ideal.
Infelizmente não foi assim, e a música para esta nova adaptação
cinematográfica das aventuras do famoso personagem de Alexandre Dumas,
D´artagnan, deixa muito a desejar. É verdadeiramente lamentável que, com
a fama que soube conquistar, Arnold nos apresente um trabalho tão fraco,
caracterizado por notáveis falta de originalidade e pobreza de material
melódico, falhas que tenta disfarçar com sua habitual tendência à
superorquestração. O tema principal, que escutamos no "Main
Title", é demasiadamente alegre e pomposo, como se o título do filme
fosse Super Musketeer. Em "Down by the River" é apresentado o
tema de amor, com tão pouca emoção que passa absolutamente despercebido,
e o pior é que, por instantes, também repete o famoso motivo de
Tomorrow Never Dies.
Nos temas de ação, como "Fight In", "Coach Chase", "The Charge", "Scaling
the Tower" e outros mais (é o tipo de música que domina a maior parte do
álbum), além da base rítmica já conhecida de trabalhos anteriores do
compositor, encontramos um ruidoso emprego da orquestra e referências
pouco felizes à música de
John Williams e Hans
Zimmer (como combinar dois estilos praticamente antagônicos?), além
da repetição ad nauseam do sofrível tema principal. A única
exceção parece ser "Ladder Fight", onde podemos ouvir as particulares
orquestrações de cordas e metais de Nicholas Dodd, que vem colaborando
com Arnold desde o seu primeiro disco. Este esquecível exercício de
euforia que é The Musketeer encerra com uma interpretação
mais satisfatória do tema principal, em um tempo mais lento e em um
ambiente mais nobre e cerimonial.
Fica evidente que, no momento de musicar um remake ao estilo das
gloriosas aventuras de Errol Flynn, o compositor David Arnold estava
muito pouco inspirado. Ou talvez a temp track tenha tido uma
influência demasiada sobre ele. Em qualquer caso, nota-se que, no seu
regresso ao terreno da ação, o compositor demonstra as limitações de seu
próprio estilo. A partitura de The Musketeer é como uma bola de
algodão doce: muito vistosa, mas que desaparece no momento de
saboreá-la. |