THE MUSKETEER
Música composta por David Arnold, orquestrada e regida por Nicholas Dodd


Selo:
Decca Records
Catálogo:
440 014 920-2
Ano: 2002

17 Faixas

Duração: 49:41
Cotação:


Comentário de
Iordan Stoichkov e Fernando Pereyra

 

Se há algo que caracteriza os filmes de ação do diretor Peter Hyams (incluindo Capricorn One, Outland, Narrow Margin e Sudden Death), é um score original épico e bombástico. Para o de The Musketeer, o diretor convocou David Arnold, que por sua experiência em grandes produções como Independence Day e Godzilla, parecia a escolha ideal. Infelizmente não foi assim, e a música para esta nova adaptação cinematográfica das aventuras do famoso personagem de Alexandre Dumas, D´artagnan, deixa muito a desejar. É verdadeiramente lamentável que, com a fama que soube conquistar, Arnold nos apresente um trabalho tão fraco, caracterizado por notáveis falta de originalidade e pobreza de material melódico, falhas que tenta disfarçar com sua habitual tendência à superorquestração. O tema principal, que escutamos no "Main Title", é demasiadamente alegre e pomposo, como se o título do filme fosse Super Musketeer. Em "Down by the River" é apresentado o tema de amor, com tão pouca emoção que passa absolutamente despercebido, e o pior é que, por instantes, também repete o famoso motivo de Tomorrow Never Dies.

Nos temas de ação, como "Fight In", "Coach Chase", "The Charge", "Scaling the Tower" e outros mais (é o tipo de música que domina a maior parte do álbum), além da base rítmica já conhecida de trabalhos anteriores do compositor, encontramos um ruidoso emprego da orquestra e referências pouco felizes à música de John Williams e Hans Zimmer (como combinar dois estilos praticamente antagônicos?), além da repetição ad nauseam do sofrível tema principal. A única exceção parece ser "Ladder Fight", onde podemos ouvir as particulares orquestrações de cordas e metais de Nicholas Dodd, que vem colaborando com Arnold desde o seu primeiro disco. Este esquecível exercício de euforia que é The Musketeer encerra com uma interpretação mais satisfatória do tema principal, em um tempo mais lento e em um ambiente mais nobre e cerimonial.

Fica evidente que, no momento de musicar um remake ao estilo das gloriosas aventuras de Errol Flynn, o compositor David Arnold estava muito pouco inspirado. Ou talvez a temp track tenha tido uma influência demasiada sobre ele. Em qualquer caso, nota-se que, no seu regresso ao terreno da ação, o compositor demonstra as limitações de seu próprio estilo. A partitura de The Musketeer é como uma bola de algodão doce: muito vistosa, mas que desaparece no momento de saboreá-la. 

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