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Produzido em 1981,
Night Crossing descreve a história real de um grupo de
pessoas que tenta atravessar a fronteira da Alemanha Oriental com a
Alemanha Ocidental, usando um balão como meio de fuga. A música composta
por Jerry Goldsmith
para esse filme tem como ponto central duas idéias opostas: uma
representando os sentimentos de esperança e coragem dos fugitivos, e
outra descrevendo o drama e a ação decorrentes da fuga. Essas idéias
estão musicalmente muito bem expressas, e delas derivam todos os demais
temas presentes no score. O “Main Title” é bastante
objetivo: após uma breve introdução da percussão, a orquestra surge com
força total, executando uma música nervosa que deixa claro qual será a
atmosfera predominante da trilha. Essa mesma atmosfera tensa se estende
pela faixa seguinte, “All in Vain”. Em “The Picnic” é apresentado o tema
dedicado aos fugitivos. Caracterizada inicialmente como uma valsa a
música destaca, principalmente, o acordeom e os violinos. É um belo tema
cuja suavidade se desfaz à medida que a música adquire características
melancólicas, expressando as preocupações e aspirações dos fugitivos.
Essa transição do suave para o dramático, e vice versa, se faz presente
também nas faixas “Plans” e “Success”.
“First Flight” surge no filme quando os fugitivos realizam sua primeira
tentativa de vencer o grande muro que dividia as duas Alemanhas. Na
primeira metade da faixa predominam sopros e cordas, que se alternam na
execução de um novo e belo tema que traduz o clima de excitação dos
fugitivos à medida que o balão alça vôo. Notas breves da percussão,
seguidas de violinos e cellos, antecipam o drama que está
prestes a se desenrolar, e à medida que um desastre com o balão se torna
inevitável a música cresce em intensidade. Os momentos finais da faixa,
embora mais lentos e menos intensos, são ainda carregados de
dramaticidade. Seguem-se “The Patches” - sem dúvida alguma o momento
mais delicado e suave de toda a trilha, onde um belíssimo tema ganha
sucessivas execuções em diferentes instrumentos de sopro, todos
acompanhados por violinos - e “Tomorrow We Go”, faixa que denota o
renascimento da esperança de uma bem sucedida travessia da fronteira.
Quando as autoridades alemãs iniciam a perseguição aos fugitivos, “No
Time to Wait” traz a música de volta às suas origens. Curiosamente essa
é a única faixa onde o piano é utilizado de forma
mais evidente, e mesmo assim sua aparição ocorre de maneira muito breve.
Na verdade, ao se ouvir o álbum por completo, fica evidente que
Goldsmith deu preferência aos instrumentos de sopro para compor a linha
de frente do score, principalmente nas faixas de ação.
“Final Flight” é basicamente uma releitura dos temas utilizados
anteriormente, incluindo uma ligeira variação da valsa. Em “In the West”,
faixa que encerra o álbum, uma reprise do tema introduzido em “The
Patches” leva à brilhante conclusão do score, expressando
toda a alegria da liberdade conquistada pelos fugitivos quando,
finalmente, alcançam o lado ocidental da Alemanha dividida.
Night Crossing foi composta num período em que nasceram trilhas como
Poltergeist, First Blood e The Final
Conflict, algumas das obras de maior destaque na carreira de Jerry
Goldsmith, e se não chega a ser brilhante como as suas irmãs, é uma
partitura que tem seus próprios méritos: seus temas são bem definidos e
bem utilizados, a música é bem construída e flui de forma consistente e
agradável sem repetições cansativas. Sem dúvida alguma, é um trabalho
que merece lugar na coleção daqueles que apreciam a boa música para
cinema. O CD utilizado para este comentário foi o originalmente lançado
pelo selo Intrada nos anos 80. Posteriormente, em 1994, a Intrada lançou
uma nova edição contendo onze minutos de música adicional (ambos
encontram-se atualmente fora de catálogo). |