NIGHT CROSSING
Música composta e regida por
Jerry Goldsmith

Selo: Intrada
Catálogo:
RVF 6004D
Ano: 1982

Faixas:
1. Main Title - 1:48
2. All in Vain - 3:24
3. The Picnic - 4:04
4. Plans - 5:06
5. Success - 3:43
6. First Flight - 9:45
7. The Patches - 2:50
8. Tomorrow We Go - 1:03
9. No Time to Wait - 5:36
10. Final Flight - 6:16
11. In the West - 3:34 

Duração: 47:51
Cotação:


Comentário de
Renato Veneroso

 

Produzido em 1981, Night Crossing descreve a história real de um grupo de pessoas que tenta atravessar a fronteira da Alemanha Oriental com a Alemanha Ocidental, usando um balão como meio de fuga. A música composta por Jerry Goldsmith para esse filme tem como ponto central duas idéias opostas: uma representando os sentimentos de esperança e coragem dos fugitivos, e outra descrevendo o drama e a ação decorrentes da fuga. Essas idéias estão musicalmente muito bem expressas, e delas derivam todos os demais temas presentes no score. O “Main Title” é bastante objetivo: após uma breve introdução da percussão, a orquestra surge com força total, executando uma música nervosa que deixa claro qual será a atmosfera predominante da trilha. Essa mesma atmosfera tensa se estende pela faixa seguinte, “All in Vain”. Em “The Picnic” é apresentado o tema dedicado aos fugitivos. Caracterizada inicialmente como uma valsa a música destaca, principalmente, o acordeom e os violinos. É um belo tema cuja suavidade se desfaz à medida que a música adquire características melancólicas, expressando as preocupações e aspirações dos fugitivos. Essa transição do suave para o dramático, e vice versa, se faz presente também nas faixas “Plans” e “Success”.

“First Flight” surge no filme quando os fugitivos realizam sua primeira tentativa de vencer o grande muro que dividia as duas Alemanhas. Na primeira metade da faixa predominam sopros e cordas, que se alternam na execução de um novo e belo tema que traduz o clima de excitação dos fugitivos à medida que o balão alça vôo. Notas breves da percussão, seguidas de violinos e cellos, antecipam o drama que está prestes a se desenrolar, e à medida que um desastre com o balão se torna inevitável a música cresce em intensidade. Os momentos finais da faixa, embora mais lentos e menos intensos, são ainda carregados de dramaticidade. Seguem-se “The Patches” - sem dúvida alguma o momento mais delicado e suave de toda a trilha, onde um belíssimo tema ganha sucessivas execuções em diferentes instrumentos de sopro, todos acompanhados por violinos - e “Tomorrow We Go”, faixa que denota o renascimento da esperança de uma bem sucedida travessia da fronteira. Quando as autoridades alemãs iniciam a perseguição aos fugitivos, “No Time to Wait” traz a música de volta às suas origens. Curiosamente essa é a única faixa  onde o piano é utilizado de forma mais evidente, e mesmo assim sua aparição ocorre de maneira muito breve.  Na verdade, ao se ouvir o álbum por completo, fica evidente que Goldsmith deu preferência aos instrumentos de sopro para compor a linha de frente do score, principalmente nas faixas de ação.

“Final Flight” é basicamente uma releitura dos temas utilizados anteriormente, incluindo uma ligeira variação da valsa. Em “In the West”, faixa que encerra o álbum, uma reprise do tema introduzido em “The Patches” leva à brilhante conclusão do score, expressando toda a alegria da liberdade conquistada pelos fugitivos quando, finalmente, alcançam o lado ocidental da Alemanha dividida. Night Crossing foi composta num período em que nasceram trilhas como Poltergeist, First Blood e The Final Conflict, algumas das obras de maior destaque na carreira de Jerry Goldsmith, e se não chega a ser brilhante como as suas irmãs, é uma partitura que tem seus próprios méritos: seus temas são bem definidos e bem utilizados, a música é bem construída e flui de forma consistente e agradável sem repetições cansativas. Sem dúvida alguma, é um trabalho que merece lugar na coleção daqueles que apreciam a boa música para cinema. O CD utilizado para este comentário foi o originalmente lançado pelo selo Intrada nos anos 80. Posteriormente, em 1994, a Intrada lançou uma nova edição contendo onze minutos de música adicional (ambos encontram-se atualmente fora de catálogo).

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