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Em 1983, James Bond teve
um inesperado competidor: ele mesmo. Este fato ocorreu porque naquele
ano estreou o filme não oficial de James Bond Nunca Mais Outra Vez,
cuja principal atração era seu protagonista principal Sean Connery,
situação que gerou uma grande expectativa. A produtora oficial da série
007, EON Productions, tentou de todos os modos evitar o lançamento do
filme, mas diante do fracasso de seus esforços, inclusive judiciais, não
lhe restou outra alternativa a não ser preparar-se da melhor maneira
possível para competir e ganhar. Foi neste cenário de forte pressão que
ocorreram as filmagens de 007 contra Octopussy, com Roger Moore,
película que tratou de resgatar os melhores e mais destacados
componentes da série. Um destes componentes era claramente a música e
seu compositor.
John Barry regressou, em princípio, pela última vez à
série, mas ao final acabou compondo a música para este e os dois filmes
seguintes. Uma das principais limitações que teve Nunca Mais Outra
Vez foi a impossibilidade de usar o “Tema de James Bond”, já que
este era propriedade da EON Productions. Em contraste e como forma de
marcar a diferença, Octopussy o utilizou em abundância, talvez de
modo inédito. Não me lembro de outra trilha sonora de Bond composta por
Barry que empregue tanto o “Tema de James Bond”, e ainda por cima que
ele esteja tão presente no disco. O concreto é que o disco possui onze
faixas, e três delas contém o referido tema:
1. "Bond
Look Alike", que corresponde à seqüência de pré-títulos e cujo arranjo
constitui uma inovação, já que nunca fora utilizado e cuja principal
característica é ser uma versão bem lenta e misteriosa do tema;
2. "009
Gets The Knife and Gorbinda Attacks";
3. "The
Palace Fight".
Nestas duas últimas faixas, Barry usa a modalidade de inserir sua versão
sinfônica do tema na composição original. Ambas são bastante similares,
já que acompanham cenas de lutas e perseguições de ação abundante. Além
do mais, durante o filme segmentos destes temas são repetidos em
seqüências de conteúdo similar. Na ocasião, John Barry associou-se a Tim
Rice para compor a canção principal do filme. E, pela segunda vez na
história da série, o título da canção não coincidiu com o do filme: ela
chamou-se “All Time High” e foi interpretada por Rita Coolidge. Duas
observações sobre esta canção antes de prosseguirmos:
-
A canção, aparentemente, é uma espécie de agradecimento que uma
mulher faz a James Bond, portanto novamente poderíamos estar frente a
uma alegoria do personagem, situação absolutamente compreensível se
recordamos as pressões sob as quais o filme foi produzido;
-
Como poucas vezes na série, a canção
principal de Bond foi entregue a um(a) intérprete pouco conhecido(a).
Dizem que a escolha de Rita Coolidge foi influenciada pela filha de
Albert R. Broccoli, Barbara.
A canção apresenta uma letra com certa tendência romântico-erótica,
combinada com uma bela melodia e que foi interpretada satisfatoriamente
por Rita Coolidge. Esta canção também transcendeu ao tempo, já que ainda
hoje a escutamos em algumas rádios de música suave. John Barry utilizou
instrumentalmente a canção para as seqüências românticas do filme, tal
como era sua tradição. E não há muito mais o que dizer desta trilha
sonora, já que fora o assinalado anteriormente pouco há a destacar,
basicamente porque não existe muito mais música. Em resumo, esta trilha
somente será recordada pela grande utilização feita do “Tema de James
Bond”. O resto não apresenta muita criatividade, característica que
podemos demonstrar ao fazer a seguinte análise das faixas do álbum (que
possui o mesmo conteúdo da edição lançada alguns anos antes pela
Rykodisc):
- Faixas 1 e 13 são a mesma canção, utilizada
nos créditos iniciais e finais;
- Faixas 2, 3 e 10 correspondem a composições onde se inclui o “Tema de
James Bond”. Na faixa 2, com um arranjo novo, e nas demais em sua versão
sinfônica;
- Faixas 4 e 7 correspondem à versão instrumental da canção principal,
sendo quase idênticas salvo a pequena introdução presente na faixa 7;
- As faixas 5, 6 e 9 poderiam ser consideradas como
absolutamente originais, já que não se inspiram nos temas destacados no
resumo anterior;
- A faixa 8 é quase igual às 3 e 10, porém sem
a inclusão do “Tema de James Bond”.
Apesar da reduzida quantidade de música
presente no disco, quase não há omissões em relação à música utilizada
no filme, salvo alguns pequenos trechos que, ainda que atraentes, não
tiveram maior relevância.
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