THE PASSION OF THE CHRIST
Músic composta por John Debney, regida por Nick Ingman 

Selo:
Sony Music / Integrity Music
Catálogo:
Sony 92046

Ano: 2004

Faixas:
1. The Olive Garden
2. Bearing The Cross
3. Jesus Arrested
4. Peter Denies Jesus
5. The Stoning
6. Song Of Complaint 
7. Simon Is Dismissed 
8. Flagellation / Dark Choir / Disciples 
9. Mary Goes To Jesus 
10. Peaceful But Primitive / Procession 
11. Crucifixion 
12. Raising The Cross 
13. It Is Done 
14. Jesus Is Carried Down 
15. Resurrection
 
Duração: 54:09
Cotação:


Comentário de
J
orge Saldanha

 

No segundo semestre de 2003, surgiram rumores de que James Horner seria o compositor da ambiciosa visão de Mel Gibson sobre as horas finais da vida de Cristo. Os rumores provaram ser falsos, e logo as especulações sobre quem terminaria compondo o score de A Paixão de Cristo iniciaram. Finalmente, o anúncio do nome de John Debney foi uma verdadeira surpresa, já que o compositor era mais conhecido por seu trabalho em comédias recentes, como O Todo-Poderoso e Um Duende em Nova York, do que para filmes mais sérios. Mas no passado Debney já compusera para outros gêneros, como o capa-e-espada A Ilha da Garganta Cortada (uma das minhas trilhas favoritas), o sombrio Fim dos Dias e o esquecível Escorpião Rei. Apesar dos méritos do trabalho de Debney nestes filmes, eles certamente não o ajudaram a se estabelecer como um compositor requisitado para projetos mais ambiciosos ou, neste caso, polêmicos. Mas agora isto pertence ao passado.

Após Debney ter composto a música para o trailer de A Paixão (uma bela composição não incluída no CD), Gibson contratou-o para o filme, co-produziu o álbum com Debney e até cantou no coral! Graças ao "multitarefas" Mel, e polêmicas à parte, Debney criou um grande score, e aqui eu sinto cheiro de indicação ao Oscar. Uma orquestra londrina de 80 instrumentos, mais as The London Voices, interpretam a música de forma impecável. Ouvindo a esta partitura eu fico imaginando o tipo de música que Horner, ou mesmo a colaboradora de Hans  Zimmer em Gladiador, Lisa Gerrard, teria composto no lugar de Debney. A propósito, poderia dizer que muitos trechos deste score soam como um "Gladiador mais dark", mas o fato é que Debney não é Zimmer ou mesmo Gerrard. Ele é melhor que os dois, e deste modo sua música é mais rica em cores sinfônicas e harmonias. É óbvio que o diretor Mel Gibson necessitava de uma música abundantemente étnica, e o compositor entregou tudo o que ele queria, com alguns bônus. Uma grande variedade de timbres vem de instrumentos de época ou étnicos, como duduk, erhu e uma antiga guitarra armênia chamada oud, mas também há belos solos de flauta de bambu, arranjos para o coral e mesmo instrumentos eletrônicos enfatizando os tons graves.

Também, Debney emprega os talentos da vocalista/letrista Lisbeth Scott de O Escorpião Rei, que criou os cantos em aramaico. Às vezes a música é profundamente sinfônica, intensa e muito sombria. Muitas composições são, como o filme exige, pesadas, mas em certos momentos também são repletas de lirismo. O que realmente me agrada nesta trilha sonora são as belas cordas, e acima de tudo o trabalho do coral, cujas  melhores interpretações são ouvidas em "Bearing the Cross" e "Resurrection". Este não é um score temático, já que não há um tema principal ou motivos para cada personagem, apenas alguns elementos melódicos recorrentes. Mesmo assim, variações da melodia do trailer são ouvidas em "Peter Denies Jesus" e no final de "Resurrection". Esta faixa é simplesmente excepcional, com seu forte ritmo percussivo e coral intenso. Outros pontos altos da trilha incluem "Jesus Is Carried Down", a emocional "Peter Denies Jesus" e a mais bela faixa do disco, a longa "Crucifixion", com sua doce e melodiosa flauta.

Finalmente, apenas algumas palavras sobre a música de The Passion of The Christ em comparação com The Gospel of John, de Jeff Danna. Como os filmes aos quais servem, estes scores oferecem duas visões diferentes sobre o mesmo assunto ou personagem. Enquanto o trabalho de Danna é cheio de lirismo e romantismo, o de Debney é predominantemente intenso, passional e doloroso. Em outras palavras, ambos refletem seus filmes perfeitamente bem e possuem grandes méritos e qualidades. De qualquer modo, ao final The Passion of The Christ me agrada um pouco mais com sua paixão e agonia. E realmente desejo que com este belo trabalho John Debney, finalmente, seja reconhecido não como o compositor de comédias como Cães e Gatos, ou como o regente das regravações da Varèse Sarabande de scores clássicos, mas sim como o versátil talento que é, e um dos mais capazes compositores de Hollywood na atualidade.

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