MARCH OF THE PENGUINS
Música composta por Alex Wurman, regida por Jeffrey Schindler


Selo:
Milan Records
Catálogo:
M2-36131
Ano: 2005

Faixas:
1. The Harshest Place On Earth 
2. Walk Not Alone 
3. The March 
4. Found Love 
5. The Egg Arrives 
6. The Mothers' Second Journey 
7. Arrival At The Sea
8. Walk Through Darkness 
9. First Steps 
10. The Dangers Remain 
11. Reunited 
12. Going Home For The First Time
 
Duração: 41:33
Cotação:


Comentário de
J
orge Saldanha

 

A Marcha dos Pingüins (La marche de l'empereur) é um elogiado documentário sobre o pingüim Imperador, que anualmente viaja das costas da Antártica para o desolado interior do continente gelado, a fim de acasalar. No Brasil, foi lançada nos cinemas sua versão original francesa, com uma trilha pop de Emilie Simon. Já a versão norte-americana, o filme francês de maior bilheteria por lá, possui narração em inglês do grande Morgan Freeman e um score do compositor Alex Wurman (Confissões de uma Mente Perigosa, O Âncora), lançado em CD pela Milan Records e que será comentado aqui.

Exceto pela narração, o documentário não possui qualquer palavra falada, e o suporte musical para as imagens cresce em importância. Dizendo de outro modo, a missão da música passa a ser a de evocar o que as imagens e a narração nem sempre conseguem traduzir. A partitura resultante é o perfeito exemplo de um trabalho emocional, às vezes rítmico, onde Wurman enfatiza as flautas de Fred Selden, que seguem os passos dos pingüins durante sua desafiadora jornada.

Além de flautas, a música freqüentemente emprega piano (tocado pelo próprio Wurman e Alan Steinberger) e acordes ameaçadores dos metais. Wurman evita a tentação de apelar para dispensáveis sintetizadores e música étnica gratuita. No entanto, ele enriquece a trilha sonora ao complementar as escalas e harmonias tipicamente européias com batidas africanas e tonalidades asiáticas e do Oriente Médio, de um modo que fica longe de ser gratuito – na verdade, nós mal percebemos que estes elementos estão lá.

March of the Penguins não é um score temático mas apresenta alguns motivos recorrentes, entre eles uma melodia de piano que percorre o trabalho. Este material ajuda a dar aos pingüins um pouco de humanidade, enquanto o filme descreve seu ritual de acasalamento, sua marcha em busca de comida e o esforço para retornar ao seu ambiente natural, o litoral antártico. Nas notas contidas no encarte do CD, Wurman diz que "As imagens na tela me deram toda a inspiração que eu poderia querer. Elas me desafiaram repetidamente a igualar sua beleza e seu alcance emocional". De modo interessante, o resultado é uma música muito gentil e melódica que eficazmente representa as intempéries da Antártica, e ao mesmo tempo nos faz gostar daqueles nobres e por vezes engraçados pássaros. E não tenha dúvida, esta música pode ser perfeitamente apreciada à parte das imagens que a inspiraram.

Em resumo, este é um trabalho belamente realizado cujas principais características são melodias delicadas, percussão leve e um rico, porém desolado, espectro sonoro. Sua audição representa uma experiência especial para todos os cinéfilos que levam a sério a música criada para as telas.

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