THE ABOMINABLE DR. PHIBES
Música composta por Basil Kirchin


Selo:
Perseverance
Catálogo:
PRD 0042

Ano: 2003
Ouça: Dr. Phibes' Theme
Duração: 36:34
Cotação:


 

DR. PHIBES RISES AGAIN
Música composta e regida por John Gale


Selo:
Perseverance
Catálogo:
PRD 0022

Ano: 2003
Ouça: Vulnavia's Theme

Duração: 40:22

Cotação:

Comentário de
Guilherme De Martino

 

Vincent Price já era um símbolo do cinema de horror quando The Abominable Dr. Phibes (O Abominável Dr. Phibes, 1971) chegou às telas. Promovido como o centésimo filme do ator, Dr. Phibes foi um dos mais famosos e autênticos casos de filme cult: foi mais ou menos apreciado e compreendido em sua época e com o passar dos anos recebeu a devida atenção acumulando a fama merecida. Não era exatamente “o centésimo” filme de Price, mas sem dúvida foi um de seus mais famosos, além de ser um daqueles casos raros de filme que não perde a graça mesmo depois de inúmeras revisões. A bizarrice assumida e a estilização geral, além do humor que Price imprimia ao personagem, fizeram do filme e sua seqüência, Dr. Phibes Rises Again (A Câmara de Horrores do Dr. Phibes, 1972), dois dos maiores momentos do ator.

O curioso (para não dizer estranhíssimo) tom nostálgico de Dr. Phibes seria destacado de forma bastante eficiente na trilha sonora de Basil Kirchin (compositor inglês da vanguarda jazzística), que com seu poderoso e evocativo tema principal transmite perfeitamente a atmosfera de deslocamento e reminiscências passadas, característica tão marcante ao personagem em sua sede de vingança pela morte da esposa e tão essencial ao filme em sua assumida farsa macabra. A valsa "Dr. Phibes Theme" é recorrente em toda a trilha e seus arranjos diferenciados servem aos momentos específicos, como na dança de Phibes com a assistente Vulnavia ("Dr. Phibes Waltz"), que no filme era executada por uma banda de bonecos, os inesquecíveis Clockwork Wizards. A edição da trilha em CD foi um verdadeiro acontecimento, aguardado há anos por colecionadores, e apesar da irregularidade de som das faixas (muitas vieram de fontes diferentes: masters originais, fita magnética e até da própria película) o lançamento vale como a primeira edição oficial em CD (licenciada pela MGM) e acaba integrando o espírito bizarro da película, talvez até de forma involuntária em sua irregularidade: "War March of the Priests", peça para órgão de Felix Mendelshon, abre a audição, seguida das diversas versões da valsa tema principal, intercaladas com momentos de suspense, como nos violinos “desafinados” de "Locusts" ou o baixo acústico dedilhado em "Cage Full of Bats".

Apesar de menos interessante enquanto filme, a seqüência Dr. Phibes Rises Again teve melhor rendimento musical na trilha de John Gale, compositor inglês atuante no mercado de rádio e TV. Também assumindo o clima bizarro e o humor, Gale optou por uma ironia maior e o emprego de formas musicais bastante diferentes, indo da tradicional dramaticidade para grande orquestra e coro, a momentos pop típicos do período, como em "Vulnavia’s Theme", que de uma belíssima ária vocal evolui para um tema pop em órgão elétrico. Outros momentos trazem uma inesperada e riquíssima variedade musical, incluindo foxtrots românticos ("Dance on the High Seas", "Cabin Fever") introspecção e mistério ("Elixir of Life"), lirismo para violão solo ("To Egypt") e a referência étnica ao velho Egito (segundo Hollywood) na divertida grandiosidade de "Into the Catacombs".

Para completar, a trilha também traz a antológica performance de ninguém menos do que o próprio Dr. Phibes na canção "Somewhere Over the Rainbow". De forma poética, o velho doutor encontrou sua tão buscada imortalidade através da inesquecível performance de Vincent Price. Menção especial deve ser feita aos encartes que acompanham as edições: fartamente ilustrados e informativos, com notas do diretor Robert Fuest e dos compositores, valorizam os dois lançamentos como imprescindíveis (e até históricos) itens de coleção, destinados à idolatria cult tanto quanto as películas.

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