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A
franquia Piratas do Caribe resgatou o filão abandonado por
Hollywood desde a década de 50 dos filmes inspirados pelas aventuras
passadas nos sete mares. Películas como Capitão Blood, O Grande
Motim e O Gavião do Mar e astros como Errol Flynn, Tyrone Power e
Clark Gable fizeram a alegria das matinês. Para compor a trilha de
Piratas do Caribe: No Fim do Mundo,
Hans Zimmer bebeu ainda mais
das fontes dessa época, principalmente de
Erich Wolfgang Korngold e
Herbert Stothart, para fazer a melhor partitura de toda a série e uma
das melhores do ano até agora.
A
conhecida versatilidade de Zimmer está mais uma vez presente em toda a
obra. O clima “Io-ho-ho-ho, e uma garrafa de rum” aparece logo na
primeira faixa, “Hoist the Colours”, escrita em parceria com o diretor
Gore Verbinsky. Ele, no entanto, não deixa de lado a grandiosidade
fundamental nos filmes do estilo, como nas faixas “Drink Up Me Hearties”
e na longa “I Don’t Think Now is the Best Time”, que emoldura a batalha
final. A participação de Keith Richards no papel do pai de Jonnhy Depp
não passou em branco, e uma guitarra distorcida está presente na
interessante “Parlay”. Sem contar os toques orientais pedidos pelo
personagem de Chow-Yun Fat, na épica “Singapore”.
Ao contrário da grande maioria de filmes de ação, as músicas funcionam
perfeitamente sem o auxílio luxuoso das imagens, sejam em breves e belos
momentos melancólicos, como em “I Seed Dead People in Boats” e “One Day”,
na inspiradora “What Shall We Die For” ou na tensa “Calypso”. As únicas
exceções ficam por conta de “At Wit's End” e da já citada “I Don’t Think
Now....”.
Entretanto, talvez a característica mais marcante da trilha seja aquela
também presente nas telas em toda a trilogia: um ar de farsa, de
galhofa, de comédia. Como não se divertir com “Multiple Jacks”, que
parece inspirada por Henry Mancini e suas partituras para Blake Edwards?
A tensa “The Brethren Court” é quebrada duas vezes pela presença de
Sparrow, no formato de banjo e trombone. E a supostamente grandiosa “Up
is Down” é de cara com a agitação dos violinos, e finaliza de forma
heróica e brilhante.
Se a última
aventura do trio Jack Sparrow, Will Turner e Elizabeth Swann é uma
verdadeira montanha-russa de efeitos especiais, ação quase ininterrupta,
personagens divertidos e carismáticos e alguma (pouca) história, o
trabalho de Zimmer funciona como um delicioso ingrediente dessa receita
- e também como prato principal.
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