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Neil Argo
é um compositor singular. Versátil, ele saiu-se muito bem em
trilhas diferentes entre si, em projetos como as séries de
TV MacGyver: Profissão Perigo e Barrados no Baile,
além do seu envolvimento com a National Geographic -
mostrando enfimsua qualidade linear e seu talento nato. Em
P.J., filme dirigido pelo já parceiro habitual Russ
Emanuel, Neil traz uma trilha que remete ao drama, buscando
novos caminhos entre si. A trama, que gira em torno de um
acidente que provoca grandes reviravoltas, tem em si uma
peculiaridade nada comum. O que é
extremamente positivo.
Na trilha incidental, Neil
utiliza curtas passagens em suas faixas com uma docilidade
imensa. Em “P.J. Main Title” a sobriedade encontrada no
piano vai em busca das cordas de fundo, tornando-se uma
pintura através de notas. Em “Stuck By the Door” o violinos
atuam como interceptadores em cena, atingindo a angustia
pelo ponto da suavidade. “Both of Us” é uma curta passagem
onde a tristeza remete a seu arranjo cuidadosamente
preparado. Já em “How Did He Know” o que se destaca é a
serenidade, através de um violão que chama a tranqüilidade
para si.
“It's a Miracle” soa, como diz
seu título, como um pequeno milagre, com cordas doces
conduzindo uma melodia aberta e continua. “P.J. End Title” é
a faixa mais poderosa, onde tem-se a melodia inicial do
longa mas de modo mais completo e cativante, onde o piano
interage com o saxofone muito bem, soando como um jazz
sofisticado e maduro.
Aliás, um ponto a ser
salientado no trabalho de Neil, é que ele consegue compor as
trilhas sem deixar vestígios ou rastros. Seus scores
são sempre muito bem acabados e sobrepostos em suas
melodias, criando um contexto que as tornam mais criativas e
originais.
Enfim, é uma ótima trilha, vinda da
criatividade de um
compositor que sempre alcança o ponto certo nas horas certas. |