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Até para fins de
comparação com a obra clássica de 1968, o novo Planeta dos Macacos,
de Tim Burton, era um dos filmes mais aguardados do ano. Do mesmo modo,
a curiosidade a respeito da partitura do habitual colaborador de Burton,
Danny Elfman,
era muito grande, já que
Jerry Goldsmith, para o filme original, compôs uma de suas melhores
e mais criativas obras. Visto o filme, acho espantoso que tenha faturado
todos esses milhões de dólares, já que, além da ótima maquiagem, ele não
possui qualquer elemento ou cena particularmente marcante ou
espetacular, e o seu final desafia qualquer lógica. Por sua vez, a
ênfase em instrumentos de percussão e o volume da orquestra fazem deste
o mais agressivo e, porque não dizer, primitivo score já composto
por Elfman.
Sem estar à altura da atemporal obra-prima de Goldsmith, Elfman criou um
efetivo fundo musical que evoca a presença e o domínio dos macacos, de
forma mais notável nos “Main
Titles”: estes, além de homenagearem a trilha do original (com
a utilização de glissandos em modo similar a Goldsmith),
apresentam um tema ameaçador de quatro notas (às vezes três, ao longo do
score). A perfeita integração entre orquestra, percussão e
efeitos eletrônicos, fazem desta faixa, e sua interessante variação em
"Main
Title Deconstruction",
o destaque da trilha. À exceção do tema dos macacos, a partitura é
aparentemente pobre em material temático, consistindo basicamente de
faixas de ação que trovejam nos alto-falantes (a já mencionada "Main
Titles" e a agitada "The Hunt" são exemplos perfeitos). Mesmo assim, em
audições posteriores será possível ao ouvinte esforçado (ou seja, fã de
Elfman), identificar pequenos motivos ligados a situações e personagens,
em meio à dissonância e à atonalidade dominantes.
A agitação é interrompida somente por esparsos momentos melódicos, como
no pequeno tema da segunda faixa, "Ape Suite #1"; mas de um modo geral,
nos 53 minutos do score, sentimos falta de uma maior diversidade
harmônica e rítmica. Em “Rule The Planet Remix”, o DJ Paul Oakenfold,
que já colaborara na trilha de Swordfish, apresenta um remix
de diálogos e da música de Elfman, que sem dúvida traz uma mudança de
ritmo que o ouvinte agradece. Ao final, visto o filme e ouvido o CD,
fica a pergunta que não quer calar: será que já não se fazem filmes e
trilhas como antigamente? |