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Quase 20
anos após seu lançamento, Poltergeist II continua sendo um
dos scores mais procurados do maestro
Jerry Goldsmith.
Mas este excelente trabalho do autor de The Mummy e Mulan
é uma "jóia" difícil de adquirir, já que as
primeiras edições da Varèse Sarabande e da Intrada
(esta somente com 5 faixas), do mesmo modo que a expandida de 1993,
também editada pela Intrada e que ampliava o material para 13
temas, estão hoje fora de catálogo e circulam apenas
entre colecionadores, a preços astronômicos. Em 2003, a
Varèse Sarabande (companhia que vem lançando alguns dos
trabalhos inéditos de Goldsmith, como Justine e Magic) lançou esta versão “deluxe” da
cobiçada trilha sonora, com arte de capa mais onírica e um interessante
encarte, com fotos e comentários sobre o score.
Esta nova edição inclui as 13 faixas da expandida, alterando apenas
alguns nomes de músicas, e adiciona quase 9 minutos de material inédito,
divididos entre "The Visitor" (uma das tantas seqüências cortadas
durante a montagem original) e “Wild Braces” (usada para acompanhar os
flashbacks que explicavam os fatos do primeiro filme). Em
Poltergeist II, Goldsmith conserva 2 dos temas que compusera para a
película anterior: o clássico lullaby "Carol Anne's Theme", que
aparece em faixas como "Thinks", o diabólico “The Mall" e "The Worm"
(neste último em uma versão "mais adolescente", já que o coral de
meninos do tema clássico desaparece, substituído por vozes de meninas) e
o enigmático "Back To Cuesta Verde" (uma alusão ao bairro da família
protagonista).
Os novos materiais que o compositor introduz nesta aventura são três.
Para as seqüências em que aparece o índio/pajé Taylor (que ajudará a
família a superar seus traumas), sonoridades étnicas com flautas,
percussão e instrumentos eletrônicos dimensionam o tom épico e místico
do filme. Para os personagens sempre conflitados de Diane Freeling e a
avó Jess, Goldsmith desenvolve outro lullaby, repousante,
onírico, doce e cheio de tristeza (na linha dos clássicos temas de amor
que popularizaram sua carreira), mas que na faixa “Reaching Out" adquire
um caráter grandiloqüente (cabe mencionar que, nem nesta ou nas edições
anteriores, esta composição se ouve do modo como aparece no filme). O
terceiro tema é de longe o melhor e se repete em vários momentos da
trilha sonora; é o encarregado de ressaltar aqueles momentos de tensão e
horror através de um coral misto cantando em latim, que na melhor
tradição de The Omen serve para descrever o ameaçador Reverendo
Henry Kane.
Com uma paleta instrumental que combina a grande orquestra com
sonoridades eletrônicas, Goldsmith afasta-se totalmente da primeira
película e entrega um score dinâmico, novo e de fascinante
audição, que a critério de quem escreve estas linhas, supera seu
trabalho anterior para a saga e transcende ao próprio filme. Trata-se de
um CD que transporta o ouvinte (por todas as gamas emocionais), a uma
outra dimensão...
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